TRG NEWS – TRAILER VAZADO VINGADORES – GUERRA INFINITA

Alguém vazou o trailer de Vingadores – Guerra Infinita (Avengers – Infinite War) que foi exibido para uma seleta (pelo menos na cabeça deles, pois alguém deu seu jeitinho de filmar – ainda que porcamente) plateia na maior convenção nerd do mundo: A San Diego Comic-Con. O enquadramento não é dos melhores, mas dá para ver (SPOILEEEEER ALERT) o encontro do Thor com os Guardiões da Galáxia, o novo uniforme do Aranha e o Thanos botando para quebrar mesmo sem seu simpático elmo que lhe deixa mais apresentável. Eis o vídeo:

UPDATE: Qualidade um pouco melhor (bem pouco, mas o angulo é melhor haha)

Em breve a Marvel deve disponibilizar oficialmente em seu canal para não perder seus próprios views, além de, é claro, culpar a maldita Hidra por mais esse vazamento, rsrs.


O que acharam? Ansiosos?  Achei do caramba e os gritos dos presentes (agora ecoados pela plateia de internet) a cada aparição mostra o hype que já está virando. Pode vir Thanos…

TOMA RUMO GURI!!

Vai Teia!

Nesse finzinho da semana entrou em cartaz o novo fílme do Homem-Aranha e isso enterrou de vez todas as piadotas de internet que gozavam o fato de que o Cabeça de Teia não fazia parte do Universo Cinematográfico da Marvel e, por sua vez, dos Vingadores mostrando que nem mesmo os memes são eternos. Um acordo inedito entre a Sony (que comprou os direitos do personagem para os cinemas a preço de bala Juquinha na época que a Marvel quase faliu) e a Disney (Que tem se virado sem seus herois mais rentaveis e atrativos – Vide X-men e o Aranha – de maneira criativa ) possibilitou saciar o desejo dos nerds de ver um filme do Amigo da Vizinhança sob a visão mais apurada, pelo menos na maioria das vezes, da Marvel. Porém, infelizmente, por mais divertido que o filme seja em algumas partes ele não é o que todo fã do aracnídeo esperava ver.

Para comentar sobre esse filme gostaria de fazer um paralelo com uma amizade antiga que tive criando uma linha do tempo pessoal em cima das obras hollywoodianas do sobrinho da tia May. Cansamos de ver a trilogia do Aranha chorão do diretor Sam Raimi (2002-2007) nos Telecines da vida. Era uma fase de filmes de quadrinhos onde tudo era “novidade” e na época que foi lançado nos cinemas arrecadou dinheiro como pão quente na padaria numa segunda de manhã. Eram tempos mais inocentes e o público pagante não reclamava tanto, só o fato de ver o Peter Parker saltitando em uma tela gigante já era o bastante para receberem nossos agradecimentos e ficarem com nossos níqueis. Lembro que esse amigo e eu gostavamos desses três primeiros filmes porque era fácil de arrancar risadas ainda que não fosse a intenção do autor. Tinha um vilão esquisitamente robótico, um Peter Parker emo que chegava a dar aflição e as expressões faciais de Tobey Maguire que por sua jocosidade estão eternizadas pela rede mundial de computadores. Ainda assim tinham suas cenas brilhantes como a primeira teia arremessada no alto de um prédio (SHAZAM!) e o beijo invertido que virou ícone na história do cinema, quem diria. Graças a esse conjunto de elementos e a insistência da TV a cabo de só passar o segundo filme em seu catálogo o conjunto da obra no mínimo se torna bem quisto nem que seja forçadamente. Ainda que a 3ª película seja, sinceramente, horrenda. Mas foi a que mais faturou, vejam vocês…

A amizade já estava amadurecida e fomos presenciar quando o Homem-Aranha voltou as telas em 2012 com o ator Andrew Garfield vivendo um Peter Parker mais descolado e prafrentex. Troca-se Mary Jane e coloca-se o primeiro amor pra valer de Peter, Gwen Stacy, que na época era vivida por sua namoradinha na vida real, Emma Stone. O personagem principal (o próprio Aranha) era melhor que o esteréotipo chorão anterior, o grande problema era tudo a volta dele que destoava com qualquer coisa que fizesse um mínimo de sentido artístico seja visual ou de roteiro. O que é uma pena porque os 10 minutos iniciais do segundo filme da segunda trilogia vale pelo filme todo. Quer dizer, valeria, se fosse um curta. Seja como for de um jeito ou de outro conseguimos aproveitar a ida ao cinema principalmente porque era o auge dos memes comparando o fracasso do heroi nos cinemas com sua negativa de entrada no mega grupo dos Vingadores dando preferência até ao Mario Verde (SIC), risos.

O filme atual em cartaz (sob produção criativa da Marvel) flerta em vários momentos com elementos que considero chaves para ser um excelente filme do homem-aracnídeo: Um heroi bem humorado sempre disparando piadas tão rápidas quanto as teias que saem de seus lançadores, cenas mostrando suas habilidades sobrehumanas, a luta interior de Peter Parker de se mostrar digno de ser o guardião da cidade que nunca dorme que deposita nele sua fé (muito bem representada em todos as versões de filmes dele) e algumas referências aos quadrinhos como a lanterna em fomato de sua máscara que aparece tão momentanea e faz homenagem às primeiras histórias. Porém não é construido uma base forte (alguém disse teia?) para segurar as pontas e em muitos pedaços do filme realmente parece que o roteiro é aquele navio fatiado em um recursivo exemplo onde o diretor parece fazer força para não deixar nada naufragar.

Sabiamente não há uma história de origem nesse segundo reboot (ninguém aguenta mais ver o tio Ben morrer), mas não há uma explicação de como Parker ganhou seus poderes nem mesmo menções aos ensinamentos que seu parente lhe ensinara. Nem mesmo aquele pingo de culpa que move Peter a andar para frente está lá. Gosto muito da frase “Com grandes poderes vem grandes responsabilidades” (origem atribuída ao filósofo positivista Augusto Comte) e é um pecado não aplicá-la para a nova geração. Por mais que Tony Stark pareça fazer esse papel é sabido e nítido que o Robert Downey Jr. está ali apenas para alavancar as cifras dos ingressos vendidos. A tia May está um pouco perdida e quase tudo que se refere a ela são piadotas de que ela é um tanto quanto gostosa o que é muito errado quando se tem no imaginário aquela doce senhora septuagenária. Senti falta do sentido de aranha que não foi capaz nem de emitir o mínimo aviso nem mesmo quando um ônibus veio para cima do pobre garoto aremessado pelo Shocker. O Abutre até que está bem legal levando em consideração que o Mr. Adrian Toomes nunca foi lá um sujeito ameaçador, Michael Keaton levou bem o personagem levando-se em conta que já está acostumado com homens-pássaros vide a estatueta do Oscar descansando em cima de sua lareira. O filme mescla estilos e ritmos diferentes o que incomoda. No início dá um medo de que a película inteira seja do ponto de vista da câmera do blogueiro/videologueiro Peter Parker.

Porém se eu pudesse apontar apenas duas coisas que me frustraram no filme e que vejo como uma grande goteira que deixou escapar precioso tempo de filme eu diria que é o excesso de transformar o Aranha em uma espécie teen do Homem de Ferro descaracterizando totalmente o personagem que sempre se guiou apenas pelos seus sentidos, habilidades e senso moral e o segundo incomodo vem da descontinuação daquilo que acertaram. A cena do Aranha prendendo o ladrão de bicicleta é excelente. Cheia de piadas no melhor estilo HQ, mas depois não tem mais nada daquilo até os créditos. Idem para a cena dele salvando seus amigos em Washington DC e dando um salto acrobático fantástico, mas nunca mais fazendo nada parecido até as letras subirem. Queria ver ele passeando pelo alto dos prédios em Manhattan, mas a maioria das cenas nem edifício tem por perto. Em uma parte isso até mesmo isso vira piada interna. E olha que seria incrível ver mais cenas como a dele em cima do trem sob som dos Ramones. As referências do universo da Marvel (que acho que roubaram a vontade dos produtores de montar a própria mitologia do Spidey em seu filme) se resumem a origem dos artefatos dos vilões do filme que apontam para a tecnologia Chitauris e para piadotas do Tony Stark, Happy (segurança do Iron-Man) e em cima do Capitão América. Aliás a cena final pós-credito é daquelas que você ri, mas é uma risada nervosa porque ao mesmo tempo que é engraçada é uma troça em cima de um hábito que a própria Marvel incutiu em seus fãs. Mas vale a pena ficar até o fim sim, nem que seja para falar um palavrão para o Steve Rogers.

Dessa vez fui ao cinema sozinho, não faço ideia do que minha antiga amizade teria pensado sobre essa nova versão do escalador de prédio. Talvez justamente tenha faltado esse espírito gozador para colocar umas piadas internas no lugar certo e tornar o filme mais leve como é na essência o Homem-Aranha que ao vestir a máscara consegue rir a despeito de todos os problemas que enfrenta. Sei que tenho um lado crítico ferrenho, mas tenho orgulho de ter até hoje minha coleção de gibis antigos e empoeirados do Cabeça de Teia da época da Abril e Ebal, da Panini também vai (alguns). A edição mais preciosa que possuo foi presente dessa pessoa uma edição em duas parte, em inglês, da morte de Gwen Stacy. É uma estrada antiga de admiração e camaradagem. Ah, sim, falando nisso deixe-me explicar agora a razão do paralelo criado. O filme é legalzinho, okay, pipoca, estilo sessão da tarde. Você não perde seu dinheiro nem tempo, fique tranquilo. Vale as risadas, embora se tornem menos intensas. Aquela pessoa se foi faz algum tempo junto com a  minha paciência de esperar um filme do Cabeça de Teia que me deixe sair satisfeito do cinema. Mas a única certeza que temos é que figuras como Batman, Super-Homem e nesse caso o Homem-Aranha são heróis tão atemporais que vão ganhar trocentos reboots (novas versões) e para ceder aos apelos comercias e de gerações sempre vão se distanciar cada vez mais daquilo que conhecemos. Faz parte do jogo. Durante toda nossa vida veremos essas franquias sendo exploradas a exaustão e obviamente não nos agradarão. Iremos começar amizades, amadurecê-las e findá-las e em algum tempo até mesmo nós não estaremos mais por essas bandas e o looping eterno de filmes do aranha e companhia continuarão nas salas de exibições do mundo todo. Já estou considerando positivo o filme ser regular, conseguir me ganhar em boas partes e ter referências ao Curtindo a Vida Adoidado (Ferris Bueller’s Day Off, 1986) no mínino me faz não perder a fé na humanidade.

Meu amigo, espero que onde quer que você esteja, você tenha pelo menos achado as partes corretas para tirar um sarro.

Bônus: Para se despedir das ótimas piada do Homem-Aranha não fazendo parte do universo Marvel segue o LINK DOS MELHORES MEMES

 

Vai teia!

Saul Junior é criador e editor do site Toma Rumo Guri (www.tomarumoguri.com) e sempre vai achar que o Peter Parker ganhou na loteria do amor com a Mary Jane.

Mulher Maravilha, uma volta às origens

Finalmente a princesa das amazonas chega aos cinemas conseguindo alcançar a difícil missão que vem se arrastando por décadas de fechar a trindade da DC em produções cinematográficas. E não foi um caminho fácil e sem obstáculos esse de Temysciras, o paraíso feminino, até as telonas.

A personagem foi criada na finaleira de 1941 nascendo em berço esplendido no que chamamos de era de ouro dos quadrinhos. Foi concebida por William M. Marston (Charles Marston para o mundo dos gibis) um psicólogo de mente bem aberta e que proclamava aos quatro ventos a importância do amor (talvez por isso fosse bígamo em meio a uma sociedade ferrenhamente conservadora). Também criou o polígrafo, máquina que detecta mentira, que serveria como referência para um dos mais famosos apetrechos da moçoila.

A aparição de uma heroina mulher em plena guerra instaurada condizia com o lado guerreira das esposas de soldados enviados para o front que agora ficavam encarregadas de prover sustento a suas famílias e se identificavam com a personagem ao mostrar força e garra. Porém ao mesmo tempo que Diana (seu nome helênico – até porque não creio que algum cartório do mundo permitisse Mulher-Maravilha como nome, risos) crescia junto com o feminismo, que florescia com espinhos, também sofria por pertencer a um mundo dominado por homens tanto na autoria quanto na recepção. Sendo assim a personagem sofreu bastante em sua personalidade para suprir desejos alheios.

Em diversas capas e histórias de quadrinhos pelo tempo vemos ela sendo usada em posições eróticas com simbolismos fálicos, sentadas nos canos de tanques de guerra, sadomasoquistas, há recorrentes ilustrações de mulheres amarradas e em posição de submissão, e mesmo há pouco tempo atrás seus trajes foram diminuindo em oposição a seus avantajados pomos. Sua silhueta vinha do gosto do freguês. E olha que muita dessas coisas veio da própria mente de Marston que tinha até uma regra maluca de que uma amazona perdia sua força ao ser amarrada tocando seus braceletes e malandramente jogava a culpa na deusa Afrodite.

Mesmo com toda essa antinomia de vontades a DC conseguiu marcar indelevelmente na cultura-pop a Mulher-Maravilha como personagem feminino mais icônico dos quadrinhos e utilizada massivamente por seus fãs como a encarnação do girl power. Porém ainda faltava vencer a maldição da ausência de um filme para chamar de seu.

Um longa metragem hollywoodiano é o carimbo de que um personagem venceu. É forte e carismático o bastante para valer cifras astronomicas investidas por executivos e conseguir atravessar o mundo nerd das HQ’s e alcançar um universo mais diversificado e amplo que vai da vovó Maricota, sua netinha Lurdes até aquele homem sisudo chamado Mario que acha que gibis é para crianças. Porém quando pinta no cinema uma superprodução ela tem que alcançar todos e a personagem ganha status de conhecida por todas as tribos. Qual pai ou mãe não conhece o Batman? Ou o Superman? “Tá, mas minha mãe também conhece a Mulher-Maravilha, cara”. Sim, por tudo o que eu já disse foi uma das únicas heroinas a ultrapassar os gibis e praticamente toda festa a fantasia tinha uma. Porém o que mais se sabia dela? Nome verdadeiro como o Clark Kent? Tinha um side kick (parceiro) como o Robin? Pois é, aí que a coisa complica um pouco.

A Mulher-Maravilha chegou a ter um filme nos anos 70, porém além de muito diferente era feito pela rede ABC diretamente para a televisão na época que era impossível fazer algo que prestasse sobre o tema para essa mídia (com raras exceções). Porém foi nas telinhas que a musa ganhou muita força em um seriado onde era vivida pela estonteantemente linda Lynda Carter (linda até no nome, risos). Foi a prova definitiva que era uma personagem rica e pronta para ser explorada em todas as formas artísticas. Recentemente foi feito um piloto de uma nova série onde Diana usaria calças, mas no fim foi engavetado em mais um projeto frustrado. Ainda assim muitas pessoas, entre elas Patty Jenkins, sempre cutucava a massa acreditando no potencial da Mulher-Maravilha: Por que não um filme?

A Warner tem derrapado em seu universo cinematográfico. Diferente da Marvel ela não tem conseguido manter seu universo coeso e bem estruturado. Após o fim do mundo de Nolan que não conversava com nenhum outro em estilo e estética a empresa apostou muitas verdinhas para tentar trazer seus medalhões em filmes de origems para poder trazer a Liga da Justiça como ápice desse esforço. Novamente o que a Casa das Ideias fez, só que mais bem orquestrado, com os Vingadores.

Porém vários tropeços aconteceram com filmes sombrios com pouca cor, importância e humor. Tentaram arrumar na importância jogando o super-herói mais poderoso contra o homem-morcego em um filão caça-níquel que o título não me deixa mentir e não deu muito certo. Tentaram arrumar então o humor e pegar emprestado o tom pastel da Disney e outro tiro pela culatra com Esquadrão Suicida que até tem pontos divertidos, mas errou por querer ser épico demais em uma tentativa clara de achar o próprio Guardiões da Galáxia da Warner. Rumores da Liga da Justiça também não andam bem.

Então cavalgando da ilha das amazonas chegou aos cinemas nacionais nessa semana o filme Wonder Woman com o papel de deixar para trás toda história mal contada e mostra uma versão definitiva dessa mulher forte que usa uma uma tiara estrelada e tem a responsabilidade de dar esperança para os filmes da DC.

Com roteiro de Geoff Johns e Allan Heinberg baseado em história de Zack Snyder e a direção da sempre esperançosa Patty Jenkins o filme volta à origem da princesa amazona dos gibis originais de onde Diana foi esculpida do barro e ganha o sopro de vida de Zeus. Protegida por sua mãe, acaba desobedecendo-a por ter um espírito de guerreira e fugindo quando conhece um piloto americano que em perseguição por acaso descobre o paraíso grego das mulheres lutadoras. Então há essa mescla entre mitologia grega e histórias de guerra com o intuito de fecundar a história da Mulher-Maravilha que achará no mundo dos homens um lugar para praticar justiça o que as vezes dá um tom que destoa principalmente por toda a cor reunida de seu uniforme destoando totalmente daquele mundo saturado e infeliz.

Gostei bastante do inicio da película onde há todo background da história de Diana. Vemos que ela tem uma chama em seu coração pelo combate. Ela gosta de lutar, algo que está no cerne de todas aquelas mulheres da ilha. Também toda a pitada de mitologia cai muito bem mostrando que Ares o deus da Guerra é um perigo iminente e que apesar de Hipólita fantasiar a respeito de seu fim tem escondido em sua mente que é um mal que inevitavelmente irá voltar. E Ares representa batalha, conflito e contronto. Porém diferente daquelas garotas que o fazem por diversão, defesa e auto-preservação é de modo pernicioso e embebido em ganância e poder que é algo tão acertadamente atribuido aos mortais. Também não deixa de ter nesse deus a representação da testosterona masculina movida pela opressão vista na época.

Na verdade esse vilão pode representar tanta coisa que não caberia em um só texto. Então vem o período do fime que acontece durante a segunda guerra mundial onde a amazona tem que se adaptar a um mundo machista e sem sentido. Sinceramente achei essa parte que compõe bem mais que o meio do filme em muitos momentos enfadonha. O filme fica mais lento e já vimos tantas vezes o clichê de viajante (seja do tempo ou espaço) que vem para nosso mundo e fica atônito com nossos costumes que começa a parecer alguém a tocar música com apenas um único acorde.

E por mais que vejamos muitos costumes ainda vigorando é algo que a mentalidade humana já começa a deixar para trás de tão ridículo e ver isso sendo explorado tão pormenorizado a ponto de perder tempo de filme traz a impressão de um filme antigo da Sessão da Tarde. A comparação de uma secretária com uma escrava acho até mesmo ofensiva. Principalmente que as amazonas também fazem tudo o que sua rainha ordena. A parte final é boa e tem bastante carga dramática embora em algumas partes também vejo um roteiro um pouco perdido e atirado.

PONTOS FORTES

A coreografia das lutas é muito bonita visualmente. Com acrobacias em camera lenta esse é o maior acerto disparado. As amazonas rodopiando no ar antes do disparar de suas flechas ou até mesmo as balas paradas no tempo/espaço para que possamos ver a Mulher-Maravilha desviando-as com seus braceletes. A trilha sonora também está bacana incluindo a música tema que já conheciamos, mas parecia ter um novo arranjo. Os efeitos especiais estão bem aceitaveis. Também há de ser ressaltado o carisma adicionado pela belíssima Gal Gadot que convenceu bem no papel. Também achei interessante haver a presença de uma vilã feminina (Doutora Veneno) que por baixo dos panos consegue ser um antagonista melhor que o general Ludendorff e o próprio Ares. Gostaria de ter visto as amazonas vindo para ajudar Diana na guerra.

PONTOS FRACOS

Achei um filme muito polarizado. A maioria dos personagens eram bidimensionais demais. Você sabe o que esperar de cada um deles sem surpresas maiores. Steve Trevor era muito bom. Não havia defeitos em seu caráter, nem a mais leve divergência que é tão tipica dos seres humanos. Ele só tinha uma obediencia aos costumes, mas nem a isso ele se apegava direito. Imagino que um espião teria que ter pelo menos mais conflitos internos para amadurecer e tornar mais interessante o personagem. O final poderia ter sido mais bonito se uma decisão tivesse sido tomada para provar na balança quanto pesa um coração humano. E não, como no caso, uma beatificação.

Essa polarização é bem representada pelo mundo escondido de onde Diana vem que um braço estendido mostra a diferença de uma praia ensolarada ou uma Bélgica cinza e esfumaçada. Até mesmo uma bomba de gás de Mostarda tem limites de sua fumaça bem definidos demais ao ponto de você parar seu cavalo no ponto exato de dispersão dela. Chega a ser surreal. Pelo menos meu medo de atribuirem a ganancia humana totalmente ao Ares não se justifica, pelo menos isso. Também me choca o fato que quase ninguém se espanta ao ver uma mulher que desvia tiros com o braço, dá super saltos e move tanques militares sem nem estragar o penteado.

Sério mesmo que em plena época em que uma mulher falar em uma sala cheia de homens era ofensivo ninguém ia soltar uma interjeição que seja por uma versão feminina do superman? O laço da verdade achei bonitinho nos primeiros usos, mas assim como uma espada japonesa sacada perde seu encanto nos próximos truques e fica saturada bem rapidamente com usos bem infundados. As lutas finais são bem vazias de contexto e em alguns pontos até de de coerencia. E para um filme de super herói, ainda que de origem, demora demais para ver a Mulher-Maravilha em ação em sua armadura vermelha e amarela.

Exatamente uma hora e meia das mais de duas horas de filme. Uma última coisa que me incomodou, assim como lembro de não ter gostado em O Hobbit, foi piadas de pênis algo tão ao contrário do que o filme queria mostrar. Mediano.

Dito tudo isso dá para sacar que o filme é legal, mas não passa muito disso. Me parece muito com o primeiro filme do Snyder do Superman onde vi na época empolgadaço, mas hoje em dia revendo acho muitas partes enfadonhas. Se o filme tivesse sido mais enxuto e trabalhado um pouco mais nos detalhes ( como em utilizar melhor seu vilão e dar mais vida ao mundo que cria) teria sido muito mais emblemático e memorável. Mas a filha de Hipólita veio para ficar e em breve a veremos em Liga da Justiça. E é praticamente certo que ela volte para uma sequência só dela onde se ela quiser manter seus filmes sob a ensolarada luz solar da costa grega vai ser necessário apresentar um pouco mais do que mostrou. No mínimo nessa bota vermelha vai ter que ter um baita salto alto.

 

TOMA RUMO GURI!!

Deu ruim! (Aviso de Posts Perdidos e o que Farei…)

  

Esse foi um dos momento onde quase perdi o TRG. Porém não dá para deixar 8 anos de história (serão 9 em dezembro/2017 e a contar…) ir por ralo abaixo sem luta. Por alguns problemas não renovei com o servidor, nem o domínio e o resultado disso é que fiquei sem meu filho querido desde março/2017. Consegui recuperar o domínio, renovei a hospedagem, mas não tinha nenhum backup nem comigo, nem com a empresa. Consegui trazer o que tinha da época do Blogger, mas de 01/01/2015 até 22/07/2017 não tinha mais nada. Irei utilizar sites que recuperam o conteúdo em determinadas épocas do passado e vou fazer uma restauração manual da maioria dos posts. Não digo todos porque se houver material como fotos hospedado no antigo servidor a menos que eu as recupere também não faz sentido trazê-lo de volta. Será um trabalho manual e árduo, mas acho que vale a pena para deixar o passado registrado. Então a medida que todas as peças desse quebra-cabeça feito em XML for sendo montado esse exato post vai ficando cada vez mais para trás existindo apenas para mais uma memória da vida do TRG…

De resto estou arrumando aos poucos e tentando melhorar o que eu puder em layout, colunas e até mesmo dedicação. Então com paciência chegaremos ao que eramos e tentaremos alcançar algo sempre melhor.

Toma Rumo Guri!! 

The Last Goodbye – Adeus 2014 TRG

Bom, amigos. Este é o último post do ano. O TRG fez 7 anos agora no início de dezembro e agradeço a todos que nos acompanharam nesse último ano (e também aos que estão firmes e forte desde o começo…) porque sei que entre muitas atrações pela internet é difícil se manter fiel há alguma fonte de conteúdo. Agradeço-lhes, mas sei que é mérito, pois me dedico muito ao TRG. Ele é meu filho, ele sou eu. Sim, o TRG é minha alma virtual. Reproduz meus gostos, ainda que com um tempo limitado de minha dedicação.
Esse ano que passou investi nele com a compra de um microfone/gravador que pude usar pela primeira vez na edição desse ano da Comic-Con do RS. Na verdade a maior parte desse gravador foi um presente de meu pai que acreditou nesse trabalho que beira a uma traquinagem infantil. Agradeço a ele, agradeço a minha mãe por sempre apoiar também. Agradeço a Marcela porque além de fazer parte da equipe (na verdade ela sempre foi a segunda mão do site) sempre se desvira em divulgadora, crônista, resenhista e outros istas. Valeu.
Agradeço a todo mundo que de alguma forma participou do site seja escrevendo ou lendo as matérias. Esse ano conseguimos acessos para a Comic Con RS, para o AnimeXtreme, para a Comic Con Argentina e Sampa as quais não pudemos ir, assim como a Comic Con Experience o qual quase cheguei a aparecer por lá.
Pra 2015? Bom espero ir pra San Diego cobrir o maio evento nerd do mundo. Se vai rolar? Sei lá. Dinheiro não nasce em árvore, irmão. Vou tentar cobrir esse evento, mas não prometo. Assim como vou tentar divulgar mais, melhorar a estrutura do site e tentar perpetrá-lo para sempre na história da internet brasileira. Algumas vezes penso em desativá-lo quando vejo que um gif de uma mulher rebolando ou uma HUEragem tem mil vezes mais views e reconhecimento, mas não dá. Não consigo.
Mais uma vez agradeço a companhia de todos e desejo todas as coisas boas para vocês e famílias. Sejam felizes, vivam intensamente e continuem acessando o TRG. São mais de 300 mil views de história.
Que venham mais resenhas, mais videocasts, quem sabe podcasts? e toda sorte de postagens bacanas. Que Deus abençõe a todos nesse novo ano. Até 2015.

Ah, fiquem com a música The Last Goodbye do filme do Hobbit que assim como o ano seus filmes (polêmicos) deixarão saudades. Adeus 2014, obrigado pelos peixes. Bem-vindo 2015.

The Last Goodbye

I saw the light fade from the sky
On the wind I heard a sigh
As the snowflakes cover my fallen brothers
I will say this last goodbye


Night is now falling
So ends this day
The road is now calling
And I must away
Over hill and under trees
Through lands where never light has shone
By silver streams that run down to the Sea


Under clouds, beneath the stars
Over snow one winter’s morn
I turned at last to paths that lead home
And though where the road then takes me
I cannot tell
We came all this way
But now comes the day
To bid you farewell
Many places I have been
Many sorrows I have seen
But I don’t regret
Nor will I forget
All who took that road with me


Night is now falling
So ends this day
The road is now calling
And I must away
Over hill and under tree
Through lands where never light has shined
By silver streams that run down to the Sea


To these memories I will hold
With your blessing I will go
To turn at last to paths that lead home
And though where the road then takes me
I cannot tell
We came all this way
But now comes the day
To bid you farewell


Versão em português:


O Último Adeus

Eu vi a luz desaparecer no céu
No vento eu ouvi um suspiro
Enquanto os flocos de neve cobrem meus amigos caídos
Eu direi esse último adeus


A noite está caindo
Assim termina o dia
A estrada está chamando
E eu preciso ir
Pelas montanhas e abaixo das árvores
Pelas terras onde a luz nunca brilhou
Por riachos de prata que vão em direção ao mar


Por baixo das nuvens e das estrelas
Por cima da neve e das manhãs de inverno
Eu deixei para trás os caminhos que me guiavam para casa
E fui pela estrada em que eles me levaram
Eu não posso dizer
Nós chegamos até aqui
Mas agora chegou o dia
De dizer adeus


Já estive em muitos lugares
Já vi muitas lamentações
Mas eu não me arrependo
E nem me esquecerei
De todos que seguiram nesse caminho ao meu lado


A noite está caindo
Assim termina o dia
A estrada está chamando
E eu preciso ir
Pelas montanhas e abaixo das árvores
Pelas terras onde a luz nunca brilhou
Por riachos de prata que vão em direção ao mar


A essas memórias eu me segurarei
E vou seguir com sua benção
Para me despedir dos caminhos que me guiaram para casa
E fui pela estrada em que eles me levaram
Eu não posso dizer
Nós chegamos até aqui
Mas agora chegou o dia
De dizer adeus


Vou dar a todos um afetuoso adeus


Eras isso em 2014. TOMA RUMO GURI!!

Papo Nerd – Anão Hreidmar e a origem de o Hobbit(?)

E aí, galera? Beleza de Creuza? Rsrs.

Essa semana nem tem muita coisa para discutir. É fim de ano e as notícias nerds rareiam. Mesmo assim vim dividir com vocês um conto de um livro que estou lendo que me lembrou muito o Hobbit de Tolkien. É sabido que o mestre dos escritores medievais bebeu da mitologia nórdica com muito gosto como se fosse um chifre de hidromel, porém cada vez que você mais se aprofunda no conhecimento do panteão de deuses da Escandinava mais você nota a importância e as peças para toda essa literatura criada que temos da Terra-Média. Inclusive, baseada em Midgard, um dos 9 mundos.

Mas como disse me chamou a atenção a história do anão Hreidmar que em certa feita recebeu em sua casa como hóspedes nada menos que Odin, Loki e Honir. Só que o deus brincalhão (Às vezes confundido com maldoso) vestia a pele de uma lontra (algumas versões trazem fuinha, outras doninha) que pela manhã ele havia matado com uma pedrada na beira de um riacho e vestido sua pele como casaco. Só o que ele não poderia saber é que o tal bichinho abatido era filho (que pescava metamorfoseado) desse velho senhor anão que ao ver sua prole abatida e sem vida apontou suas armas (e a de seus outros 2 filhos: Fafninr e Regin) para as entidades e ameaçou-lhes a vida. Odin mandou que Loki desse seu jeito, afinal se comoveu do pobre anão e já que ele só bebia o néctar dos deuses era fácil apontar o dedo, e o trapaceiro comprometeu-se de ir até os reinos dos anões arranjar ouro o suficiente para forrar o couro da lontra morta por completo.
Loki enfrentou frio e fome e quando chegou ao seu destino resolveu parar para tentar apanhar comida. Nisso capturou um peixe que muito se debatia. Ao tentar empalá-lo com uma lança o bicho falou. Era mais um anão com seu truque de pesca, esse tentava fazer amizade com os nadadores, por certo, haha.
Então Loki lhe impôs a condição de que só o libertaria em troca de uma quantidade enorme de ouro. O anão que era o mais rico de todos, graças a um artefato, sem saída alguma topou o acordo. O deus forrou um carrinho de mão improvisado e encheu com muitas moedas de ouro. MUITAS MESMO. Tanto que a casa do anão ficou mais espaçosa a ponto de enxergar um quadro que lhe lembrava que tesouro algum faria ele deixar-se dominar pelo ouro. Loki também levou um anel, o Andvari, que continha uma maldição, apesar de ter o poder de encontrar mais ouro.
Loki deu para Odin o anel e o resto do tesouro para o pai do anão morto ao regressar para a casa de Hreidmar. Odin ficou impressionado com aquele artefato tão reluzente, mas o anão exigiu o anel para quitar totalmente a dívida provocada pelos deuses. Sem saída o líder do panteão nórdico se desfez do item. Ao irem embora os filhos do anão começaram a desejar o anel tanto quanto o pai que os expulsava da sala para contar o ouro em três partes. Ninguém mais lembrava de Ótr morto. Fafninr tomado pelo desejo mata seu pai e foge com a carroça de ouro no qual a peça de mais importância para ele é o tal anel. Anos depois o irmão descobre que Fafninr havia se transformado em um dragão que vigiava seu incontável tesouro.
Esse anel tem mais aparições na história intitulada O Anel de Níbelungo do qual certamente Tolkien inspirou o seu Um-Anel, porém nesse pequeno conto eu identifico bastante o próprio livro do Hobbit no qual Hreidmar assim como Thorin é tomado pela ganância (ainda que no livro de Tolkien o rei sob a montanha tenha seus direitos legítimos) e o seu filho com toda certeza tenha sido a primeira encarnação de Smaug na literatura através desse mito. Com certeza Tolkien é genial porque bebia em uma fonte que não ficava atrás na qualidade dos enredos ainda que sem regra muito rígida e nem sempre bem trabalhada na sua escrita. Porém as histórias são muito bem feitas, a maioria, e são embasadas em muito humor embora haja uma certa desconfiança no resgate por um cristão. Enfim, essa é outra história e farei uma resenha do livro por completo depois.
Bom, por hoje era só. Desejo a todos um bom natal (com ênfase nas coisas bonitas e no seu significado) e uma excelente entrada de ano.

Toma Rumo Guri!!

Versão Brasileira TRG – Especial de Natal Marvel

Thanos tem um plano para adentrar o castelo do líder dos Inumanos, Raio Negro: Se fantasiando de Papai Noel. Porém ele vai descobrir o ônus de bancar o bom velhinho. Fiquem com o Versão Brasileira, nossa nova coluna que vai traduzir as melhores produções gringas da internet. Então assistam agora essa engraçada história natalina da Marvel. Pois é, Thanos tá na moda… =Pp

Feliz natal, galera. Sãos os votos do TRG. E um conselho: Jamais peguem o Thor no colo. O.o

Toma Rumo Guri!!

{Resenha] Nosferatu – Joe Hill

   HOHOHO!! Mamãe Noel aqui veio deixar um maravilhoso presente para vocês. Hoje, noite natalina, iremos conhecer um lugar magnífico, chamado Terra do Natal. Por favor, sigam-me até o Rolls-Royce de Charlie Manx e vamos nos divertir muito! =)
capaTítulo Original: Nosferatu
Autor: Joe Hill
Tradução: Fernanda Abreu
Gênero: Terror
Páginas: 624
Lançamento no Brasil: 08/07/2014
Sinopse Oficial: Victoria McQueen tem um misterioso dom: por meio de uma ponte no bosque perto de sua casa, ela consegue chegar de bicicleta a qualquer lugar no mundo e encontrar coisas perdidas. Vic mantém segredo sobre essa sua estranha capacidade, pois sabe que ninguém acreditaria. Ela própria não entende muito bem. Charles Talent Manx também tem um dom especial. Seu Rolls-Royce lhe permite levar crianças para passear por vias ocultas que conduzem a um tenebroso parque de diversões: a Terra do Natal. A viagem pela autoestrada da perversa imaginação de Charlie transforma seus preciosos passageiros, deixando-os tão aterrorizantes quanto seu aparente benfeitor. E chega então o dia em que Vic sai atrás de encrenca… e acaba encontrando Charlie. Mas isso faz muito tempo e Vic, a única criança que já conseguiu escapar, agora é uma adulta que tenta desesperadamente esquecer o que passou. Porém, Charlie Manx só vai descansar quando tiver conseguido se vingar. E ele está atrás de algo muito especial para Vic. Perturbador, fascinante e repleto de reviravoltas carregadas de emoção, a obra-prima fantasmagórica e cruelmente brincalhona de Hill é uma viagem alucinante ao mundo do terror.
   Ok, antes de começar, permitam-me extravasar um pouco da minha admiração: GENIAL! CARA, EU TE AMO!! Acabou com todos os meus natais, mas valeu cada página, cada letra, meu Deus, que leitura sensacional. Hum, hum… agora já posso ser séria! Fazia muito, mas muito tempo que eu não lia um livro de terror, realmente de terror. Uma frase que costumo usar com frequência dentro desse assunto é: um escritor realmente fez um livro de terror quando este te faz se cagar de medo. Sério gente, Hill acertou em cheio nessa obra, que ultrapassou todos os limites do pavor. Provei um pouquinho dessa sensação ao ler A Estrada da Noite, mas nada pode se comparar. A começar pelas ilustrações. Diferentemente do seu primeiro romance, Hill nos presenteou com verdadeiras obras-primas descritivas de sua história. Se você não conseguir ficar realmente apavorado com a escrita, acredito piamente que as imagens darão um jeitinho em você!
Nosso querido e amistoso Sr. Manx. Não é a bondade em pessoa?
Nosso querido e amistoso Sr. Manx. Não é a bondade em pessoa?
   Além da escrita assustadora em si, percebi vários traços peculiares, como o fato de Joe abordar o tema do alcoolismo e drogas. De um jeito que me lembrou seu pai. Às vezes acho que ele é uma versão de SK mais atualizada. Alguns personagens estão sob os holofotes, não apenas Vic e Manx. Bing, que me dá nos nervos de tão patético que ele é, Maggie, a bibliotecária mais fodona que eu já conheci, Lou… aliás, ou estou muito enganada, ou Lou foi inspirado em ninguém menos que Hugo Reyes, o Hurley de Lost. Podem ler e tirar suas conclusões, quem for fã de Lost verá essa ligação. Espero que um dia, não muito distante, eu mesma possa perguntar ao criador dessa história. Ah, ainda tem o filho dela, o BRUCE WAYNE. Cara, esse livro é foda sob muitos aspectos! Os dois personagens principais possuem um talento para viajar pela mente, criando lugares impressionantes. O de Vic, O Atalho, permite que ela vá para qualquer lugar em que estiver pensando, com o objetivo de encontrar algo que está perdido. Não tardamos a descobrir que quando ela procura encrenca, O Atalho vai dar logo na residência do encantador Sr. Manx.
O Atalho
O Atalho
Já a mente de Charlie o leva pela estrada a um local que é uma espécie de parque de diversões natalino: lá todo o dia é Natal, as crianças o adoram! Bem, se dermos uma olhada com atenção nas crianças, veremos que elas não são exatamente bonitinhas e fofinhas. Na real, toda vez que penso nelas me lembro do Venom. Bom, lendo vocês vão ter uma ideia do que tô dizendo… Aí vão umas imagens da Terra do Natal, o mapa para se chegar lá e um encantador desenho que Millie Manx (moradora da Terra do Natal) fez para seu papai.
A Lua que banha a Terra do Natal
A Lua que banha a Terra do Natal
A Millie é artista...
A Millie é artista…
Mapa curioso, não?!
Mapa curioso, não?!
A Terra do Natal
A Terra do Natal
    Por falar nesse mapa, sabemos algumas coisas a seu respeito. Joe Hill construiu uma ponte de ligação entre todas as suas histórias, de uma maneira muito interessante. E uma coisa que Manx fala para Bing me deixa chocada!
   SPOILER
   O Verdadeiro Nó é mencionado! Tá é daí? Daí que esse romance foi escrito antes de Doctor Sleep, e Manx foi bem realista em relação ao grupo de Rosie, a Cartola. Fiquei encucada se King usou isso na cara dura, se essa parte de Nosferatu foi ideia dele… bah, teorias surgem! Por algum motivo, fiquei desgostosa com a ideia de King usando personagens do filho, não sei a razão.
Enfim, o livro é excelente sob muitos aspectos como já disse anteriormente. É divertido, Manx pode ter bastante senso de humor. Fiquei chateada com o desfecho da Vic. Acho que esse foi o único ponto negativo pra mim. E claro, acredito que as capas originais podiam ter sido mantidas, elas são bem mais legais. Então é isso, LEIAM, aproveitem cada página! Fique com mais algumas imagens e Feliz Natal!!
capa gringa
Uma das capas gringas

Amei essa capa!
Amei essa capa!

O Hobbit – A Batalha dos Cinco Exércitos – por Saul Junior

“Em um buraco no chão vivia um Hobbit”.
 Assim começou a saga
de uma criatura diminuta que acompanhada de um mago e de uma companhia de anões
subiriam até a Montanha Solitária para recuperar seu lar de um terrível dragão.
Para alegria de muitos (e tristeza de Christopher Tolkien) em dezembro de 2014
foi lançado o ultimo pedaço da adaptação em três partes daquele pequeno
livrinho (sem qualquer conotação no emprego do diminuitivo) para o grande ecrã
onde Peter Jackson nos brindou com muitas coisas boas e algumas odiosas. Não,
não falo apenas da Tauriel. =Pp
Se você não viu o filme saiba que vale muito a pena vê-lo. É
sempre legal, usando o mais simples dos adjetivos, ver a Terra Média
representada em qualquer mídia que for. A versão cinematográfica da obra de Tolkien
dura um pouco mais que duas horas (fugindo a regras dos mais longos anteriormente) e tenta agradar a todos. Tem uma Guerra
pipocando, lutas épicas, tem comédia escrachada, tem ação, tem romance (ainda
que confuso) e assim vai até o fim. Há também as lindas tomadas da Nova
Zelândia caracterizadas para dar vida ao Condado e outros lugares desse mágico
lugar. O roteiro não me agradou da maneira como conduziu as cenas, como foi
feito os cortes e achei que muita coisa foi jogada, mas nada que
comprometa a jornada que Peter Jackson propôs dando vida aquele bando folgado
de anões (hehe) e seu ladrãozinho contratado. Pode ir na fé que é diversão para
você, namorada, papagaio e o que for. Mesmo como fã, a menos que você seja um
xiíta brabo de Mordor ou um purista, você vai gostar de muitas cenas. Não posso deixar de ser
sincero e apontar vários “solavancos” não tão raros no filme que te fazem
cortar um pouco o embalo e te tirar daquela imersão. Esse é um resumo. Agora
quero deixar meu lado nerd comentar o filme às veras…
Update: Vi o filme uma segunda vez e desliguei totalmente o modo crítica, ignorando vários filtros, e o filme é mesmo mais divertido quando você se deixa levar pela empolgação e pelo modo Coca-Cola, Pipoca e vibração, haha…
Bom, se você não viu o filme e não quer spoilers, ainda que
alguns sem importância, pare por aqui. Eu avisei.
Antes de começar a tecer meus comentários sobre o filme
quero dizer que fiquei 10 minutos na fila para comprar a pipoca mais intragável
que comi em minha vida. Puta que pariu, Cinema Itaú  do Bourbon Country, vão se catar com esses
pedaços de isopor que vocês chamam de pipoca. A pior de toda Porto Alegre…
Update: Essa segunda vez fui ver no Imax do Bourbon Wallig e duas coisas podem ser ditas com certeza: 1) O Imax realmente dá uma força maior para qualquer filme, é um 3D mais vem feito e claro além de excelente sistema de som, teve pedaços de telhas voando que eu me esquivei além de contemplar o focinho do Smaug, o terrível, em terceira dimensão bem na minha frente… 2) Pipoca quentinha e com gosto de… vejam vocês… Pipoca!

Beleza, agora sim, a resenha…

O que eu achei do filme? Embora um misto de emoções
diferentes tenham me assaltado durante um pouco mais de duas horas acredito que
a resposta mais franca seja que achei a película com um roteiro bem fraco e que
se salva pela força dos personagens e pela emoção injetada empregada pelas batalhas que são cheias de ação,
mas muito jogadas ao acaso. Há uma falta de contextualização em muitas das
partes do filme. Cada um terá sua percepção, mas haviam inúmeros fatos que a
todo momento me tiravam do contexto do filme. E não, não vou falar que Tauriel
não é um personagem de O Hobbit (ela está lá, fazer o quê… Resta aceitar e ver
o filme) e que isso ou aquilo não é exatamente igual ao livro.Só é bom manter os olhos em uma frase do próprio Tolkien: ”Os cânones da arte narrativa em qualquer mídia não podem ser completamente diferentes; e o fracasso de filmes ruins com frequência está precisamente no exagero e na intrusão de material injustificado que se deve a não-percepção de onde o núcleo do original se situa.”. Frase sobrescrita por Sergio Ramos em uma boa resenha.
A película começa embalado pela ação entrecortada de um
filme para o outro. Depois daquele enorme troféu imprensa anão de ouro líquido
o Smaug partiu furioso contra a Cidade do Lago. A cena inicial de Smaug tocando
o terror é cheio de efeitos, explosões e destruições. Tudo muito bonito e
trabalhado. Bard consegue se soltar facilmente de sua prisão em uma cena bizarra pra caramba onde o pescoço do Mestre da cidade é mais forte que uma parede de madeira preparada e parte para o seu
momento glorioso: Matar a fera. Praticamente é o trabalho de sua vida.

Muita gente reclamou da balestra de anão já que no livro o
instrumento utilizado era um simples arco, porém esse foi sem dúvida o menor
dos problemas desse pedaço do filme. Não sou daqueles caras chatos que acham
que tudo tem que ser idêntico a obra original literária, afinal, se soubéssemos
o que vai acontecer de cabo a rabo cadê a graça, certo? Porém sou sim a favor
da não desvirtuação de personagens (tipo mudar totalmente seu jeito,
personalidade ou atitudes…) e nem que seja um pouco da factualidade em um filme
de ficção. Um dragão voador que fala pra mim está ok, porém um dragão que
conversa e age como um vilão de desenho animado foi frustrante. Confesso que ao
ler o livro senti uma certa decepção na maneira como Smaug, o tirano, parece
mais o Smaug, a Lagartixa de Cristal. Minha grande esperança era que PJ levasse
a cabo um final mais real e emocionante para o grande réptil antigo. Mais ou
menos como fizeram no O Nevoeiro onde um pequeno ponto a mais (no caso do final)
tornou o filme tão interessante quanto o conto do próprio Stephen King. Porém
como mencionei Smaug ficava soltando frases do tipo “Olha eu vou te matar,
hein”, “Vou mesmo…” e “Quem avisa amigo é…” (óbvio que não exatamente essas)
que poderiam ter dado um resultado mais favorável para a salamandra gigante se
ele simplesmente tivesse voado para cima de Bard e seu filho presos no alto de
uma torre de madeira ou mesmo esbaforido algumas chamas mortais fazendo um
churrasquinho maneiro. Mas não, foi mais digno de Tom e Jerry um discurso até
que Bard usasse o pescocito e ombro de seu filho querido como alavanca para sua
flecha negra atravessar o ponto fraco da vil criatura faladeira. Essa tática do
PJ teve mão dupla, pois é muito surreal usar o filho como arma, mas ao mesmo
tempo dá uma ideia de sacrifício e confiança. “Vira a cabeça mais pra direita
por favor…”. Embora caía no mesmo ponto onde mesmo a ficção precise de algo sólido para se apoiar. Daí Peter Jackson nos dá uma cena foda do Smaug voando
desengonçado até sua língua desenrolar em slow motion em uma agonia pré-morte
onde ele cambaleia para o esquecimento. Essa parte sim foi, como disse,
fodástica. Em Imax ver esse pedaço do filme ganhou uma nova beleza. O dragão era tão real. Fora isso foi legal (menos pro povoado, rsrs) ver um dragão enfurecido rasgando os céus e arruinando uma cidade com todo seu poder. O único adendo é que realmente poderia ter sido mais agradável se o Smaug fosse morto  em batalha e não em um bate-papo. Quando ele morreu, aquela criatura incrível, lamentei em partes por ser um personagem realmente incrível como o são todos os dragões.

Após a morte de Smaug o foco volta para os anões. Os salões
de Erebor podem ser novamente tomados visto que o perigo foi dissipado.
Confesso que foi meio estranho ver a tomada por completo dos salões de tesouro.
Foi meio que Thorin Forever Alone. Senti falta de um Tio Patinhas Mode em
mergulhos nos salões coberto por tesouros. Achei meio oco as cenas deles procurando a Arken Stone. Enquanto o anão-mor é tomado pela
tal “doença do dragão” vemos que Gandalf está apanhando mais que boi bandido em Dol Guldur. Galadriel, Saruman e Elrond chegam para ajudá-lo (Radagast também, rsrs.)
tomando conta da situação.

  Essa cena tem um molde feito para fãs do tipo “Imagina se” ou “quem ganharia…”, mas deixa um pouco mal explicado para quem não é fã, embora nos EUA seja praticamente um livro obrigatório (inveja), quem são aqueles “fantasminhas” embora nossa musa da Middle Earth chegue recitando o poema clássico da contagem de anéis por raça dando a dica.

 A respeito dessa cena (eu sei,
desculpa fazer tantas críticas, rsrs) acho muito vazia mostrando apenas alguns
takes mostrando os caras mais fodas da Terceira Era (e de outras, rsrs) dando um corridão no
Sauron. Mas e depois? O que houve? Sauron aprendeu sua lição e jamais voltará?
Sabemos que não. Há boatos que existe preparado um caminhão de cenas
estendidas, mas… Bem, depois pequeno gafanhoto, depois… Saruman dizendo que iria atrás de Sauron para “detê-lo” até deixa implícito o que aconteceu…

Aproveitar que estou com o queijo e a faca na mão (na verdade a espada élfica e as lembas) e matar
(Não, ainda não é o rei sob a montanha, rsrs) dois plots que pra mim mais afundam
que ajudam o filme. Temos o Alfrid (outro personagem inventado e que segue a linha do Língua de Cobra) que após o Smaug ter caído (e provavelmente
matado-o) em cima do rei (Mestre, na verdade) da Cidade do Lago vemos que Bard toma a iniciativa de
guiá-los até a Montanha Solitária tentando conseguir provisões e dinheiro com
os anões. Porém o uso do personagem é forçado demais. No início você
sente uma certa graça. Mas aí vem a insistência autoral do PJ em mostrar que o cara é
um covarde e em inúmeras cenas você vê sempre a mesma ladainha reforçando o óbvio até culminar na
cena patética e sem graça dele vestido de mulher e apalpando os peitos falsos. Okay, a primeira vez ele escondido
do trabalho como velhinha embaixo de um véu está até aceitável, mas ele
ajeitando o soutien… Nossa. Nem tem o que falar. É tipo a piada do anão pintudo
no Segundo filme. Grosseira. Não combina com a temática do filme, nem remete com a classe da versão literária.
Falando no casal interracial por mais que ache uma perda de
tempo criar um personagem para uma trama que já tem tantos e alguns anões, por
exemplo, passaram batidos em desenvolvimento acho que o pior de tudo nem é o
romance em questão, mas sim que não deu pra sacar o que o Peter Jackson (e/ou o
Guilhermo Del Toro) quiseram passar. Não me venha com essa de fica a livre
interpretação que nesse caso não cola. Veja bem há uma pista de que talvez a
Kate pudesse ser mãe do anão com cara de modelo de cueca. No terceiro filme
muitas coisas batem, pois a elfa diz que andou por aí, tem o significado da
pedra, alguns olhares estranhos. Até a hora que ela beija ele não dá pra ter
certeza de nada. Beijo póstumo, é verdade, necrofilia pegando, haha. Aliás nem depois do ósculo consigo ter total clareza dos
fatos. Ficou uma trama subdesenvolvida. Nem sequer sabemos o que acontece com
ela. Na minha opinião ela deveria ter morrido também. Esses dias vi uma
pergunta em um fórum se ela devia ter ficado com Legolas ou com Kili. Eu acho
que ela deveria ficar com o ostracismo.
Mas nem tudo são horrores. A parte da Guerra dos 5 exércitos
(que dá nome ao filme) é muito boa. PJ se tornou um especialista em elaborar cenas
assim. Batalhas é com ele mesmo.

Cabeças rolam ainda que contidas e disfarçadas por truques para evitar restrições etárias mais rígidas. Boa, mas não sem ressalvas, pois há coisas lá
especialmente para irritar. Os cortes são brutos e as continuações seguem uma
ordem meio aleatória. Noto que o povo leigo ficou viajando em quem seriam os 5
representantes da tal Guerra. Só pra constar: Anões, elfos, humanos, orcs e as
águias. No meio deles apareceram trolls, minhocas gigantes, Beorn em uma aparição
pra lá de legal de 2,5 segundos (hueheue) e por aí vai.

Dáin, o Pé de Ferro é um puta acerto. Ele e os anões sob
seu poder dão toda uma nova vida ao filme. Vejo nesse caso um tipo de comédia
mais adequado a filmes “medievais”. Risos sobre modos trogloditas, haha.
Gandalf até diz que Thorin é o mais sensato da família. Sua montaria, o porco
pulador é um espetáculo a parte. Spoiler: Fiquei muito triste com essas mortes:
O porco e o Alce do Thranduil. ='(

 As estratégias da batalha novamente tem suas falhas. Os
elfos se aproximando de Erebor é fantástico, mas na hora de anões e “fadinhas
da floresta” se juntarem em um mesmo time os anões se protegem com escudos e os
elfos… Saltam por cima como libélulas livres para alçar vôo. Poxa, a coisa mais
fácil era um orc enfiar uma lança no… hã… pé de um dos soldados. Visualmente é bonito o vôo das maritacas élficas, mas em uma guerra muito descabível. Também não
comprei muito a idéia de que mendigos humanos conseguissem muitas coisas não.
Há ainda, novamente, a supervalorização de Bilbo (que apesar de ficar bastante
tempo off) se torna um grande lutador sem precisar do anel para acertar
criaturas com o dobro de sua força. Gostei dele usando pedras para acertar trolls, uma coisa meio Davi x Golias. Mas o lado espadachim dele é a habitual deturpação de personagem. Heróis nem sempre hão de usar a força. Também me chamou atenção que não importa se
de um lado há um anão com uma espada e do outro um brutamontes orc com
superforça e uma arma mil vezes mais pesadas o impacto das forças opostas se
anulará em um “Tlink” no ar e as armas ficarão segurando uma a outra paradas, equivalem-se magicamente. Eu relevo
o Légolas pulando pedrinhas,

 mas tem coisas que chamam bem a atenção. Aí já é
demais. Pô, uma clava teria jogado Thorin longe ou rachado sua cabeça.

Falando no anão principal… Achei muito mal desenvolvido o
jeito que o Thorin se cura da tal enfermidade. Em um momento ele está acusando
seus irmãos e deixando Dáin se furunfar lá fora da montanha, na outra ele se olha em um reflexo
e tem uma puta mudança de consciência. Se no Segundo filme o GoPro deu uma
estranheza, a cena da confusão de identidade do rei sob a montanha não fica
atrás. Creio que o desenvolvimento poderia ter sido mais refinado. Um exemplo bacana é de quando o rei anão pega o hobbit com uma noz do jardim do Beorn e eles falam sobre amizade e há um clima muito bacana que rapidamente é cortado quando Thorin ouve que os elfos estão chegando para pegar o seu tesouro e ele tem uma mudança de um sorriso amigo para a expressão de um psicopata guerreiro. Ali foi bem trabalhado esse lado ao invés daquele efeito escroto de chão de ouro movediço lhe engolindo. Credo.

 Outra coisa que queria falar a respeito do Thorin: Tanto no livro quanto no filme acho que as pessoas enxergam ele e sua paixão pelo dinheiro de maneira equivocada. Na verdade eu acredito que o anão está certo no que ele defende e até vemos um pouco disso em algumas partes da película. Thorin e sua trupe estão indo recuperar o seu lar e o seu tesouro. É deles, não haveria porque dividir com pessoas de fora. Mesmo o auxílio dos Homens que lhe ajudaram foi em troca de um favor futuro e de dinheiro. Ninguém ajudou eles de graça com exceção de Gandalf que é uma entidade superior. Até mesmo o nosso adorável hobbit iria receber algo pelos seus préstimos.


E Thorin jamais fala em não pagar aos seus irmãos anões e seu ladrão profissional. Ele é honesto, mas também é justo. Eles que foram até o dragão. Eles que conquistaram Érebor ainda que não tenham matado o dragão. A herança é deles. Sinto que Tolkien possa ter brincado um pouco com nosso lado de justiça com isso, embora claro que havia muito ouro para ajudar os que precisavam. Mas a questão é… É decisão de quem a escolha? Thorin sabiamente disse que não negociaria com ninguém que trouxesse um exército a sua porta como saqueadores. E nisso ele estava certo. Mas isso é algo que sempre gosto de discutir, não tem a ver com a resenha em si, haha.

As mortes são rápidas e um pouco brutais, como manda uma boa
Guerra. Muitos no cinema foram pegos de surpresa. São emocionantes e você
realmente sente a perda. Você torce para nessa parte o final ser diferente do
livro. Mas Peter Jackson leva a risca o destino traçado por Tolkien. Fili,
claro, tem a morte mais vagabunda deles.

O embate final entre Thorin e Azog poderia ter sido mais
épico já que foi essa a intenção do diretor para esse filme. Há uma dispersão entre a luta final visto que além do enfrentamento Thorin fica sucessivamente combatendo contra diversos figurantes orcs randômicos como uma antiga partida de RPG da época de 8 bits. A coreografia da
luta é um pouco contida e quando eu achei que o final do Azog (esse que é tipo
um Galvão Bueno só narrando a batalha lá de cima de uma geleira – orcs podem
ser estrategistas, mas isso foi cômico…) teria sido o Thorin jogar uma pedra em
seus braços virando uma geleira eu é que gelei. Ia ser um puta final corta
clima, apesar de engraçado. Há de se definir qual caminho se quer seguir… Mas há um “me mata que eu te mato” final. O anão curioso segue o vilão, por qual motivo não se sabe, até ter o pé empalado por uma espada. A luta recomeça para durar alguns segundos onde o, ainda e por um pouco mais, rei sob a montanha abre sua guarda para poder achar a do adversário.  Thorin mostra que prefere
ficar por cima vencendo a luta a um alto custo. Bilbo encontra o corpo dele e há uma bonita cena que vale o ingresso.

 Amizade, uma bela lição ainda que no filme até não se mostrou tanto assim esse laço entre eles dando mais foco nesse último filme. Mas tudo bem, sabemos em nosso interior o que rolou.
Assim terminado tudo que havia para ver sobre a guerra (um detalhe importante: Thorin antes de morrer vê lá do alto que as águias, sempre as águias, chegaram e estão virando o jogo ou seja ele viu que morreria vitorioso) pulamos (achei meio preguiçosa a edição do filme)  para onde os anões estão agradecendo Bilbo e isso é de
partir o coração. Despedaçados pela perda de seus companheiros a companhia que restara agora
liderada por Balin agradece o seu ladrão favorito. Então vemos Gandalf e Bilbo
fumando um cachimbinho que traz de volta o início de tudo. Achei meio forçado
as cenas finais no Condado, mas entendi que era pro hobbit dizer o que ele
sentia a respeito do antigo rei sob a montanha e o que ele era do Thorin: Amigo.

Bom, apesar de todas essas críticas que muitos vão odiar ler
eu levo boas memórias da jornada até a Montanha Solitária e a volta para o
Condado. Sim, inclusive o terceiro filme começou mal por não ter mantido o nome
“Lá e de volta outra vez” como a bonita frase do livro. Decisão de cúpula da Warner. Queriam
mais dinheiro. Assim como há boatos de que haverá muitas cenas pós-crédito.
Sei que assim foi feito com cada filme, mas quem paga pra ir no cinema paga pra
ver o filme completo. Guardando partes boas que compõe a história para ganhar
uma mascada no DVD é tapeação. Como em Thor 2 que a segunda cena pós-crédito
mostrava um beijo do nórdico com sua amada Jane Foster, coisa que acho que só
eu vi na sessão porque todo mundo havia ido embora. Mas era parte do filme… Em
épocas de DLC, Alphas, cenas inéditas em box caros… Acho que isso é um pouco de
tirar o telespectador (ou “cinemespectador”, huhu) pra trouxa.
Como a Marcela me confidenciou quando ela leu o livro do
Hobbit os anões não foram tão bem trabalhados como podem ser em 3 filmes com
atores, etc… e que a trilogia deixa muita saudades do Thorin, Bilbo e amigos.
Que esse é o verdadeiro trunfo. Passamos três anos acompanhando essa baita
viagem tanto fictícia quanto emocional e chegamos a conclusão de que mesmo com
tantas coisas que desagradam não há nada tão bom quanto revisitar a Terra
Média e nossos bons, velhos e queridos amigos. Bom filme. Ótimo filme, huhu…

Toma Rumo Guri!!
imagens: Google imagens e  Day Montenegro.

A Batalha dos Cinco Exércitos – Por Marcela Bezerra

   
OBS.: contém uma caralhada de spoilers. Leia por sua conta e risco.

   E então, o final chegou. O final de uma saga de três filmes, que de início me fez pensar que era “uma cilada, Bino”. Acredito que muitos pensaram desta forma e ficaram apreensivos, afinal, um livro que nem era realmente grosso renderia roteiro para TRÊS filmes? Antes de deixar minhas impressões, gostaria de dizer que nunca fui super fã de Tolkien, daqueles que sabem suas obras de trás pra frente, tudo sobre sua vida, etc. Na verdade, até 2011 eu não curtia nada dele, com base na péssima experiência de leitura que tive com SdA anos antes. Orgulhosa como sempre fui, não permiti pensar que a leitura foi ruim por não entender diversas passagens, e sim que a história estava mal escrita, que ele era um drogado/pirado e o que mais tivesse passado pela minha cabeça à época. Isso não me impediu de respeitar e até mesmo admirar o fascínio que meu melhor amigo possuía por ele e seu universo. Tanto que o presenteei com as principais obras em 2010. Um ano depois, resolvi pegar O Hobbit na estante dele e ver se poderia desfazer minhas impressões. O mundo mudou a partir daquele instante…
   Conhecer a Terra Média foi algo mágico, abriu minha mente, me fez desejar ser um elfo (e eu pensando que elfos eram tipo os do Harry Potter)… bom, quem nunca quis ser uma criatura deste universo que atire a primeira pedra. A leitura foi tão boa que depois li SdA. E amei. Acho que foi melhor do que se tivesse gostado de cara, naquela primeira vez.
Em 2012, finalzinho, veio o primeiro filme d’O Hobbit. E eu com aquela cara de “vem merda por aí”. Achei o primeiro filme até bem fiel, estranhei um pouco alguns anões… bem, eu fazia uma ideia diferente de como eles eram, o Fili e o Kili por exemplo, eles nem tinham cara de anões, até imaginava eles meio crianças na história. Fiquei boiando com aquela aparição do Frodo, mas depois que entendi achei genial. Um ano depois, voltamos a nos ver e lá fui eu criticar: mas que droga de personagem é essa Tauriel? Ela nem está na história e ainda por cima chega pra fazer triângulo amoroso com um anão que não parece um anão e o Legolas, que também não tá nessa história! Entre outras coisinhas. Porém, tinha uma coisa esplêndida acontecendo. O relacionamento entre todos, que até é bem superficial no livro (ele não é um livro denso, já disse), estava sendo explorado de uma forma muito bonita, principalmente entre Bilbo e Thorin. Aquela amizade acertou em cheio meu coração. Além disso, Smaug não poderia estar mais perfeito e assustador. O final deixou todos aflitos pelo último filme, e tivemos que esperar mais um ano.
   Mesmo ansiosa pelo desfecho, contando dias, quando chegou a hora de assistir confesso que fiquei com um aperto de saudade antecipado. Porém, de uma coisa tinha certeza absoluta: o filme não me pegaria de surpresa, já sabia tudo que iria acontecer, nada me afetaria. Nossa, como estava enganada…
  O filme começa exatamente de onde parou o segundo. Vemos Smaug estraçalhando toda a cidade, e então Bard aparece para salvar a todos. Confesso que esse destaque que deram ao personagem ficou muito bom, foi super bem explorado. Gostei bastante. Destaque incrível também dado à “doença” de Thorin. Podemos vê-lo enlouquecer gradativamente, preocupando seriamente seus companheiros anões e Bilbo. Nesse meio tempo, o Gandalf tá para virar comida de Orc, quando Galadriel e sua turma aparece para salva-lo. Se aqui eu já achei forçado, imagina como fiquei depois! Tudo bem, entendo que Jackson precisava dar grandes emoções ao filme, mas rélou, a história não era essa. Incluir uma personagem nada a ver com nada já foi esquisito, aquilo ali foi no mínimo desnecessário. Cena ficou legal? Ficou, mas não curti ela inserida no filme, apesar de saber que ela tinha um propósito maior.
   A guerra foi bem destacada também, muito mais do que eu esperava. Engraçado é que enquanto via o filme, ficava pensando no tipo de missão eles colocariam na última parte do jogo lego! E as baixas começaram a aparecer. Foi um choque e tanto quando o Fili morre, porque de verdade, não tava esperando naquele momento. Dei um gritinho no cinema e caí num choro muito sentido. Logo depois, Kili não demora a ter o mesmo destino. Nesse momento, apesar de muito triste, estava tendo um troço já, para entender logo qual era a da Tauriel. Tava quase acreditando que era a mãe perdida do coitado, quando ela beija o cadáver. Acho que preferia que ela fosse a mãe perdida, no fim das contas… Achei a batalha entre Thorin e Azog simplesmente épica, e apesar de saber o destino de Thorin, fiquei arrasada, completamente arrasada. A despedida do Bilbo então, nossa. Achei que nunca mais fosse parar de chorar. Como disse anteriormente, a amizade entre esses dois foi explorada de uma forma muito bonita e verdadeira.
   No final do filme, podemos entender de forma bem clara o que Jackson quis fazer desde o início, inserindo personagens que originalmente não estão na história: tudo se encaixa para dar início à jornada de destruição do Anel, embora os personagens não soubessem disso ainda. E quando voltamos aos “dias atuais”, com o Bilbo já velho, vemos que aquilo se passa exatamente em seu aniversário. Porém, o mais importante não foi essa poderosa ligação entre os filmes que Jackson criou, e sim o que ele fez com os personagens. Foram tão bem explorados, ficaram tão conhecidos nossos, que passaram a fazer parte de nossa vida e ser nossos amigos. Impossível não sentir uma saudade imensa, já na hora em que os créditos sobem.