TRG Reviews: Cavaleiros do Zodíaco – A Lenda do Santuário

 

Você certamente já tem uma opinião formada sobre o filme que reconta uma das sagas principais dos cavaleiros de bronze mesmo que ainda não tenha ido ao cinema assisti-lo. Centenas de declarações de ódio tem abundado nos principais canais de comunicação e redes sociais e isso com certeza vai cortar as asas de um Pegasus e transformá-lo em um simples pangaré. Fãs enraivecidos tem rasgado suas revistinhas Herói com a Saori Kido na capa e atirado seus bonequinhos da Bandai (“Porque os verdaaaaadeiros cavaleiros do zodíaco são da Bandaaaaaai”) e estão gritando aos quatro ventos dos picos antigos que aquilo é tudo menos uma adaptação de Saint Seiya.

Foto dos clássicos para tirar o gosto ruim da boca…

Bom, primeiramente uma rápida contextualização: CDZ foi o primeiro anime (consciente do que era pelo menos) que eu assisti daquela leva que a Manchete traria na onda do sucesso dos santos de bronze. A febre foi tanta que a emissora da Bloch importou da terra do sol nascente várias “cópias” de armaduras como Samurai Warriors e Shurato. Demorou até que a rede percebesse que o segredo de Seiya e amigos não eram apenas um bando de armaduras caricatas, mas sim uma mensagem de amixade, determinação e porradaria com nexo. Disso veio Yuyu Hakushô. Eu lembro nitidamente que trocando de canal parei na Manchete ao ver um desenho onde um loiro de olhos gigantes lutava fazendo passos de ballet contra um sujeito bizarro com os olhos afundados. Era Hyoga de Cisne que ao aplicar o seu Pó de Diamante e vencer seu adversário usando uma boa dose de sua frieza e desdém habituais marcaria o início de uma paixão por um simples anime. Sim, comprei bonecos, tenho quase todas revistinhas já citada (Herói maldita com seus spoilers malditos) e discutia ferozmente que o meu personagem favorito, o pupilo de Kamus, não havia morrido para o vilão oriundo das profundezas de um vulcão da Ilha da Morte. No fim não morreu mesmo graças a um talismã dado por sua mãe, mas a história pára por aqui. Sem querer parecer hipster, mas acompanho os cavaleiros de bronze há muito tempo e acompanhei toda as sagas dos protegidos de Saori da Guerra Galática até Poseidon em um loop de repetições de pacotes de episódios que a Manchete comprava aos pouquinhos. Sim, Hades só veio depois, nem tinha sido produzido. No máximo um cdzinho com Pandora trocando um papo com Ikki.

Finalmente Seiya de 4 com sua armadura galopante

Por eu conhecer Cavaleiros muito bem e por ser um resenhista de filmes que posso falar com toda certeza: Não posso analisar esse filme. Cuma?! É, isso mesmo. Ao meu ver esse é um filme infantil. E não a nível de Toy Story, Procurando Nemo, Tá Chovendo Hamburguer, pois mesmo esses você poderia achar alguma coisa para se agarrar. Em A Lenda do Santuário (Que de Santuário ficou na lenda mesmo) pra mim exerce a mesma função de A Galinha Pintadinha. É uma animação rasa que é cheio de cores e luzes para deixar suas crianças olhando para a tela fixamente. E quando me refiro a infantil não suponho que você visualize nossa meninice quando assistiamos TV Manchete, mas sim infantes de 3, 4 anos mesmo. E levando por esse ponto de vista o filme é aceitável. Não é bom, é só um “ok” do tipo não é nem de longe a pior coisa já feita. É somente vazio. Roteiro, história, personagens, carisma… Tudo.

Saori ficava melhor com as tranças longas, huhu…

A animação e a modelagem (temos que falar visto que se apostou tanto nesse trunfo do 3D) são muito bonitas em algums partes, mas estranhei que em algumas outras os designers 3D parecem que ficaram na preguiça. A pele da Saori (principalmente a perna) e o casaco do Seiya são de uma textura incrível, mas daí você vê o rosto do Kamus e sente um certo desdém em manter a qualidade. Os gráficos misturam um semblante cartunesco com expressões e visual mais sério, acachapado. Logo no início o que se nota e poderia ter sido um desastre ainda maior foi o jeito totalmente tosco de corte de cenas e principalmente o efeito de luzes pirotécnicos. Queriam mostrar logo cedo ao que viriam, mas esse é um dos erros crassos ao brincar com CG que é achar que quanto mais efeitos, explosões e luzes piscando freneticamente melhor. Ledo engano.

Oi, Aldebaran meu nome é Sey… Alcancei o 7 sentido!!!

 Honestamente não há muito o que se falar do enredo da trama. Além da história das 12 casas ser mega conhecida (e batida o suficiente para não se mexer nela), há o fato de que não há tempo hábil para desenvolver nem 1/12 da saga original. Pode parecer exagero, mas nenhuma das casas de ouro foi desenvolvida com o mínimo de integridade. NENHUMA. Novamente parecem (as cenas) ter sido feitas para pessoas com um grau baixíssimo de rigor e altíssima aceitabilidade de tudo. Todas as lutas seguem essa fórmula: Mocinho fala que vai enfrentar o malfeitor. Vilão fala que mocinho não é páreo para ele por não ter o sétimo sentido desperto, inimigo acerta um único golpe em mocinho e esse mesmo (mocinho!!!) revida com um golpe mortal vindo do alto do desespero dessas duas frases trocadas ao acaso. Sério, é frustrante sequer imaginar que achariam mesmo que alguém aceitaria esse nível de desenvolvimento porco. E acho estranho mesmo se concebido para crianças, pois o Japão não costuma facilitar nem mesmo pra elas.

Seiya dando a dica da faixa etária do filme

Todos os personagens são mal desenvolvidos com exceção do Pocotó de Pegasus. Os outros bronzeados não tem personalidade nenhuma e o Ikki vira algoz de personagem secundário como o figurante número 7 que acerta sabe se lá o que no peito de Saori. Hyoga, Shun e Shiryu são escada pro viadinho do Seiya. Saori em tese aparece até mais que o percursor das camisetas vermelhas para líderes, mas é tão cheia de gritinhos, amuadices e mimimis que chega a ser chata. Não se sabe se ela é determinada ou bundona até o final. Seiya brilha se comparado aos outros, mas isso não é mérito algum. Os cavaleiros dourados são o ponto fraco de algo que já não é lá essas coisas. Além de personagens desvirtuados como uma mulher na casa de Escorpião, Afrodite que ninguém sabe nem como é sua voz e um Máscara da Morte que é a síntese de meu argumento já que ele encena, sapateia e, sim meu amigo, ELE CANTA! Tudo típico de uma corruptela da Disney. Muito mal feito e embaraçoso. O engraçado é que tinha bastante adultos e de casalzinhos na sessão.

Touro e Mu. Sacaram a ironia bovinal? =Pp

No fim das contas acho que todo mundo levou na piada tudo e apesar de pouca risada ser audível era nítido o risinho forçado do tipo “ah eles optaram em fazer assim então. Interessante!”, porém com certeza todos estavam um pouco envergonhados de terem sido pegos em um filme com a classificação etária errada para eles. Ah, como eu dizia dos cavaleiros de ouro eles iam sendo embolados uns com os outros Shaka indo na casa de leão, Mu na de touro, a garota-escorpiã sendo anfitriã de Shura de Capricórnio fazendo ter muito personagem para pouca função. Saga me lembrou o último episódio de Changemans onde o vilão Gozma era um planeta, kkkkkkk. Dica: Se puder corra do cinema gritando bem alto ao tapar os ouvidos na parte do Colossus, kkkkk.

Esse é o calaleiro de Pegasus. Acho…

Nem discutirei o design das armaduras, visto que é a última coisa que valeria ser abordada depois de tudo isso. Apesar de não serem esteticamente bonitas, pelo menos acaba com o argumento de que as tiaras das donzelas de Athena não protegeriam nada. O problema é que é difícil saber quem é quem.
Sinceramente se não soubessemos que eram os ícones de nossa infância e fosse vendido como um filme qualquer o valor sentimental desse filme seria zero. Não há empatia, não há nenhuma emoção, não há diversão franca. O que sustentou suportarmos a tortura de assistir um filme para crianças (de 1h30min, pequeno para os padrões de hoje em dia) pequenas foi o fato de completarmos as lacunas com nosso know how de CDZ e com certeza de muitas vozes originais dubladas por esses talentosos artistas tupiniquim. Nosso Saga deve estar com uns 80 anos, mas sua voz ainda é firme e vigorosa e o Seiya, Ikki, Shiryu e o Hyoga  mantem a qualidade do anime mesmo o timbre valendo mais que a própria animação.

Comédia estilo Zorra. Difícil rir assim. Saori pagando de Bulma, mas sem os peitões. =Pp

Poderia falar ainda muito mais, mas acho desperdício. Como disse antes não é o pior filme do mundo (ainda mais falando de animações 3D que tirando a Pixar, DreamWorks e a ESMA não costumam dar importância relevante para o argumento da trama) e se fosse um filme de sessão da tarde você iria assistir por curiosidade com seu sobrinho com capacidade inteligível baixa e daria risada de quão tosco é a produção. Só que ao mesmo tempo é um filme confuso e talvez beirando a violência o que não seria adequado para eles. Talvez como disse seria ideal para criaturas que se entretém com luzes e brilho do monitor. Talvez um cachorro. Nem, seria maldade com o melhor amigo do homem, huhu…
Tá, se você não gosta de Saint Seiya porque não acontece nada e os personagens são paradões ou por qualquer outro motivo não assista a esse filme. Se você é fã confesso vá ver com a simples curiosidade de ver o que essa geração vai herdar deles. Mas vá sozinho, compre um combo gigante de pipoca e Coca-Cola e não vá em um fim de semana. Não torre um finde para isso. Pegue uma quarta, sei lá eu. E leve na esportiva que aí talvez saia uma experiência tranquila. Uma pena, tão dominantes do sétimo sentido e não chegaram nem perto de aprender a dominar a sétima arte.

Seiya tá puto com a crítica…

Ps. O cosmo virou o sexto sentido. Puta que pariu, intuição = cosmo.

Toma Rumo Guri!!