Isolados

Antes de mais nada um aviso: Essa é uma resenha sobre um filme NACIONAL. Isso mesmo, N-A-C-I-O-Nal =Pp
É engraçado falar isso já que por mais que surjam uma ou outra pessoa defendendo a 7ª arte brasileira a maioria das pessoas já torce mesmo o nariz para produções tupiniquins, mas o fato é que quando eu pedi o ingresso para esse filme o atendente do cinema fez essa mesma indagação que eu citei. Ele falou: Você sabe que esse filme é nacional, certo? Do tipo “por sua conta e risco”. Eu sabia, fui sabendo do risco que eu corria.

Isolados conta a história de um casal desajustado (ele um psiquiatra, ela uma pintora) que sobem a serra fluminense para ter um tempo de descanso, só que rumores de bandidos violentos tira a paz do médico que em uma extrema e não compreensível babaquice resolve não contar nada para sua parceira. E o filme é praticamente isso. O casal em um frenético modo de sobrevivência. Pelo menos é isso que dá pra falar do filme sem dar um baita spoiler.
Tentando ser justo o filme aborda um caminho diferente do que os projetos brasileiros têm tomado. Ao invés do viés da comédia que sabe-se por que é uma receita fácil de sucesso nos cinemas brazucas, esse filme encabeçado por atores globais aposta em uma trama voltada para o suspense/um pouco de terror o que não é muito comum de se ver nas produções nacionais.

Falando um pouco mais a fundo sobre a trama ela é confusa mesmo e até um pouco mal estruturada. Embora muitas pistas do quebra-cabeça sejam deixadas a mostra durante o decorrer do filme, dá pra notar que as pontas não foram bem amarradas, na verdade há pontas do lençol do roteiro balançando estendido em um temporal de ideias mal captadas. Mas então o filme é ruim? Um pouco. Há um excesso de lirismo talvez tentando dar um ar de filme europeu e se perdendo em imagens estáticas. Uma torneira escorrendo por uns 15 segundos explica o que quero ilustrar. 5 segundos seriam o bastante para dar entender algo, mas o preciosismo acaba tirando esse brilho e tornando-o banal. Outra coisa é que de fato o filme se torna muito maçante em muitos pedaços. Porém o filme consegue trazer uma preocupação pelos personagens, ainda que você não se importe realmente com eles. Não quer que morram já que o perigo parece rondar. É como se despertasse nossa empatia, mas não simpatia. Não morram, espero que saiam vivos, mas rápido, okay? Mais ou menos assim.
Não dá pra entender o problema real da dupla por mais que alguns flashbacks se apresentem. Vcoê parte do zero e assim continua. Também é impossível saber o porquê da personagem do Bruno ser tão extremamente estúpido. Toda idiotice atrai um destino pesado, não dá pra chorar um leite derramado por negligência de fechar a tampa. É esquisito. Você quase acha que eles mereceram estar na situação que estão.
Não gostei também do final que remete a uma das lendas urbanas mais famosas de todas. Pareceu clichê demais. Um caminho fácil para um roteiro pretensioso. Sem querer dar dica, mas esse tipo de plot dá uma sensação de tempo perdido.

Sobre os atores creio que a escolha do Bruno Gagliasso para tal papel não tenha sido acertada, pois por mais que a personagem dele talvez fosse focada em uma certa apatia é difícil distinguir o quanto vemos da tal dita apatia e o quanto realmente é apenas uma interpretação desacertada. Mesmo nas partes de explosões emocionais não conseguiu me convencer de muita coisa. Regiane Alves está mais a vontade no seu papel. Temos inclusive a presença do agora defunto José Wilker, uma boa surpresa para quem achava que não iria mais ver sua interpretação em uma obra inédita. Isso mostra um pouco também o quanto demora para um produto nacional que não é mainstream sair dos rascunhos.
Ao término do filme conversei rapidamente com um casal e um rapaz que comigo eram o público total da sessão. Também falei com um lanterninha que me disse que muitos saem desse filme sentindo-se enganados. Mas o pessoal que assistiu comigo elogiou-o a ponto de dizer que nem parecia produção daqui, não pelos efeitos, mas pelo estilo suspense da história. Fato é que é uma película que causa uma certa confusão nos sentidos e que apesar de um final insosso vai durante o percorrer da sessão lhe trazendo sentimentos antagônicos, mas ao menos vai cumprir sua missão como filme: De alguma forma mexer com você. Para o bem, ou para o mal.

Toma Rumo Guri!!