Chaves Morreu.

Pipipipi…
É com o choro do Chavinho que me despeço de uma das figuras que mais impactaram minha vida, de um ser iluminado que sabia espremer genialidade de cenas simples e aparentemente toscas. Bobas, diriam alguns.Mas que acompanharam nossa infância e adolescência ( por que não vida adulta?) e introduziram no nosso dia a dia frases e bordões que jamais morrerão ao contrário da vida humana que é ínfima e frágil e que não sabe diferenciar os bons dos maus, muito menos aquelas pessoas que vieram de fábrica com uma luz que não apaga.
Peço desculpa pela chamada, mas essa frase inúmeras vezes foi veiculada através de boatos pela internet. E como queria que continuasse sendo só isso. Mas dessa vez nosso astro parte (como um aerolito) para o desfecho de sua obra mais importante: Sua vida.
Nascido em 1929 ele é apenas um ano mais velho que o Mickey Mouse e no Brasil muito mais conhecido e adorado. O mexicano que leva como alcunha uma corruptela do nome do escritor mais conhecido do mundo cativou muitas gerações que por uma inexplicável empatia viverá para sempre nos corações amarelos que ostentam um enorme CH. Chesperito leva uma vantagem sobre Shakespeare. Ele foi uma lenda que pudemos ver. Sabemos que tudo que escreveu realmente é dele. Não aparecerá ninguém tentando nos convencer de que ele é uma invenção e seus escritos são a coletânea de muitos escritores. Não, nós tivemos a honra de sermos contemporâneos de Roberto Gómez Bolaños.
Criou muitos personagens, mas os mais conhecidos eram duas pessoas de personalidades ímpares nesse mundo e que facilmente se confundem com uma realidade bizarra tamanho o grau de incorporação em nossa cultura dita pop:
CHAVES – O garotinho pobre, mas de bom coração que vivia em encrencas graça a seu modo atrapalhado de ver o mundo. Um menino sem nome que habitava em um barril enquanto não estava na casa número 8. Que dividia seus sanduíches roubados de festa com o Seu Madruga, que gostava de brincar de carrinhos (que na verdade era uma caixinha de sapato) no meio da terra e que sonhava em ter uma plantação de carambolas que lhe deixariam rico o suficiente para trocar todo o dinheiro adquirido por um sanduíche de presunto.
Chapolin – Um herói humano. Não do sentido terrestre, mas do sentido de homem com suas falhas e virtudes. Cheio de boa vontade, mas também de covardia. Um herói real que transparece a sinceridade pura das pessoas. Ele e suas anteninhas, sua marreta biônica e seu escudo em forma de coração (com aquela musiquinha da hora) enfrentavam qualquer perigo desde que pudesse dar com os sebos nas canelas caso fosse necessário. Era feio pra caramba, mas o que importava é que tinha saúde.
Morreu em sua casa em Cancún e por mais que sua causa ainda não tenha sido veiculada há tempos que sua saúde era frágil e débil devendo sua respiração à aparelhos. Finalmente seu organismo fechou a conta e deixou ele descansar colhendo o descanso merecido por seu trabalho excessivo. Ele nunca parou de escrever. Até os últimos anos continuava com sua paixão pelas letras e pelas pessoas.
Lamento ter que dizer que deixei passar a chance de lhe conhecer.
Foi sem querer querendo que a vida lhe colocou em nossos caminhos, Roberto, graças a uma aposta do Silvio Santos em colocar no ar um enlatado mexicano mal feito que veio de brinde com algumas novelas da Televisa, mas não foi sem querer querendo que você conquistou nosso coração. Vá com Deus e saiba que continuaremos assistindo para sempre em loop seus programas e repetindo suas gags e sabendo as falas de cor, rindo, e para sempre lhe acompanharemos pois você nos ensinou bem a lição de que os bons devem lhe seguir. Adeus amigo de alegrias, aliás… até logo, pois não diremos adeus jamais.
Não contavam com sua astúcia. Essa homenagem não ficou uma “nossa mas que homenageeeem lindaaaa, mas foi…”, kkkkkk. Até aqui fica o legado de suas piadas.
O mundo ficou mais triste. Mais sem graça. Risos apenas ecoam como uma claquete no fundo de um de seus programas.
E agora quem poderá nos defender?

prometemos despedirmos
sem dizer adeus jamais
Pois haveremos de nos reunirmos
muitas vezes mais… Nas adoradas reprises.

Toma Rumo Guri!!