Papo Nerd – Anão Hreidmar e a origem de o Hobbit(?)

E aí, galera? Beleza de Creuza? Rsrs.

Essa semana nem tem muita coisa para discutir. É fim de ano e as notícias nerds rareiam. Mesmo assim vim dividir com vocês um conto de um livro que estou lendo que me lembrou muito o Hobbit de Tolkien. É sabido que o mestre dos escritores medievais bebeu da mitologia nórdica com muito gosto como se fosse um chifre de hidromel, porém cada vez que você mais se aprofunda no conhecimento do panteão de deuses da Escandinava mais você nota a importância e as peças para toda essa literatura criada que temos da Terra-Média. Inclusive, baseada em Midgard, um dos 9 mundos.

Mas como disse me chamou a atenção a história do anão Hreidmar que em certa feita recebeu em sua casa como hóspedes nada menos que Odin, Loki e Honir. Só que o deus brincalhão (Às vezes confundido com maldoso) vestia a pele de uma lontra (algumas versões trazem fuinha, outras doninha) que pela manhã ele havia matado com uma pedrada na beira de um riacho e vestido sua pele como casaco. Só o que ele não poderia saber é que o tal bichinho abatido era filho (que pescava metamorfoseado) desse velho senhor anão que ao ver sua prole abatida e sem vida apontou suas armas (e a de seus outros 2 filhos: Fafninr e Regin) para as entidades e ameaçou-lhes a vida. Odin mandou que Loki desse seu jeito, afinal se comoveu do pobre anão e já que ele só bebia o néctar dos deuses era fácil apontar o dedo, e o trapaceiro comprometeu-se de ir até os reinos dos anões arranjar ouro o suficiente para forrar o couro da lontra morta por completo.
Loki enfrentou frio e fome e quando chegou ao seu destino resolveu parar para tentar apanhar comida. Nisso capturou um peixe que muito se debatia. Ao tentar empalá-lo com uma lança o bicho falou. Era mais um anão com seu truque de pesca, esse tentava fazer amizade com os nadadores, por certo, haha.
Então Loki lhe impôs a condição de que só o libertaria em troca de uma quantidade enorme de ouro. O anão que era o mais rico de todos, graças a um artefato, sem saída alguma topou o acordo. O deus forrou um carrinho de mão improvisado e encheu com muitas moedas de ouro. MUITAS MESMO. Tanto que a casa do anão ficou mais espaçosa a ponto de enxergar um quadro que lhe lembrava que tesouro algum faria ele deixar-se dominar pelo ouro. Loki também levou um anel, o Andvari, que continha uma maldição, apesar de ter o poder de encontrar mais ouro.
Loki deu para Odin o anel e o resto do tesouro para o pai do anão morto ao regressar para a casa de Hreidmar. Odin ficou impressionado com aquele artefato tão reluzente, mas o anão exigiu o anel para quitar totalmente a dívida provocada pelos deuses. Sem saída o líder do panteão nórdico se desfez do item. Ao irem embora os filhos do anão começaram a desejar o anel tanto quanto o pai que os expulsava da sala para contar o ouro em três partes. Ninguém mais lembrava de Ótr morto. Fafninr tomado pelo desejo mata seu pai e foge com a carroça de ouro no qual a peça de mais importância para ele é o tal anel. Anos depois o irmão descobre que Fafninr havia se transformado em um dragão que vigiava seu incontável tesouro.
Esse anel tem mais aparições na história intitulada O Anel de Níbelungo do qual certamente Tolkien inspirou o seu Um-Anel, porém nesse pequeno conto eu identifico bastante o próprio livro do Hobbit no qual Hreidmar assim como Thorin é tomado pela ganância (ainda que no livro de Tolkien o rei sob a montanha tenha seus direitos legítimos) e o seu filho com toda certeza tenha sido a primeira encarnação de Smaug na literatura através desse mito. Com certeza Tolkien é genial porque bebia em uma fonte que não ficava atrás na qualidade dos enredos ainda que sem regra muito rígida e nem sempre bem trabalhada na sua escrita. Porém as histórias são muito bem feitas, a maioria, e são embasadas em muito humor embora haja uma certa desconfiança no resgate por um cristão. Enfim, essa é outra história e farei uma resenha do livro por completo depois.
Bom, por hoje era só. Desejo a todos um bom natal (com ênfase nas coisas bonitas e no seu significado) e uma excelente entrada de ano.

Toma Rumo Guri!!

Versão Brasileira TRG – Especial de Natal Marvel

Thanos tem um plano para adentrar o castelo do líder dos Inumanos, Raio Negro: Se fantasiando de Papai Noel. Porém ele vai descobrir o ônus de bancar o bom velhinho. Fiquem com o Versão Brasileira, nossa nova coluna que vai traduzir as melhores produções gringas da internet. Então assistam agora essa engraçada história natalina da Marvel. Pois é, Thanos tá na moda… =Pp

Feliz natal, galera. Sãos os votos do TRG. E um conselho: Jamais peguem o Thor no colo. O.o

Toma Rumo Guri!!

{Resenha] Nosferatu – Joe Hill

   HOHOHO!! Mamãe Noel aqui veio deixar um maravilhoso presente para vocês. Hoje, noite natalina, iremos conhecer um lugar magnífico, chamado Terra do Natal. Por favor, sigam-me até o Rolls-Royce de Charlie Manx e vamos nos divertir muito! =)
capaTítulo Original: Nosferatu
Autor: Joe Hill
Tradução: Fernanda Abreu
Gênero: Terror
Páginas: 624
Lançamento no Brasil: 08/07/2014
Sinopse Oficial: Victoria McQueen tem um misterioso dom: por meio de uma ponte no bosque perto de sua casa, ela consegue chegar de bicicleta a qualquer lugar no mundo e encontrar coisas perdidas. Vic mantém segredo sobre essa sua estranha capacidade, pois sabe que ninguém acreditaria. Ela própria não entende muito bem. Charles Talent Manx também tem um dom especial. Seu Rolls-Royce lhe permite levar crianças para passear por vias ocultas que conduzem a um tenebroso parque de diversões: a Terra do Natal. A viagem pela autoestrada da perversa imaginação de Charlie transforma seus preciosos passageiros, deixando-os tão aterrorizantes quanto seu aparente benfeitor. E chega então o dia em que Vic sai atrás de encrenca… e acaba encontrando Charlie. Mas isso faz muito tempo e Vic, a única criança que já conseguiu escapar, agora é uma adulta que tenta desesperadamente esquecer o que passou. Porém, Charlie Manx só vai descansar quando tiver conseguido se vingar. E ele está atrás de algo muito especial para Vic. Perturbador, fascinante e repleto de reviravoltas carregadas de emoção, a obra-prima fantasmagórica e cruelmente brincalhona de Hill é uma viagem alucinante ao mundo do terror.
   Ok, antes de começar, permitam-me extravasar um pouco da minha admiração: GENIAL! CARA, EU TE AMO!! Acabou com todos os meus natais, mas valeu cada página, cada letra, meu Deus, que leitura sensacional. Hum, hum… agora já posso ser séria! Fazia muito, mas muito tempo que eu não lia um livro de terror, realmente de terror. Uma frase que costumo usar com frequência dentro desse assunto é: um escritor realmente fez um livro de terror quando este te faz se cagar de medo. Sério gente, Hill acertou em cheio nessa obra, que ultrapassou todos os limites do pavor. Provei um pouquinho dessa sensação ao ler A Estrada da Noite, mas nada pode se comparar. A começar pelas ilustrações. Diferentemente do seu primeiro romance, Hill nos presenteou com verdadeiras obras-primas descritivas de sua história. Se você não conseguir ficar realmente apavorado com a escrita, acredito piamente que as imagens darão um jeitinho em você!
Nosso querido e amistoso Sr. Manx. Não é a bondade em pessoa?
Nosso querido e amistoso Sr. Manx. Não é a bondade em pessoa?
   Além da escrita assustadora em si, percebi vários traços peculiares, como o fato de Joe abordar o tema do alcoolismo e drogas. De um jeito que me lembrou seu pai. Às vezes acho que ele é uma versão de SK mais atualizada. Alguns personagens estão sob os holofotes, não apenas Vic e Manx. Bing, que me dá nos nervos de tão patético que ele é, Maggie, a bibliotecária mais fodona que eu já conheci, Lou… aliás, ou estou muito enganada, ou Lou foi inspirado em ninguém menos que Hugo Reyes, o Hurley de Lost. Podem ler e tirar suas conclusões, quem for fã de Lost verá essa ligação. Espero que um dia, não muito distante, eu mesma possa perguntar ao criador dessa história. Ah, ainda tem o filho dela, o BRUCE WAYNE. Cara, esse livro é foda sob muitos aspectos! Os dois personagens principais possuem um talento para viajar pela mente, criando lugares impressionantes. O de Vic, O Atalho, permite que ela vá para qualquer lugar em que estiver pensando, com o objetivo de encontrar algo que está perdido. Não tardamos a descobrir que quando ela procura encrenca, O Atalho vai dar logo na residência do encantador Sr. Manx.
O Atalho
O Atalho
Já a mente de Charlie o leva pela estrada a um local que é uma espécie de parque de diversões natalino: lá todo o dia é Natal, as crianças o adoram! Bem, se dermos uma olhada com atenção nas crianças, veremos que elas não são exatamente bonitinhas e fofinhas. Na real, toda vez que penso nelas me lembro do Venom. Bom, lendo vocês vão ter uma ideia do que tô dizendo… Aí vão umas imagens da Terra do Natal, o mapa para se chegar lá e um encantador desenho que Millie Manx (moradora da Terra do Natal) fez para seu papai.
A Lua que banha a Terra do Natal
A Lua que banha a Terra do Natal
A Millie é artista...
A Millie é artista…
Mapa curioso, não?!
Mapa curioso, não?!
A Terra do Natal
A Terra do Natal
    Por falar nesse mapa, sabemos algumas coisas a seu respeito. Joe Hill construiu uma ponte de ligação entre todas as suas histórias, de uma maneira muito interessante. E uma coisa que Manx fala para Bing me deixa chocada!
   SPOILER
   O Verdadeiro Nó é mencionado! Tá é daí? Daí que esse romance foi escrito antes de Doctor Sleep, e Manx foi bem realista em relação ao grupo de Rosie, a Cartola. Fiquei encucada se King usou isso na cara dura, se essa parte de Nosferatu foi ideia dele… bah, teorias surgem! Por algum motivo, fiquei desgostosa com a ideia de King usando personagens do filho, não sei a razão.
Enfim, o livro é excelente sob muitos aspectos como já disse anteriormente. É divertido, Manx pode ter bastante senso de humor. Fiquei chateada com o desfecho da Vic. Acho que esse foi o único ponto negativo pra mim. E claro, acredito que as capas originais podiam ter sido mantidas, elas são bem mais legais. Então é isso, LEIAM, aproveitem cada página! Fique com mais algumas imagens e Feliz Natal!!
capa gringa
Uma das capas gringas

Amei essa capa!
Amei essa capa!

O Hobbit – A Batalha dos Cinco Exércitos – por Saul Junior

“Em um buraco no chão vivia um Hobbit”.
 Assim começou a saga
de uma criatura diminuta que acompanhada de um mago e de uma companhia de anões
subiriam até a Montanha Solitária para recuperar seu lar de um terrível dragão.
Para alegria de muitos (e tristeza de Christopher Tolkien) em dezembro de 2014
foi lançado o ultimo pedaço da adaptação em três partes daquele pequeno
livrinho (sem qualquer conotação no emprego do diminuitivo) para o grande ecrã
onde Peter Jackson nos brindou com muitas coisas boas e algumas odiosas. Não,
não falo apenas da Tauriel. =Pp
Se você não viu o filme saiba que vale muito a pena vê-lo. É
sempre legal, usando o mais simples dos adjetivos, ver a Terra Média
representada em qualquer mídia que for. A versão cinematográfica da obra de Tolkien
dura um pouco mais que duas horas (fugindo a regras dos mais longos anteriormente) e tenta agradar a todos. Tem uma Guerra
pipocando, lutas épicas, tem comédia escrachada, tem ação, tem romance (ainda
que confuso) e assim vai até o fim. Há também as lindas tomadas da Nova
Zelândia caracterizadas para dar vida ao Condado e outros lugares desse mágico
lugar. O roteiro não me agradou da maneira como conduziu as cenas, como foi
feito os cortes e achei que muita coisa foi jogada, mas nada que
comprometa a jornada que Peter Jackson propôs dando vida aquele bando folgado
de anões (hehe) e seu ladrãozinho contratado. Pode ir na fé que é diversão para
você, namorada, papagaio e o que for. Mesmo como fã, a menos que você seja um
xiíta brabo de Mordor ou um purista, você vai gostar de muitas cenas. Não posso deixar de ser
sincero e apontar vários “solavancos” não tão raros no filme que te fazem
cortar um pouco o embalo e te tirar daquela imersão. Esse é um resumo. Agora
quero deixar meu lado nerd comentar o filme às veras…
Update: Vi o filme uma segunda vez e desliguei totalmente o modo crítica, ignorando vários filtros, e o filme é mesmo mais divertido quando você se deixa levar pela empolgação e pelo modo Coca-Cola, Pipoca e vibração, haha…
Bom, se você não viu o filme e não quer spoilers, ainda que
alguns sem importância, pare por aqui. Eu avisei.
Antes de começar a tecer meus comentários sobre o filme
quero dizer que fiquei 10 minutos na fila para comprar a pipoca mais intragável
que comi em minha vida. Puta que pariu, Cinema Itaú  do Bourbon Country, vão se catar com esses
pedaços de isopor que vocês chamam de pipoca. A pior de toda Porto Alegre…
Update: Essa segunda vez fui ver no Imax do Bourbon Wallig e duas coisas podem ser ditas com certeza: 1) O Imax realmente dá uma força maior para qualquer filme, é um 3D mais vem feito e claro além de excelente sistema de som, teve pedaços de telhas voando que eu me esquivei além de contemplar o focinho do Smaug, o terrível, em terceira dimensão bem na minha frente… 2) Pipoca quentinha e com gosto de… vejam vocês… Pipoca!

Beleza, agora sim, a resenha…

O que eu achei do filme? Embora um misto de emoções
diferentes tenham me assaltado durante um pouco mais de duas horas acredito que
a resposta mais franca seja que achei a película com um roteiro bem fraco e que
se salva pela força dos personagens e pela emoção injetada empregada pelas batalhas que são cheias de ação,
mas muito jogadas ao acaso. Há uma falta de contextualização em muitas das
partes do filme. Cada um terá sua percepção, mas haviam inúmeros fatos que a
todo momento me tiravam do contexto do filme. E não, não vou falar que Tauriel
não é um personagem de O Hobbit (ela está lá, fazer o quê… Resta aceitar e ver
o filme) e que isso ou aquilo não é exatamente igual ao livro.Só é bom manter os olhos em uma frase do próprio Tolkien: ”Os cânones da arte narrativa em qualquer mídia não podem ser completamente diferentes; e o fracasso de filmes ruins com frequência está precisamente no exagero e na intrusão de material injustificado que se deve a não-percepção de onde o núcleo do original se situa.”. Frase sobrescrita por Sergio Ramos em uma boa resenha.
A película começa embalado pela ação entrecortada de um
filme para o outro. Depois daquele enorme troféu imprensa anão de ouro líquido
o Smaug partiu furioso contra a Cidade do Lago. A cena inicial de Smaug tocando
o terror é cheio de efeitos, explosões e destruições. Tudo muito bonito e
trabalhado. Bard consegue se soltar facilmente de sua prisão em uma cena bizarra pra caramba onde o pescoço do Mestre da cidade é mais forte que uma parede de madeira preparada e parte para o seu
momento glorioso: Matar a fera. Praticamente é o trabalho de sua vida.

Muita gente reclamou da balestra de anão já que no livro o
instrumento utilizado era um simples arco, porém esse foi sem dúvida o menor
dos problemas desse pedaço do filme. Não sou daqueles caras chatos que acham
que tudo tem que ser idêntico a obra original literária, afinal, se soubéssemos
o que vai acontecer de cabo a rabo cadê a graça, certo? Porém sou sim a favor
da não desvirtuação de personagens (tipo mudar totalmente seu jeito,
personalidade ou atitudes…) e nem que seja um pouco da factualidade em um filme
de ficção. Um dragão voador que fala pra mim está ok, porém um dragão que
conversa e age como um vilão de desenho animado foi frustrante. Confesso que ao
ler o livro senti uma certa decepção na maneira como Smaug, o tirano, parece
mais o Smaug, a Lagartixa de Cristal. Minha grande esperança era que PJ levasse
a cabo um final mais real e emocionante para o grande réptil antigo. Mais ou
menos como fizeram no O Nevoeiro onde um pequeno ponto a mais (no caso do final)
tornou o filme tão interessante quanto o conto do próprio Stephen King. Porém
como mencionei Smaug ficava soltando frases do tipo “Olha eu vou te matar,
hein”, “Vou mesmo…” e “Quem avisa amigo é…” (óbvio que não exatamente essas)
que poderiam ter dado um resultado mais favorável para a salamandra gigante se
ele simplesmente tivesse voado para cima de Bard e seu filho presos no alto de
uma torre de madeira ou mesmo esbaforido algumas chamas mortais fazendo um
churrasquinho maneiro. Mas não, foi mais digno de Tom e Jerry um discurso até
que Bard usasse o pescocito e ombro de seu filho querido como alavanca para sua
flecha negra atravessar o ponto fraco da vil criatura faladeira. Essa tática do
PJ teve mão dupla, pois é muito surreal usar o filho como arma, mas ao mesmo
tempo dá uma ideia de sacrifício e confiança. “Vira a cabeça mais pra direita
por favor…”. Embora caía no mesmo ponto onde mesmo a ficção precise de algo sólido para se apoiar. Daí Peter Jackson nos dá uma cena foda do Smaug voando
desengonçado até sua língua desenrolar em slow motion em uma agonia pré-morte
onde ele cambaleia para o esquecimento. Essa parte sim foi, como disse,
fodástica. Em Imax ver esse pedaço do filme ganhou uma nova beleza. O dragão era tão real. Fora isso foi legal (menos pro povoado, rsrs) ver um dragão enfurecido rasgando os céus e arruinando uma cidade com todo seu poder. O único adendo é que realmente poderia ter sido mais agradável se o Smaug fosse morto  em batalha e não em um bate-papo. Quando ele morreu, aquela criatura incrível, lamentei em partes por ser um personagem realmente incrível como o são todos os dragões.

Após a morte de Smaug o foco volta para os anões. Os salões
de Erebor podem ser novamente tomados visto que o perigo foi dissipado.
Confesso que foi meio estranho ver a tomada por completo dos salões de tesouro.
Foi meio que Thorin Forever Alone. Senti falta de um Tio Patinhas Mode em
mergulhos nos salões coberto por tesouros. Achei meio oco as cenas deles procurando a Arken Stone. Enquanto o anão-mor é tomado pela
tal “doença do dragão” vemos que Gandalf está apanhando mais que boi bandido em Dol Guldur. Galadriel, Saruman e Elrond chegam para ajudá-lo (Radagast também, rsrs.)
tomando conta da situação.

  Essa cena tem um molde feito para fãs do tipo “Imagina se” ou “quem ganharia…”, mas deixa um pouco mal explicado para quem não é fã, embora nos EUA seja praticamente um livro obrigatório (inveja), quem são aqueles “fantasminhas” embora nossa musa da Middle Earth chegue recitando o poema clássico da contagem de anéis por raça dando a dica.

 A respeito dessa cena (eu sei,
desculpa fazer tantas críticas, rsrs) acho muito vazia mostrando apenas alguns
takes mostrando os caras mais fodas da Terceira Era (e de outras, rsrs) dando um corridão no
Sauron. Mas e depois? O que houve? Sauron aprendeu sua lição e jamais voltará?
Sabemos que não. Há boatos que existe preparado um caminhão de cenas
estendidas, mas… Bem, depois pequeno gafanhoto, depois… Saruman dizendo que iria atrás de Sauron para “detê-lo” até deixa implícito o que aconteceu…

Aproveitar que estou com o queijo e a faca na mão (na verdade a espada élfica e as lembas) e matar
(Não, ainda não é o rei sob a montanha, rsrs) dois plots que pra mim mais afundam
que ajudam o filme. Temos o Alfrid (outro personagem inventado e que segue a linha do Língua de Cobra) que após o Smaug ter caído (e provavelmente
matado-o) em cima do rei (Mestre, na verdade) da Cidade do Lago vemos que Bard toma a iniciativa de
guiá-los até a Montanha Solitária tentando conseguir provisões e dinheiro com
os anões. Porém o uso do personagem é forçado demais. No início você
sente uma certa graça. Mas aí vem a insistência autoral do PJ em mostrar que o cara é
um covarde e em inúmeras cenas você vê sempre a mesma ladainha reforçando o óbvio até culminar na
cena patética e sem graça dele vestido de mulher e apalpando os peitos falsos. Okay, a primeira vez ele escondido
do trabalho como velhinha embaixo de um véu está até aceitável, mas ele
ajeitando o soutien… Nossa. Nem tem o que falar. É tipo a piada do anão pintudo
no Segundo filme. Grosseira. Não combina com a temática do filme, nem remete com a classe da versão literária.
Falando no casal interracial por mais que ache uma perda de
tempo criar um personagem para uma trama que já tem tantos e alguns anões, por
exemplo, passaram batidos em desenvolvimento acho que o pior de tudo nem é o
romance em questão, mas sim que não deu pra sacar o que o Peter Jackson (e/ou o
Guilhermo Del Toro) quiseram passar. Não me venha com essa de fica a livre
interpretação que nesse caso não cola. Veja bem há uma pista de que talvez a
Kate pudesse ser mãe do anão com cara de modelo de cueca. No terceiro filme
muitas coisas batem, pois a elfa diz que andou por aí, tem o significado da
pedra, alguns olhares estranhos. Até a hora que ela beija ele não dá pra ter
certeza de nada. Beijo póstumo, é verdade, necrofilia pegando, haha. Aliás nem depois do ósculo consigo ter total clareza dos
fatos. Ficou uma trama subdesenvolvida. Nem sequer sabemos o que acontece com
ela. Na minha opinião ela deveria ter morrido também. Esses dias vi uma
pergunta em um fórum se ela devia ter ficado com Legolas ou com Kili. Eu acho
que ela deveria ficar com o ostracismo.
Mas nem tudo são horrores. A parte da Guerra dos 5 exércitos
(que dá nome ao filme) é muito boa. PJ se tornou um especialista em elaborar cenas
assim. Batalhas é com ele mesmo.

Cabeças rolam ainda que contidas e disfarçadas por truques para evitar restrições etárias mais rígidas. Boa, mas não sem ressalvas, pois há coisas lá
especialmente para irritar. Os cortes são brutos e as continuações seguem uma
ordem meio aleatória. Noto que o povo leigo ficou viajando em quem seriam os 5
representantes da tal Guerra. Só pra constar: Anões, elfos, humanos, orcs e as
águias. No meio deles apareceram trolls, minhocas gigantes, Beorn em uma aparição
pra lá de legal de 2,5 segundos (hueheue) e por aí vai.

Dáin, o Pé de Ferro é um puta acerto. Ele e os anões sob
seu poder dão toda uma nova vida ao filme. Vejo nesse caso um tipo de comédia
mais adequado a filmes “medievais”. Risos sobre modos trogloditas, haha.
Gandalf até diz que Thorin é o mais sensato da família. Sua montaria, o porco
pulador é um espetáculo a parte. Spoiler: Fiquei muito triste com essas mortes:
O porco e o Alce do Thranduil. ='(

 As estratégias da batalha novamente tem suas falhas. Os
elfos se aproximando de Erebor é fantástico, mas na hora de anões e “fadinhas
da floresta” se juntarem em um mesmo time os anões se protegem com escudos e os
elfos… Saltam por cima como libélulas livres para alçar vôo. Poxa, a coisa mais
fácil era um orc enfiar uma lança no… hã… pé de um dos soldados. Visualmente é bonito o vôo das maritacas élficas, mas em uma guerra muito descabível. Também não
comprei muito a idéia de que mendigos humanos conseguissem muitas coisas não.
Há ainda, novamente, a supervalorização de Bilbo (que apesar de ficar bastante
tempo off) se torna um grande lutador sem precisar do anel para acertar
criaturas com o dobro de sua força. Gostei dele usando pedras para acertar trolls, uma coisa meio Davi x Golias. Mas o lado espadachim dele é a habitual deturpação de personagem. Heróis nem sempre hão de usar a força. Também me chamou atenção que não importa se
de um lado há um anão com uma espada e do outro um brutamontes orc com
superforça e uma arma mil vezes mais pesadas o impacto das forças opostas se
anulará em um “Tlink” no ar e as armas ficarão segurando uma a outra paradas, equivalem-se magicamente. Eu relevo
o Légolas pulando pedrinhas,

 mas tem coisas que chamam bem a atenção. Aí já é
demais. Pô, uma clava teria jogado Thorin longe ou rachado sua cabeça.

Falando no anão principal… Achei muito mal desenvolvido o
jeito que o Thorin se cura da tal enfermidade. Em um momento ele está acusando
seus irmãos e deixando Dáin se furunfar lá fora da montanha, na outra ele se olha em um reflexo
e tem uma puta mudança de consciência. Se no Segundo filme o GoPro deu uma
estranheza, a cena da confusão de identidade do rei sob a montanha não fica
atrás. Creio que o desenvolvimento poderia ter sido mais refinado. Um exemplo bacana é de quando o rei anão pega o hobbit com uma noz do jardim do Beorn e eles falam sobre amizade e há um clima muito bacana que rapidamente é cortado quando Thorin ouve que os elfos estão chegando para pegar o seu tesouro e ele tem uma mudança de um sorriso amigo para a expressão de um psicopata guerreiro. Ali foi bem trabalhado esse lado ao invés daquele efeito escroto de chão de ouro movediço lhe engolindo. Credo.

 Outra coisa que queria falar a respeito do Thorin: Tanto no livro quanto no filme acho que as pessoas enxergam ele e sua paixão pelo dinheiro de maneira equivocada. Na verdade eu acredito que o anão está certo no que ele defende e até vemos um pouco disso em algumas partes da película. Thorin e sua trupe estão indo recuperar o seu lar e o seu tesouro. É deles, não haveria porque dividir com pessoas de fora. Mesmo o auxílio dos Homens que lhe ajudaram foi em troca de um favor futuro e de dinheiro. Ninguém ajudou eles de graça com exceção de Gandalf que é uma entidade superior. Até mesmo o nosso adorável hobbit iria receber algo pelos seus préstimos.


E Thorin jamais fala em não pagar aos seus irmãos anões e seu ladrão profissional. Ele é honesto, mas também é justo. Eles que foram até o dragão. Eles que conquistaram Érebor ainda que não tenham matado o dragão. A herança é deles. Sinto que Tolkien possa ter brincado um pouco com nosso lado de justiça com isso, embora claro que havia muito ouro para ajudar os que precisavam. Mas a questão é… É decisão de quem a escolha? Thorin sabiamente disse que não negociaria com ninguém que trouxesse um exército a sua porta como saqueadores. E nisso ele estava certo. Mas isso é algo que sempre gosto de discutir, não tem a ver com a resenha em si, haha.

As mortes são rápidas e um pouco brutais, como manda uma boa
Guerra. Muitos no cinema foram pegos de surpresa. São emocionantes e você
realmente sente a perda. Você torce para nessa parte o final ser diferente do
livro. Mas Peter Jackson leva a risca o destino traçado por Tolkien. Fili,
claro, tem a morte mais vagabunda deles.

O embate final entre Thorin e Azog poderia ter sido mais
épico já que foi essa a intenção do diretor para esse filme. Há uma dispersão entre a luta final visto que além do enfrentamento Thorin fica sucessivamente combatendo contra diversos figurantes orcs randômicos como uma antiga partida de RPG da época de 8 bits. A coreografia da
luta é um pouco contida e quando eu achei que o final do Azog (esse que é tipo
um Galvão Bueno só narrando a batalha lá de cima de uma geleira – orcs podem
ser estrategistas, mas isso foi cômico…) teria sido o Thorin jogar uma pedra em
seus braços virando uma geleira eu é que gelei. Ia ser um puta final corta
clima, apesar de engraçado. Há de se definir qual caminho se quer seguir… Mas há um “me mata que eu te mato” final. O anão curioso segue o vilão, por qual motivo não se sabe, até ter o pé empalado por uma espada. A luta recomeça para durar alguns segundos onde o, ainda e por um pouco mais, rei sob a montanha abre sua guarda para poder achar a do adversário.  Thorin mostra que prefere
ficar por cima vencendo a luta a um alto custo. Bilbo encontra o corpo dele e há uma bonita cena que vale o ingresso.

 Amizade, uma bela lição ainda que no filme até não se mostrou tanto assim esse laço entre eles dando mais foco nesse último filme. Mas tudo bem, sabemos em nosso interior o que rolou.
Assim terminado tudo que havia para ver sobre a guerra (um detalhe importante: Thorin antes de morrer vê lá do alto que as águias, sempre as águias, chegaram e estão virando o jogo ou seja ele viu que morreria vitorioso) pulamos (achei meio preguiçosa a edição do filme)  para onde os anões estão agradecendo Bilbo e isso é de
partir o coração. Despedaçados pela perda de seus companheiros a companhia que restara agora
liderada por Balin agradece o seu ladrão favorito. Então vemos Gandalf e Bilbo
fumando um cachimbinho que traz de volta o início de tudo. Achei meio forçado
as cenas finais no Condado, mas entendi que era pro hobbit dizer o que ele
sentia a respeito do antigo rei sob a montanha e o que ele era do Thorin: Amigo.

Bom, apesar de todas essas críticas que muitos vão odiar ler
eu levo boas memórias da jornada até a Montanha Solitária e a volta para o
Condado. Sim, inclusive o terceiro filme começou mal por não ter mantido o nome
“Lá e de volta outra vez” como a bonita frase do livro. Decisão de cúpula da Warner. Queriam
mais dinheiro. Assim como há boatos de que haverá muitas cenas pós-crédito.
Sei que assim foi feito com cada filme, mas quem paga pra ir no cinema paga pra
ver o filme completo. Guardando partes boas que compõe a história para ganhar
uma mascada no DVD é tapeação. Como em Thor 2 que a segunda cena pós-crédito
mostrava um beijo do nórdico com sua amada Jane Foster, coisa que acho que só
eu vi na sessão porque todo mundo havia ido embora. Mas era parte do filme… Em
épocas de DLC, Alphas, cenas inéditas em box caros… Acho que isso é um pouco de
tirar o telespectador (ou “cinemespectador”, huhu) pra trouxa.
Como a Marcela me confidenciou quando ela leu o livro do
Hobbit os anões não foram tão bem trabalhados como podem ser em 3 filmes com
atores, etc… e que a trilogia deixa muita saudades do Thorin, Bilbo e amigos.
Que esse é o verdadeiro trunfo. Passamos três anos acompanhando essa baita
viagem tanto fictícia quanto emocional e chegamos a conclusão de que mesmo com
tantas coisas que desagradam não há nada tão bom quanto revisitar a Terra
Média e nossos bons, velhos e queridos amigos. Bom filme. Ótimo filme, huhu…

Toma Rumo Guri!!
imagens: Google imagens e  Day Montenegro.

A Batalha dos Cinco Exércitos – Por Marcela Bezerra

   
OBS.: contém uma caralhada de spoilers. Leia por sua conta e risco.

   E então, o final chegou. O final de uma saga de três filmes, que de início me fez pensar que era “uma cilada, Bino”. Acredito que muitos pensaram desta forma e ficaram apreensivos, afinal, um livro que nem era realmente grosso renderia roteiro para TRÊS filmes? Antes de deixar minhas impressões, gostaria de dizer que nunca fui super fã de Tolkien, daqueles que sabem suas obras de trás pra frente, tudo sobre sua vida, etc. Na verdade, até 2011 eu não curtia nada dele, com base na péssima experiência de leitura que tive com SdA anos antes. Orgulhosa como sempre fui, não permiti pensar que a leitura foi ruim por não entender diversas passagens, e sim que a história estava mal escrita, que ele era um drogado/pirado e o que mais tivesse passado pela minha cabeça à época. Isso não me impediu de respeitar e até mesmo admirar o fascínio que meu melhor amigo possuía por ele e seu universo. Tanto que o presenteei com as principais obras em 2010. Um ano depois, resolvi pegar O Hobbit na estante dele e ver se poderia desfazer minhas impressões. O mundo mudou a partir daquele instante…
   Conhecer a Terra Média foi algo mágico, abriu minha mente, me fez desejar ser um elfo (e eu pensando que elfos eram tipo os do Harry Potter)… bom, quem nunca quis ser uma criatura deste universo que atire a primeira pedra. A leitura foi tão boa que depois li SdA. E amei. Acho que foi melhor do que se tivesse gostado de cara, naquela primeira vez.
Em 2012, finalzinho, veio o primeiro filme d’O Hobbit. E eu com aquela cara de “vem merda por aí”. Achei o primeiro filme até bem fiel, estranhei um pouco alguns anões… bem, eu fazia uma ideia diferente de como eles eram, o Fili e o Kili por exemplo, eles nem tinham cara de anões, até imaginava eles meio crianças na história. Fiquei boiando com aquela aparição do Frodo, mas depois que entendi achei genial. Um ano depois, voltamos a nos ver e lá fui eu criticar: mas que droga de personagem é essa Tauriel? Ela nem está na história e ainda por cima chega pra fazer triângulo amoroso com um anão que não parece um anão e o Legolas, que também não tá nessa história! Entre outras coisinhas. Porém, tinha uma coisa esplêndida acontecendo. O relacionamento entre todos, que até é bem superficial no livro (ele não é um livro denso, já disse), estava sendo explorado de uma forma muito bonita, principalmente entre Bilbo e Thorin. Aquela amizade acertou em cheio meu coração. Além disso, Smaug não poderia estar mais perfeito e assustador. O final deixou todos aflitos pelo último filme, e tivemos que esperar mais um ano.
   Mesmo ansiosa pelo desfecho, contando dias, quando chegou a hora de assistir confesso que fiquei com um aperto de saudade antecipado. Porém, de uma coisa tinha certeza absoluta: o filme não me pegaria de surpresa, já sabia tudo que iria acontecer, nada me afetaria. Nossa, como estava enganada…
  O filme começa exatamente de onde parou o segundo. Vemos Smaug estraçalhando toda a cidade, e então Bard aparece para salvar a todos. Confesso que esse destaque que deram ao personagem ficou muito bom, foi super bem explorado. Gostei bastante. Destaque incrível também dado à “doença” de Thorin. Podemos vê-lo enlouquecer gradativamente, preocupando seriamente seus companheiros anões e Bilbo. Nesse meio tempo, o Gandalf tá para virar comida de Orc, quando Galadriel e sua turma aparece para salva-lo. Se aqui eu já achei forçado, imagina como fiquei depois! Tudo bem, entendo que Jackson precisava dar grandes emoções ao filme, mas rélou, a história não era essa. Incluir uma personagem nada a ver com nada já foi esquisito, aquilo ali foi no mínimo desnecessário. Cena ficou legal? Ficou, mas não curti ela inserida no filme, apesar de saber que ela tinha um propósito maior.
   A guerra foi bem destacada também, muito mais do que eu esperava. Engraçado é que enquanto via o filme, ficava pensando no tipo de missão eles colocariam na última parte do jogo lego! E as baixas começaram a aparecer. Foi um choque e tanto quando o Fili morre, porque de verdade, não tava esperando naquele momento. Dei um gritinho no cinema e caí num choro muito sentido. Logo depois, Kili não demora a ter o mesmo destino. Nesse momento, apesar de muito triste, estava tendo um troço já, para entender logo qual era a da Tauriel. Tava quase acreditando que era a mãe perdida do coitado, quando ela beija o cadáver. Acho que preferia que ela fosse a mãe perdida, no fim das contas… Achei a batalha entre Thorin e Azog simplesmente épica, e apesar de saber o destino de Thorin, fiquei arrasada, completamente arrasada. A despedida do Bilbo então, nossa. Achei que nunca mais fosse parar de chorar. Como disse anteriormente, a amizade entre esses dois foi explorada de uma forma muito bonita e verdadeira.
   No final do filme, podemos entender de forma bem clara o que Jackson quis fazer desde o início, inserindo personagens que originalmente não estão na história: tudo se encaixa para dar início à jornada de destruição do Anel, embora os personagens não soubessem disso ainda. E quando voltamos aos “dias atuais”, com o Bilbo já velho, vemos que aquilo se passa exatamente em seu aniversário. Porém, o mais importante não foi essa poderosa ligação entre os filmes que Jackson criou, e sim o que ele fez com os personagens. Foram tão bem explorados, ficaram tão conhecidos nossos, que passaram a fazer parte de nossa vida e ser nossos amigos. Impossível não sentir uma saudade imensa, já na hora em que os créditos sobem.

Entrevista com Felipe Veiga Ramos. Programador, fanático por Tolkien e… cego.


Felipe Veiga Ramos gosta de computação, Harry Potter, Game of Thrones entre outras coisas, mas não esconde sua paixão latente pelos livros de Tolkien. Ah, ele também é cego esqueci de dizer. Mas se você ficou espantado ou não entende como alguém que não tem o sentido da visão pode gostar de tanta coisa presta atenção nessa entrevista que fiz com ele sobre como é a vida de alguém que não enxerga, mas que não deixa de fazer as coisas que gosta. Confere aí o papo que tive com ele:   
Esse é o Felipe, posando na frente de um painel com um crachá de evento, e essa é a legenda de uma imagem que pode facilitar a vida de quem não enxerga. A dica é dele mesmo.
TRG – Felipe, lhe conheci em um grupo de Facebook
onde notei que você conhecia bastante sobre o universo de Tolkien. Deixe-me lhe perguntar:
Quais são seus gostos? Quais seus livros, filmes, séries favoritos? Deixe-nos
conhecê-lo um pouco melhor…
Felipe – No geral sou bastante eclético. Quanto a livros:
O Senhor dos Anéis – e todos os livros do Tolkien – ocupam o primeiro lugar numa
disputa acirrada com Crônicas de Gelo e Fogo, do Martin.
Harry Potter, Anita Blake, Os Cárpatos, Dark Hunters, Ayla, Saga da Herança e Crônicas de Matador do Rei, Crônicas Vampirescas e as Crônicas Mayfair são uma –
muito pequena – amostra dos meus gostos literários.
Quanto a séries, Game of Thrones, o Mentalista, CSI, Sobrenatural (até a 5a
temporada), Plantão Médico, The Fades, Mental, Lei e Ordem, Hanibal, Grey’s Anatomy, Além da Imaginação e American Horror Story estão na lista.
Para filmes, gosto bastante de assistir adaptações de livros que li e filmes em
geral de terror e suspense.

TRGVocê tem um gosto admirável. Porém você tem
uma particularidade que lhe exige mais esforço do que a maioria: Você é cego.
Primeiro, se me permite perguntar, você perdeu a visão aos poucos ou nasceu sem
enxergar?
Felipe – Mais esforço é algo meio relativo,
hehe. E
nfim, fiquei cego com um ano e meio, tive câncer na retina. perdi de forma
gradativa, mas rápida. Claro, como era muito novo não lembro de absolutamente nada.
TRGEntendo.
Quando tomam conhecimento que você lê livros e tem uma vida bem ativa
em redes sociais (como Facebook) devem ficar bem espantadas, pois a
maioria das pessoas desconhece ou não param pra pensar que existem
muitas outras maneiras de adquirir conhecimento ou se divertir. Você
poderia nos contar um pouco de como funciona para você? Você lê em
braile ou usa um software que recria a fonética das palavras para você
acompanhar via áudio?
Felipe – Eu
utilizo o braille normalmente. fui alfabetizado usando braille. No
entanto uso muito mais o computador, logo utilizo muito mais leitores de
telas. Hoje em dia quase não leio livros em braille pra ser franco,
mais com auxílio do NVDA – um leitor de telas, mesmo.
 


 

TRGNVDA
é um programa gratuito? É fácil a adaptação a ele? Quanto ao braile
imagino que não deva ser fácil encontrar muitos títulos da literatura ou
estou enganado e as coisas mudaram ultimamente?
 

Felipe Bem,
vamos começar pela segunda parte: o braille é incrível, mas um pouco
cansativo, hehe. Infelizmente realmente existem poucos títulos da
literatura. Um grande problema do braile é uma questão de volume. Harry Potter e o Cálice de fogo, por exemplo, tem acho que 12 ou 16 volumes.
Imagina guardar isso em casa. Não sei bem como está agora, já que não
tenho acompanhado de perto.

O NVDANon Visual Desktop Access – é um leitor de telas
gratuito e, ainda melhor, open source, ou seja, o código fonte do programa é
disponível para quem quiser colaborar, editar, alterar, reenviar, etc. Não é o único, mas é meu favorito de longe. Quanto à
adaptação, bom, acho que isso vai de pessoa pra pra pessoa. No geral, eu achei
fácil. Mais fácil que o Jaws – que é pago.
TRG Como funciona para você usar a internet?
Como você diferencia, por exemplo, no Facebook o que é uma conversa em privado
de um status na linha do tempo sem enxergar os ícones? Também gostaria de lhe
perguntar se a linguagem informal e abreviada usada em larga escala na internet
dificulta muito o seu entendimento. Ah, e claro, como funciona os emoticons.
Notei que você os usa tranquilamente.
Felipe Bem, como diria Jack, o estripador,
vamos por partes.
O Facebook tem regiões relativamente específicas. Se estou na área de mensagens,
tenho mensagens, na atualização do feed, tenho notícias – sejam status ou
grupos. Pra facilitar, eu, em particular, prefiro acessar pelo endereço para
dispositivos móveis do facebook, que acho mais limpo: m.facebook.com.
Quanto ao internetês, já fui adepto do uso parcial – vc, pq. – mas, conforme
cresci um pouco e isso passou realmente a me incomodar, cheguei a conclusão de
que se vou me dar ao trabalho de escrever algo deveria ser minimamente bem
escrito.O internetês realmente atrapalha muito. tem coisas que se tornam virtualmente
ilegíveis por isso. a falta de acentuação também é triste.
Emoticons: eu uso porque conheço os símbolos – sei o que cada um significa –
porque já tive curiosidade, já li sobre e afins. mas nem todos obviamente usam.
Nota do editor: Nesse momento o TRG ensinou o emoticon §=D (que significa um cara sorridente com um cabelo gozado.
TRGQuando
você assiste algum filme você gosta de conversar com amigos que lhe
comentam o cenário e algumas situações que lhe complementam as falas dos
personagens ou prefere apenas sentir aquilo que consegue captar através
do som, da emoção, etc? Há ainda algumas produções especialmente para
quem é cego, as audiodescrições, onde um narrador descreve a cena que
acontece na tela. Você costuma assistir obras assim? Acha legal?
Felipe Via de regra gosto sim, de assistir
com algum amigo, mas de preferência que entenda do tema, hehe. nem sempre é
possível. Audiodescrições são legais, exceto quando tratam o cego como alguém com
problemas cognitivos e querem descrever tudo com excesso de informações, tirando
a graça – já que você não pode nem ouvir mais as as outras partes do filme.


TRGVocê
faz faculdade certo? Soube que você é Cientista da Computação… Você mexe com
quais linguagens? Muitas pessoas praticamente enlouquecem tentando achar um
erro no código e ficam por horas observando os algoritmos… Poderia comentar
como você lida com isso? E pensa em desenvolver softwares que tragam facilidade
a quem também é cego?
FelipeBem,
estou no processo para ser, haha.
Curso atualmente o quarto semestre dos
oito necessários. Antes desta faculdade
já havia feito um curso técnico
integrado – em conjunto com o ensino médio – então já tinha alguma noção
sobre a área. Quanto as linguagens de programação, programo em Python,
Java, C, me viro com o C++, estou aprendendo R no momento e também uma
linguagem de programação específica para a criação de audiogames, ou
seja, jogos focados no áudio, para cegos,
chamada BGT.
Quanto a encontrar erros, bem, não existe nenhum segredo
além da
prática
e da leitura. É praxe nas linguagens de programação
quando
ocorre um erro na sintaxe – forma de escrever ou em tempo de execução
informar onde – que linha, bloco, etc – ele ocorreu e fornecer algum
tipo de informação. Cabe ao programador saber interpretar isso. Nesse
aspecto não creio que eu tenha maiores dificuldades do que qualquer
outro. Quando o erro é lógico estamos todos no mesmo barco.
Claro que existem muitos facilitadores – IDES (acréscimo, em inglês, para
ambiente de desenvolvimento integrado, que são programas que
possuem ferramentas para auxiliar o programador) – que muitas vezes não
são de todo – ou de qualquer modo – acessíveis. Mas um compilador ou
interpretador, um editor de texto, café, paciência e vamos lá.
Há que se fazer jus no entanto, o Eclipse, por exemplo, e bastante
acessьvel e possui uma ampla gama de facilitadores. Assim como ele,
outros dioutra outras IDES também são.
Quanto a softwares, pretendo, com um pouco de sorte e tempo
ingressar no mundo dos audiogames até o fim do primeiro bimestre de
2015. Outros softwares, mais sérios, por assim dizer, também também
virão.
TRG – Pode falar um pouco mais do BGT?
Felipe – O BGT, é uma linguagem de programação mesmo. baseada em C++, Java e Python – um pouquinho – cujo foco é criar audiogames, então tem muita
coisa voltada pra som e tals.

ela é interpretada. Pode descobrir mais procurando por Blastbi game toolkit.
TRGHoje em dia muitos sites estão migrando
para formatos mais dinâmicos como formatos de vídeos, porém muitos também
abusam de imagens, gifs e outros formatos que devem dificultar o acesso. Você
poderia listar quais problemas enfrenta na grande rede? E como sites poderiam
facilitar a vida de um usuário cego? Eu mesmo começo a pensar que nunca pensei
dessa forma para ajudar embora tenha muito texto no site…
Felipe – É
um pesadelo, pra ser gentil.
E frustrante pra caramba abrir algo pra ler
e ler algo do tipo “comprei
o
livro da foto, o que vocês acham?” – muito comum em grupos de livros no
Facebook por exemplo.
É
frustrante, porque perdemos informações interessantes e, dependendo do
contexto,
mesmo necessárias. Eu admito ser meio antiquado embora vídeos
até sejam
ok – se quem o montou não ficar só apontando mensagens – sou um grande
amigo dos textos. O chato é que, em geral, pouco trabalho

seria
necessário pra resolver isso: uma descrição da foto de acordo com
o
contexto já seria mais que suficiente. Explico o contexto: como no
caso
do meu exemplo, custa colocar o nome do livro e do autor? Pequenas medidas
como esta são extremamente simples e benéficas. Recentemente a
universidade onde estudo decidiu, em votação unânime, por abandonar os
copos plásticos no restaurante universitário em favor de canecas
individuais e houve uma votação para a escolha, entre treze artes.
Todas eram imagens. Obviamente eu enviei mensagens ao DCE –
responsável
pela organização da votação – solicitando descrições para as
13. Em mais
ou menos três dias recebi um arquivo contendo todas as descrições, por
sinal, muito bem feitas – obrigado, galera do DCE! Agora, teria sido bem
mais simples se, no início, solicitassem a foto e uma descrição, e em
seguida publicassem ambas: cada um que fizesse sua caneca já teria que
enviar a descrição. É um trabalho conjunto: quem fez deveria pensar,
quem publicou também.. como de primeira isso não houve, quem precisa –
no caso eu – foi atrás e conseguiu resolver o problema. Quantas vezes,
em sites, deixo de poder usar algo – muitas vezes todo o 
site
– porque as pessoas insistem em, por exemplo, colocar botões em
imagens
sem texto ou explicar tudo por imagens.

TRG – Hoje em dia muitas leis começam a lembrar
das pessoas com algum tipo de deficiência e o poder público cria leis específicas tentando
minimizar qualquer dano que o Estado possa causar. No caso dos cegos como você
analisa a situação atual? O que o governo pode fazer para melhorar?

Felipe – É um movimento bastante importante.
Lembrar é bacana, mas apenas
lembrar não é suficiente. Por exemplo, nós
temos uma lei bacana sobre livros – artigo 46 da lei 9610, se não me
engano – que diz que é permitida a cópia de qualquer livro ou trabalho
artístico ou científico para qualquer formato que possamos ler sem
violação dos direitos autorais. Mas conseguir um livro, oficialmente, de
uma editora,
acessível?
Difícil.
O governo precisa parar de se preocupar em criar facilitadores
fakes –
tipo
encher de cotas – e sim realmente propiciar acesso as coisas para

os
cegos – e deficientes em geral. Noto que esse processo já iniciou, mas
temos
muito que caminhar nesse sentido.

TRG – Estranhamento, no momento que lhe conheci,
alguém que enxergava criou uma pequena confusão em um grupo sobre não ter
entendido que você era cego, mas respondia o que ele dizia e até comentava
sobre o assunto em questão. Você sofre algum tipo de preconceito mesmo nos dias
de hoje com toda tecnologia a nosso dispor?
Felipe – Preconceito
existe. É babaquice dizer que não. Não posso dizer que eu
tenha
grandes problemas com preconceito, em geral. É mais com diferentes
graus
de ignorância – variando do “não sabia” até o “você é um
mentiroso,
cego só pensa se der corda puxando a orelha três vezes!!!”.
  
TRGNotei que você é um grande fã de Senhor dos
Anéis
e todo o mundo da Terra Média. Podemos falar um pouco disso? Conte-nos
dos teus gostos, teus personagens e livros favoritos criados por Tolkien.
Felipe – Então deixa eu começar sendo fã babaca: Terra Média somente não, Arda. Sou fascinado pela mitologia do mestre
Tolkien. O Retorno do Rei e o Silmarillion competem fortemente pelo
primeiro lugar pra mim. As obras de Tokien são, antes de tudo, outro
mundo. Um mundo diferente pra caramba – cheio de seres estranhos, nas
palavras do próprio – mas tão parecido com o nosso. Cheio de coragem e
covardia, honra e baixeza, amor, ódio.. acompanhar toda sua história é
quase como poder assistir os
acontecimentos
em um outro mundo. Há muito para se aprender aqui para
quem quiser… ou
horas de diversão para quem não quiser ir além.
Gosto bastante das
diferenças entre os povos. Gosto de articular dos Rohirrins. Existe uma
melancolia presente nas obras de Tolkien, um tom

de
finitude que toca fundo.
Tolkien criou um mundo tão complexo que é
possível – e bem fácil – se

perder
nele. Leio muito. Gosto de muitas obras. Conheço vários autores.
Leio
desde J.K. Rowling à George Martin – que acho fodasticamente foda
também
-, Christopher Paolini a Sherrili Kenion, Nora Robberts e Sidnei Sheldon,
Agatha Christie a Homero, Nietzsche a Platão. Mas Tolkien pra mim é único e tem
um patamar elevado só dele.
TRG – Ah, o que achou dos filmes, (risos).
Felipe E você pergunta isso sem me dar um escudo
de corpo antes?

Ok,
vamos lá.
Vamos começar pela trilogia grandiosa e fodasticamente foda do
anel.
Incrível. excelente. Perfeita? Definitivamente não. Tem erros. Tem
defeitos. Tem problemas. Mas é uma adaptação incrível. Consegue capturar
algo em torno de 90% do clima do livro. É grandiosa. É algo que eu
amaria ver no cinema, hahaha. Os personagens, no geral, foram bem
trabalhados, embora alguns tenham ficado tristemente mal caracterizados.
Na primeira parte temos o Aragorn – que ficou perfeito – a Éowyn e os
hobbits no geral. Na segunda, temos o Faramir, o Gimli e o Thelden. As
mudanças foram, em 95% dos casos, totalmente compatíveis e se encaixaram
no contexto do filme. Por exemplo, as sendas dos mortos: não ficou igual
no livro, mas ficou muito bom. A cavalgada dos Rohirrins, para fora do
Forte da Trombeta é uma das cenas mais pungentes e tocantes – um povo
investindo uma última vez para
permitir
que alguns se salvassem, a morte iminente… e depois o
salvamento.
Mas
nenhuma cena ultrapassa a chegada dos Rohirrins a Gondor.
“Levantem-se,
levantem-se, cavaleiros de Thelden!”. E sim, eu decorei os
três
filmes, versão estendida.



O
Hobbit
.

E
agora as pedras voarão. Ok. A melhor palavra que define o hobbit pra
mim
é “decepção”. E foi o pior tipo de decepção; eles não destruíram

totalmente, ah, não, tiveram essa misericórdia. O filme tem cenas ótimas.
Tem momentos tão perfeitos que fazem qualquer fã do mestre Tolkien ir para
as terras abençoadas. As canções. O início. são tantas cenas incríveis!
Sabe aquele bolo feito com seu chocolate favorito… mas com uma liga errada,
que deixa com um gosto ruim na boca? Pois é. Cenas ótimas, momentos
perfeitos… mas com uma ligação péssima. O andamento do filme é
arrastado e forçado. O acréscimo de alguns personagens deixa tudo ainda
pior. Não meramente por não existirem nos livros,
mas por destoarem totalmente do contexto e do estilo de
personagem.
Acrescentou-se muito drama onde não deveria e subestimou-se
todo o que
poderia ser aproveitado. Isso criou uma sequência de filmes que, embora
relacionados à Terra Média, embora muito bons em diversos sentidos, não
fizeram jus ao livro e não souberam captar o ponto. E aí as pessoas
dizem: “mas o Hobbit não era um livro como Senhor dos Anéis.” e
eu respondo: é óbvio! Então por que querer transformar um livro mais
infanto-juvenil que tem um ótimo andamento e aborda diversas coisas de
forma bastante interessante em um épico? Entendam, senhores defensores
do Legolas surfando no escudo e de mais um monte de coisas 
nesse
estilo, o Hobbit não é um livro épico. Não é essa a proposta. E o
filme
não deveria também.
Concluo
dizendo que assisti as duas primeiras partes e, sinceramente,
não estou
tão ansioso quanto poderia para a próxima.

TRG – Bem, deixo aqui um espaço pra você falar o
que quiser. Por mais que eu tente imaginar sei que só mesmo você e quem tem
essa limitação podem saber algo a colocar que seja importante dizer sobre o
assunto.

Felipe – Em
primeiro lugar gostaria de agradecer o convite e a oportunidade. Foi
realmente
bacana e eu gostei particularmente das perguntas. É
interessante
divulgar mais sobre esse tipo de coisa, porque o conhecimento é sempre o
melhor remédio contra a ignorância em qualquer nível e é bacana que
pessoas como você se interessem em fornecer este tipo de conhecimento.

Por
fim, galera, deficiente não é um bicho de nove cabeças. Se você tem
dúvidas,
realmente, em geral, só perguntar. Mas condescendência e
piedade não vão
resolver o problema de ninguém, na real, é meio irritante,
isso sim.
Superestimação também é bastante irritante. Fazemos o que podemos
dentro do que queremos com o que temos, como qualquer pessoa.

Bom é isso galera. Aqui termina a entrevista. Acho legal porque ilustrou bem muitas coisas que não vemos no dia a dia. E bacana como pessoas como o Felipe usam suas habilidades de fazer coisas se m enxergar para multiplicar esse benefícios para outros como ele mesmo citou como nos jogos para cegos. Espero que tenham gostado. Ah, só pra deixar claro a entrevista foi feita via mensagens no Face e ele escreveu (sim, não ditou) todas as respostas. Incrível, não? Eras isso então e não esqueçam…

Toma Rumo Guri!!


 

 

 
   

Leitura Nerd – ‘Salem


‘Salem
Editora:Ponto de Leitura
Páginas: 576
Autor:
Stephen King
Antes de mais nada peço desculpas pelo spoiler, mas é
tradição na tradução desse livro no Brasil que antes mesmo que você abra a capa
você fique completamente por dentro de que é um livro de vampiro.  Truque de marketing barato que não se importa
muito com a experiência da leitura, mas sim no vil metal. Enfim, isso acaba não
importando tanto assim (Embora seria muito mais legal se eu tivesse embarcado
as cegas, confesso – A versão que eu li se chamava a Hora do Vampiro (Objetiva) e mesmo nesse título relançado mais bacana consta na capa “Anteriormente publicado como…”).
Esse na teoria é o segundo livro de Stephen King conforme
manda o cânone do mestre do terror, mas na verdade não é bem assim. Depois da
história de Carrie (aquela, a Estranha) ele escreveu pelo menos mais dois
romances. Na verdade ‘Salem (Nome original) é lá pelo quarto ou quinto livro do
tio King. Mesmo assim verdade seja dita: Vai escrever bem e construir
personagens lá na pqp. Você fica um pouco confuso no início, pois nos é
apresentado na trama um menino e um homem. Não são parentes, mas ao mesmo tempo
tem uma ligação forte baseada na proteção mútua e em algum medo. Então é descortinado
a história de uma cidadezinha de interior chamada “’Salem Lot” cujo nome se
originou de, pasmem vocês, uma porca gorda de um, provavelmente, mais gordo
ainda fazendeiro. Stephen King dá vida para toda uma população de uma cidade
fictícia que iria aparecer em outros contos dele.
Ben Mears é definitivamente o personagem principal. Escritor de
livros populares e com crítica dividida (lembra alguém? Aliás foi  o primeiro de todos os personagens colegas de
profissão que King daria vida) cujo uma fantasia surreal na infância lhe leva a
cidade onde passou parte da infância com o objetivo de escrever um novo livro e
de quebra expurgar alguns demônios pessoais de sua mente. Porém ele chega em um
péssimo momento, pois há duas novas pessoas na cidade que reativam o mal do
símbolo de tudo que é ruim na cidade: A casa Marsten.
Toda cidade interiorana tem um lugar assim. Um símbolo de
todo os temores da juventude, um lugar macabro rodeado de histórias
fantasmagóricas. E esse lugar no livro ocupa uma posição de destaque sendo um
dos pontos elaborados para King ocultar o mal até a hora certa.
Susan é uma luz para os olhos abatidos em um ambiente que
vai se tornando tão hostil. Tão doce, mas também tão teimosa. Desprendida do
alto moralismo de cidades interioranas e decidida acaba se envolvendo com Ben
apesar dos apupos de sua mãe. Além dos dois você conhecerá muita gente, pois
para o livro funcionar Stephen tem  que dar
personalidade e vazão diferente para muitas personagens dando um contexto para
uma cidade realmente viva. Você precisa temer por cada personagem.
Há também um professor que curte um bom rock’n’roll e capta
as coisas de primeira (ele é praticamente o dono das regras, todo filme de
vampiro ou aberrações fantásticas tem um), um padreco que oscila em sua fé e um
médico que não adiciona lá muita coisa na história, mas por fazer parte do time
você agrega de boa. E um garoto que é simplesmente um gênio como geralmente o são os infantes das tramas do Stephen.
Pessoas começam a morrer na cidade, inclusive duas crianças e um cachorro que são o estopim, e Ben junto com um novo empreendedor na cidade viram o foco da polícia por serem visitantes de uma cidade tão pacata.
O lado do mal é previsível. Se vampiros infestam a cidade sempre
há um cabeça por trás de tudo e nesse caso – – – – – – – – – –  A partir daqui começam os spoilers, pule para
a parte preta que onde estiver vermelho tem revelações de trama. Eu avisei… – – – – – – –
esse homem é Barlow, o vampiro-mor. Eu imagino ele usando uma cartola, não
lembro se de fato ele usa (risos), e ele até é um cara casca grossa (páreo impossível para um humano), mas a luta
final acaba sendo meio brochante o que é costumeiro  vindo de Stephen King. Não falo nem em
questão de conclusão insatisfatória, mas em casos de poderes tão discrepantes
entre os dois lados ele sempre opta por uma maneira de solução menos épica e
mais embasada na realidade, mas também bem chatinha. Vencer escondidinho. Mas
talvez não houvesse outro jeito.
Outra coisa que não desce na garganta é uma das mortes do
livro. Não revelarei quem é (mesmo sendo uma área de spoiler) para não estragar
a surpresa dos curiosos, mas assim como em Celular (dele também) é uma daquelas
perdas que demoram pra digerir. Seja como for pelo menos faz sentido diferente
da morte mencionada no livro de zumbis de SK que parece ser uma das piores
mortes já provocadas do nada pelo tio King.

‘Salem, ou o A Hora do Vampiro, é um livro divertido e
difícil de largar. As partes mais chatas são as que envolvem a cidade como um
todo, suas rotinas e costumes, e as mais legais são a cada revelação de quem são as criaturas habitantes
da casa Marsten.  Vale muito a pena a
leitura e ver qual é a versão dos dentudões segundo o mestre do terror moderno.
   
Ah, as cenas dos vampiros voando pela noite e arranhando as vidraças como cachorros cavocando a terra é de arrepiar, haha. Sim, King mantém a tradição de que um vampiro só pode entrar se for convidado, mesmo que ele esqueça disso durante alguns pedaços do livro. O livro deixa margens para continuação e o próprio SK já pensou em fazer uma história a partir de um dos membros do grupo que citei, mas aparentemente abandonou essa idéia para sempre.
Toma Rumo Guri!!

Comic Con Experience e um final de semana nerd – Por Karol

Final de semana mais nerd do ano.

O final de semana foi marcado de eventos para quem é fã de fantasia, sci-fi e todo o universo que o cerca!
Na sexta feira tive a oportunidade de comparecer ao Caixa Belas Artes (antigo Cine Belas Artes) em São Paulo. Lá enfrentei a maratona dos três filmes que compõem a obra O Senhor dos Anéis, dirigidos pelo incrível Peter Jackson. Com pausa de 15 minutos entre os filme, às 5h10 da manhã O Retorno do Rei era exibido novamente nas telas do cinema. Outras salas exibiam O Hobbit e um dos filmes da trilogia O Senhor dos Anéis. Eu optei pela trilogia completa, já que era a que eu tinha visto há mais tempo nas telonas.
Sobre o cinema, eles fizeram uma produção bem interessante. A sessão começou às 22h30, porém, antes tivemos um pocket show da banda Olam Ein Sof. Eles cantam uma música bem diferenciada, adorei o som deles e a voz da Fernanda Ferretti é poderosíssima.




Salientar somente que o cinema demorou um pouco mais do que o combinado para começar o filme e o mesmo ficou sem som por quase 1 minuto durante o inicio do filme. Mas fora isso, correu tudo bem. Grandes agradecimentos à Caixa Belas Artes pela oportunidade de ver novamente Senhor dos Anéis no cinema.

Depois dessa incrível maratona e de um lanchinho oferecido pelo cinema, partimos para a Comic Con Experience!

Não fosse pelo fato deles terem errado alguma coisa no sistema e só termos entrado 3h depois do inicio do evento, tudo teria ocorrido muito bem.
O evento tinha muita, muita coisa interessante, de stands a lojas. Não vi nenhum desconto que mereça destaque e as filas estavam imensas.
Dos stands que merecem destaque, tive a oportunidade de testar um óculos de realidade virtual da escola de cinema Melies. A fila estava imensa mas valeu a pena. Para mim, que jogo videogames desde sempre, pensei que não seria uma experiência assim tão incrível. E FOI. Aos que tiverem oportunidade de testá-lo, não percam! 😀

Prosseguindo me deparei com O Trono de Ferro no stand da Editora Leya. Aproveitei para tirar uma foto e sentar um pouco,

Uma surpresa foi que não vi tantos cosplays quanto imaginava e a quantidade de pessoas dificultava tirar mais fotos. Achei esses dois no stand incrível do Mad Max!

Teve até tempo de passar pela TARDIS!

Como grande fã da obra de Tolkien, gastei um bom tempo no stand do lançamento do filme O Hobbit – A Batalha dos Cinco Exércitos.

Terminei meu sábado encontrando com uma ótima escritora, a Carolina Munhóz, sobre o lançamento do seu quarto livro, “O Reino das Vozes que Não se Calam”. Aproveitei para conversar um pouquinho sobre sua carreira em ascensão e garantir um livro autografado!

Assim se encerrou minha primeira cobertura de evento para o TRG. Sem muita experiência e sem tanta cara de pau, espero me sair melhor das próximas vezes. Obrigada ao TRG pela oportunidade o/

Me encerro na segunda feira com alguns minutinhos de bate papo e autógrafo do ilustríssimo Timothy Zahn, escritor de vários livros do universo Star Wars. Ele esteve na Comic Con Experience, mas não consegui conhecê-lo. Fiquei sabendo que ele estaria na FNAC do Shopping Dom Pedro em Campinas e foi para lá que fui para termos esse encontro.

Até a próxima aventura, pessoal!

Toma Rumo Guri!!