Entrevista com Felipe Veiga Ramos. Programador, fanático por Tolkien e… cego.


Felipe Veiga Ramos gosta de computação, Harry Potter, Game of Thrones entre outras coisas, mas não esconde sua paixão latente pelos livros de Tolkien. Ah, ele também é cego esqueci de dizer. Mas se você ficou espantado ou não entende como alguém que não tem o sentido da visão pode gostar de tanta coisa presta atenção nessa entrevista que fiz com ele sobre como é a vida de alguém que não enxerga, mas que não deixa de fazer as coisas que gosta. Confere aí o papo que tive com ele:   
Esse é o Felipe, posando na frente de um painel com um crachá de evento, e essa é a legenda de uma imagem que pode facilitar a vida de quem não enxerga. A dica é dele mesmo.
TRG – Felipe, lhe conheci em um grupo de Facebook
onde notei que você conhecia bastante sobre o universo de Tolkien. Deixe-me lhe perguntar:
Quais são seus gostos? Quais seus livros, filmes, séries favoritos? Deixe-nos
conhecê-lo um pouco melhor…
Felipe – No geral sou bastante eclético. Quanto a livros:
O Senhor dos Anéis – e todos os livros do Tolkien – ocupam o primeiro lugar numa
disputa acirrada com Crônicas de Gelo e Fogo, do Martin.
Harry Potter, Anita Blake, Os Cárpatos, Dark Hunters, Ayla, Saga da Herança e Crônicas de Matador do Rei, Crônicas Vampirescas e as Crônicas Mayfair são uma –
muito pequena – amostra dos meus gostos literários.
Quanto a séries, Game of Thrones, o Mentalista, CSI, Sobrenatural (até a 5a
temporada), Plantão Médico, The Fades, Mental, Lei e Ordem, Hanibal, Grey’s Anatomy, Além da Imaginação e American Horror Story estão na lista.
Para filmes, gosto bastante de assistir adaptações de livros que li e filmes em
geral de terror e suspense.

TRGVocê tem um gosto admirável. Porém você tem
uma particularidade que lhe exige mais esforço do que a maioria: Você é cego.
Primeiro, se me permite perguntar, você perdeu a visão aos poucos ou nasceu sem
enxergar?
Felipe – Mais esforço é algo meio relativo,
hehe. E
nfim, fiquei cego com um ano e meio, tive câncer na retina. perdi de forma
gradativa, mas rápida. Claro, como era muito novo não lembro de absolutamente nada.
TRGEntendo.
Quando tomam conhecimento que você lê livros e tem uma vida bem ativa
em redes sociais (como Facebook) devem ficar bem espantadas, pois a
maioria das pessoas desconhece ou não param pra pensar que existem
muitas outras maneiras de adquirir conhecimento ou se divertir. Você
poderia nos contar um pouco de como funciona para você? Você lê em
braile ou usa um software que recria a fonética das palavras para você
acompanhar via áudio?
Felipe – Eu
utilizo o braille normalmente. fui alfabetizado usando braille. No
entanto uso muito mais o computador, logo utilizo muito mais leitores de
telas. Hoje em dia quase não leio livros em braille pra ser franco,
mais com auxílio do NVDA – um leitor de telas, mesmo.
 


 

TRGNVDA
é um programa gratuito? É fácil a adaptação a ele? Quanto ao braile
imagino que não deva ser fácil encontrar muitos títulos da literatura ou
estou enganado e as coisas mudaram ultimamente?
 

Felipe Bem,
vamos começar pela segunda parte: o braille é incrível, mas um pouco
cansativo, hehe. Infelizmente realmente existem poucos títulos da
literatura. Um grande problema do braile é uma questão de volume. Harry Potter e o Cálice de fogo, por exemplo, tem acho que 12 ou 16 volumes.
Imagina guardar isso em casa. Não sei bem como está agora, já que não
tenho acompanhado de perto.

O NVDANon Visual Desktop Access – é um leitor de telas
gratuito e, ainda melhor, open source, ou seja, o código fonte do programa é
disponível para quem quiser colaborar, editar, alterar, reenviar, etc. Não é o único, mas é meu favorito de longe. Quanto à
adaptação, bom, acho que isso vai de pessoa pra pra pessoa. No geral, eu achei
fácil. Mais fácil que o Jaws – que é pago.
TRG Como funciona para você usar a internet?
Como você diferencia, por exemplo, no Facebook o que é uma conversa em privado
de um status na linha do tempo sem enxergar os ícones? Também gostaria de lhe
perguntar se a linguagem informal e abreviada usada em larga escala na internet
dificulta muito o seu entendimento. Ah, e claro, como funciona os emoticons.
Notei que você os usa tranquilamente.
Felipe Bem, como diria Jack, o estripador,
vamos por partes.
O Facebook tem regiões relativamente específicas. Se estou na área de mensagens,
tenho mensagens, na atualização do feed, tenho notícias – sejam status ou
grupos. Pra facilitar, eu, em particular, prefiro acessar pelo endereço para
dispositivos móveis do facebook, que acho mais limpo: m.facebook.com.
Quanto ao internetês, já fui adepto do uso parcial – vc, pq. – mas, conforme
cresci um pouco e isso passou realmente a me incomodar, cheguei a conclusão de
que se vou me dar ao trabalho de escrever algo deveria ser minimamente bem
escrito.O internetês realmente atrapalha muito. tem coisas que se tornam virtualmente
ilegíveis por isso. a falta de acentuação também é triste.
Emoticons: eu uso porque conheço os símbolos – sei o que cada um significa –
porque já tive curiosidade, já li sobre e afins. mas nem todos obviamente usam.
Nota do editor: Nesse momento o TRG ensinou o emoticon §=D (que significa um cara sorridente com um cabelo gozado.
TRGQuando
você assiste algum filme você gosta de conversar com amigos que lhe
comentam o cenário e algumas situações que lhe complementam as falas dos
personagens ou prefere apenas sentir aquilo que consegue captar através
do som, da emoção, etc? Há ainda algumas produções especialmente para
quem é cego, as audiodescrições, onde um narrador descreve a cena que
acontece na tela. Você costuma assistir obras assim? Acha legal?
Felipe Via de regra gosto sim, de assistir
com algum amigo, mas de preferência que entenda do tema, hehe. nem sempre é
possível. Audiodescrições são legais, exceto quando tratam o cego como alguém com
problemas cognitivos e querem descrever tudo com excesso de informações, tirando
a graça – já que você não pode nem ouvir mais as as outras partes do filme.


TRGVocê
faz faculdade certo? Soube que você é Cientista da Computação… Você mexe com
quais linguagens? Muitas pessoas praticamente enlouquecem tentando achar um
erro no código e ficam por horas observando os algoritmos… Poderia comentar
como você lida com isso? E pensa em desenvolver softwares que tragam facilidade
a quem também é cego?
FelipeBem,
estou no processo para ser, haha.
Curso atualmente o quarto semestre dos
oito necessários. Antes desta faculdade
já havia feito um curso técnico
integrado – em conjunto com o ensino médio – então já tinha alguma noção
sobre a área. Quanto as linguagens de programação, programo em Python,
Java, C, me viro com o C++, estou aprendendo R no momento e também uma
linguagem de programação específica para a criação de audiogames, ou
seja, jogos focados no áudio, para cegos,
chamada BGT.
Quanto a encontrar erros, bem, não existe nenhum segredo
além da
prática
e da leitura. É praxe nas linguagens de programação
quando
ocorre um erro na sintaxe – forma de escrever ou em tempo de execução
informar onde – que linha, bloco, etc – ele ocorreu e fornecer algum
tipo de informação. Cabe ao programador saber interpretar isso. Nesse
aspecto não creio que eu tenha maiores dificuldades do que qualquer
outro. Quando o erro é lógico estamos todos no mesmo barco.
Claro que existem muitos facilitadores – IDES (acréscimo, em inglês, para
ambiente de desenvolvimento integrado, que são programas que
possuem ferramentas para auxiliar o programador) – que muitas vezes não
são de todo – ou de qualquer modo – acessíveis. Mas um compilador ou
interpretador, um editor de texto, café, paciência e vamos lá.
Há que se fazer jus no entanto, o Eclipse, por exemplo, e bastante
acessьvel e possui uma ampla gama de facilitadores. Assim como ele,
outros dioutra outras IDES também são.
Quanto a softwares, pretendo, com um pouco de sorte e tempo
ingressar no mundo dos audiogames até o fim do primeiro bimestre de
2015. Outros softwares, mais sérios, por assim dizer, também também
virão.
TRG – Pode falar um pouco mais do BGT?
Felipe – O BGT, é uma linguagem de programação mesmo. baseada em C++, Java e Python – um pouquinho – cujo foco é criar audiogames, então tem muita
coisa voltada pra som e tals.

ela é interpretada. Pode descobrir mais procurando por Blastbi game toolkit.
TRGHoje em dia muitos sites estão migrando
para formatos mais dinâmicos como formatos de vídeos, porém muitos também
abusam de imagens, gifs e outros formatos que devem dificultar o acesso. Você
poderia listar quais problemas enfrenta na grande rede? E como sites poderiam
facilitar a vida de um usuário cego? Eu mesmo começo a pensar que nunca pensei
dessa forma para ajudar embora tenha muito texto no site…
Felipe – É
um pesadelo, pra ser gentil.
E frustrante pra caramba abrir algo pra ler
e ler algo do tipo “comprei
o
livro da foto, o que vocês acham?” – muito comum em grupos de livros no
Facebook por exemplo.
É
frustrante, porque perdemos informações interessantes e, dependendo do
contexto,
mesmo necessárias. Eu admito ser meio antiquado embora vídeos
até sejam
ok – se quem o montou não ficar só apontando mensagens – sou um grande
amigo dos textos. O chato é que, em geral, pouco trabalho

seria
necessário pra resolver isso: uma descrição da foto de acordo com
o
contexto já seria mais que suficiente. Explico o contexto: como no
caso
do meu exemplo, custa colocar o nome do livro e do autor? Pequenas medidas
como esta são extremamente simples e benéficas. Recentemente a
universidade onde estudo decidiu, em votação unânime, por abandonar os
copos plásticos no restaurante universitário em favor de canecas
individuais e houve uma votação para a escolha, entre treze artes.
Todas eram imagens. Obviamente eu enviei mensagens ao DCE –
responsável
pela organização da votação – solicitando descrições para as
13. Em mais
ou menos três dias recebi um arquivo contendo todas as descrições, por
sinal, muito bem feitas – obrigado, galera do DCE! Agora, teria sido bem
mais simples se, no início, solicitassem a foto e uma descrição, e em
seguida publicassem ambas: cada um que fizesse sua caneca já teria que
enviar a descrição. É um trabalho conjunto: quem fez deveria pensar,
quem publicou também.. como de primeira isso não houve, quem precisa –
no caso eu – foi atrás e conseguiu resolver o problema. Quantas vezes,
em sites, deixo de poder usar algo – muitas vezes todo o 
site
– porque as pessoas insistem em, por exemplo, colocar botões em
imagens
sem texto ou explicar tudo por imagens.

TRG – Hoje em dia muitas leis começam a lembrar
das pessoas com algum tipo de deficiência e o poder público cria leis específicas tentando
minimizar qualquer dano que o Estado possa causar. No caso dos cegos como você
analisa a situação atual? O que o governo pode fazer para melhorar?

Felipe – É um movimento bastante importante.
Lembrar é bacana, mas apenas
lembrar não é suficiente. Por exemplo, nós
temos uma lei bacana sobre livros – artigo 46 da lei 9610, se não me
engano – que diz que é permitida a cópia de qualquer livro ou trabalho
artístico ou científico para qualquer formato que possamos ler sem
violação dos direitos autorais. Mas conseguir um livro, oficialmente, de
uma editora,
acessível?
Difícil.
O governo precisa parar de se preocupar em criar facilitadores
fakes –
tipo
encher de cotas – e sim realmente propiciar acesso as coisas para

os
cegos – e deficientes em geral. Noto que esse processo já iniciou, mas
temos
muito que caminhar nesse sentido.

TRG – Estranhamento, no momento que lhe conheci,
alguém que enxergava criou uma pequena confusão em um grupo sobre não ter
entendido que você era cego, mas respondia o que ele dizia e até comentava
sobre o assunto em questão. Você sofre algum tipo de preconceito mesmo nos dias
de hoje com toda tecnologia a nosso dispor?
Felipe – Preconceito
existe. É babaquice dizer que não. Não posso dizer que eu
tenha
grandes problemas com preconceito, em geral. É mais com diferentes
graus
de ignorância – variando do “não sabia” até o “você é um
mentiroso,
cego só pensa se der corda puxando a orelha três vezes!!!”.
  
TRGNotei que você é um grande fã de Senhor dos
Anéis
e todo o mundo da Terra Média. Podemos falar um pouco disso? Conte-nos
dos teus gostos, teus personagens e livros favoritos criados por Tolkien.
Felipe – Então deixa eu começar sendo fã babaca: Terra Média somente não, Arda. Sou fascinado pela mitologia do mestre
Tolkien. O Retorno do Rei e o Silmarillion competem fortemente pelo
primeiro lugar pra mim. As obras de Tokien são, antes de tudo, outro
mundo. Um mundo diferente pra caramba – cheio de seres estranhos, nas
palavras do próprio – mas tão parecido com o nosso. Cheio de coragem e
covardia, honra e baixeza, amor, ódio.. acompanhar toda sua história é
quase como poder assistir os
acontecimentos
em um outro mundo. Há muito para se aprender aqui para
quem quiser… ou
horas de diversão para quem não quiser ir além.
Gosto bastante das
diferenças entre os povos. Gosto de articular dos Rohirrins. Existe uma
melancolia presente nas obras de Tolkien, um tom

de
finitude que toca fundo.
Tolkien criou um mundo tão complexo que é
possível – e bem fácil – se

perder
nele. Leio muito. Gosto de muitas obras. Conheço vários autores.
Leio
desde J.K. Rowling à George Martin – que acho fodasticamente foda
também
-, Christopher Paolini a Sherrili Kenion, Nora Robberts e Sidnei Sheldon,
Agatha Christie a Homero, Nietzsche a Platão. Mas Tolkien pra mim é único e tem
um patamar elevado só dele.
TRG – Ah, o que achou dos filmes, (risos).
Felipe E você pergunta isso sem me dar um escudo
de corpo antes?

Ok,
vamos lá.
Vamos começar pela trilogia grandiosa e fodasticamente foda do
anel.
Incrível. excelente. Perfeita? Definitivamente não. Tem erros. Tem
defeitos. Tem problemas. Mas é uma adaptação incrível. Consegue capturar
algo em torno de 90% do clima do livro. É grandiosa. É algo que eu
amaria ver no cinema, hahaha. Os personagens, no geral, foram bem
trabalhados, embora alguns tenham ficado tristemente mal caracterizados.
Na primeira parte temos o Aragorn – que ficou perfeito – a Éowyn e os
hobbits no geral. Na segunda, temos o Faramir, o Gimli e o Thelden. As
mudanças foram, em 95% dos casos, totalmente compatíveis e se encaixaram
no contexto do filme. Por exemplo, as sendas dos mortos: não ficou igual
no livro, mas ficou muito bom. A cavalgada dos Rohirrins, para fora do
Forte da Trombeta é uma das cenas mais pungentes e tocantes – um povo
investindo uma última vez para
permitir
que alguns se salvassem, a morte iminente… e depois o
salvamento.
Mas
nenhuma cena ultrapassa a chegada dos Rohirrins a Gondor.
“Levantem-se,
levantem-se, cavaleiros de Thelden!”. E sim, eu decorei os
três
filmes, versão estendida.



O
Hobbit
.

E
agora as pedras voarão. Ok. A melhor palavra que define o hobbit pra
mim
é “decepção”. E foi o pior tipo de decepção; eles não destruíram

totalmente, ah, não, tiveram essa misericórdia. O filme tem cenas ótimas.
Tem momentos tão perfeitos que fazem qualquer fã do mestre Tolkien ir para
as terras abençoadas. As canções. O início. são tantas cenas incríveis!
Sabe aquele bolo feito com seu chocolate favorito… mas com uma liga errada,
que deixa com um gosto ruim na boca? Pois é. Cenas ótimas, momentos
perfeitos… mas com uma ligação péssima. O andamento do filme é
arrastado e forçado. O acréscimo de alguns personagens deixa tudo ainda
pior. Não meramente por não existirem nos livros,
mas por destoarem totalmente do contexto e do estilo de
personagem.
Acrescentou-se muito drama onde não deveria e subestimou-se
todo o que
poderia ser aproveitado. Isso criou uma sequência de filmes que, embora
relacionados à Terra Média, embora muito bons em diversos sentidos, não
fizeram jus ao livro e não souberam captar o ponto. E aí as pessoas
dizem: “mas o Hobbit não era um livro como Senhor dos Anéis.” e
eu respondo: é óbvio! Então por que querer transformar um livro mais
infanto-juvenil que tem um ótimo andamento e aborda diversas coisas de
forma bastante interessante em um épico? Entendam, senhores defensores
do Legolas surfando no escudo e de mais um monte de coisas 
nesse
estilo, o Hobbit não é um livro épico. Não é essa a proposta. E o
filme
não deveria também.
Concluo
dizendo que assisti as duas primeiras partes e, sinceramente,
não estou
tão ansioso quanto poderia para a próxima.

TRG – Bem, deixo aqui um espaço pra você falar o
que quiser. Por mais que eu tente imaginar sei que só mesmo você e quem tem
essa limitação podem saber algo a colocar que seja importante dizer sobre o
assunto.

Felipe – Em
primeiro lugar gostaria de agradecer o convite e a oportunidade. Foi
realmente
bacana e eu gostei particularmente das perguntas. É
interessante
divulgar mais sobre esse tipo de coisa, porque o conhecimento é sempre o
melhor remédio contra a ignorância em qualquer nível e é bacana que
pessoas como você se interessem em fornecer este tipo de conhecimento.

Por
fim, galera, deficiente não é um bicho de nove cabeças. Se você tem
dúvidas,
realmente, em geral, só perguntar. Mas condescendência e
piedade não vão
resolver o problema de ninguém, na real, é meio irritante,
isso sim.
Superestimação também é bastante irritante. Fazemos o que podemos
dentro do que queremos com o que temos, como qualquer pessoa.

Bom é isso galera. Aqui termina a entrevista. Acho legal porque ilustrou bem muitas coisas que não vemos no dia a dia. E bacana como pessoas como o Felipe usam suas habilidades de fazer coisas se m enxergar para multiplicar esse benefícios para outros como ele mesmo citou como nos jogos para cegos. Espero que tenham gostado. Ah, só pra deixar claro a entrevista foi feita via mensagens no Face e ele escreveu (sim, não ditou) todas as respostas. Incrível, não? Eras isso então e não esqueçam…

Toma Rumo Guri!!