TRG NEWS – TRAILER VAZADO VINGADORES – GUERRA INFINITA

Alguém vazou o trailer de Vingadores – Guerra Infinita (Avengers – Infinite War) que foi exibido para uma seleta (pelo menos na cabeça deles, pois alguém deu seu jeitinho de filmar – ainda que porcamente) plateia na maior convenção nerd do mundo: A San Diego Comic-Con. O enquadramento não é dos melhores, mas dá para ver (SPOILEEEEER ALERT) o encontro do Thor com os Guardiões da Galáxia, o novo uniforme do Aranha e o Thanos botando para quebrar mesmo sem seu simpático elmo que lhe deixa mais apresentável. Eis o vídeo:

UPDATE: Qualidade um pouco melhor (bem pouco, mas o angulo é melhor haha)

Em breve a Marvel deve disponibilizar oficialmente em seu canal para não perder seus próprios views, além de, é claro, culpar a maldita Hidra por mais esse vazamento, rsrs.


O que acharam? Ansiosos?  Achei do caramba e os gritos dos presentes (agora ecoados pela plateia de internet) a cada aparição mostra o hype que já está virando. Pode vir Thanos…

TOMA RUMO GURI!!

Vai Teia!

Nesse finzinho da semana entrou em cartaz o novo fílme do Homem-Aranha e isso enterrou de vez todas as piadotas de internet que gozavam o fato de que o Cabeça de Teia não fazia parte do Universo Cinematográfico da Marvel e, por sua vez, dos Vingadores mostrando que nem mesmo os memes são eternos. Um acordo inedito entre a Sony (que comprou os direitos do personagem para os cinemas a preço de bala Juquinha na época que a Marvel quase faliu) e a Disney (Que tem se virado sem seus herois mais rentaveis e atrativos – Vide X-men e o Aranha – de maneira criativa ) possibilitou saciar o desejo dos nerds de ver um filme do Amigo da Vizinhança sob a visão mais apurada, pelo menos na maioria das vezes, da Marvel. Porém, infelizmente, por mais divertido que o filme seja em algumas partes ele não é o que todo fã do aracnídeo esperava ver.

Para comentar sobre esse filme gostaria de fazer um paralelo com uma amizade antiga que tive criando uma linha do tempo pessoal em cima das obras hollywoodianas do sobrinho da tia May. Cansamos de ver a trilogia do Aranha chorão do diretor Sam Raimi (2002-2007) nos Telecines da vida. Era uma fase de filmes de quadrinhos onde tudo era “novidade” e na época que foi lançado nos cinemas arrecadou dinheiro como pão quente na padaria numa segunda de manhã. Eram tempos mais inocentes e o público pagante não reclamava tanto, só o fato de ver o Peter Parker saltitando em uma tela gigante já era o bastante para receberem nossos agradecimentos e ficarem com nossos níqueis. Lembro que esse amigo e eu gostavamos desses três primeiros filmes porque era fácil de arrancar risadas ainda que não fosse a intenção do autor. Tinha um vilão esquisitamente robótico, um Peter Parker emo que chegava a dar aflição e as expressões faciais de Tobey Maguire que por sua jocosidade estão eternizadas pela rede mundial de computadores. Ainda assim tinham suas cenas brilhantes como a primeira teia arremessada no alto de um prédio (SHAZAM!) e o beijo invertido que virou ícone na história do cinema, quem diria. Graças a esse conjunto de elementos e a insistência da TV a cabo de só passar o segundo filme em seu catálogo o conjunto da obra no mínimo se torna bem quisto nem que seja forçadamente. Ainda que a 3ª película seja, sinceramente, horrenda. Mas foi a que mais faturou, vejam vocês…

A amizade já estava amadurecida e fomos presenciar quando o Homem-Aranha voltou as telas em 2012 com o ator Andrew Garfield vivendo um Peter Parker mais descolado e prafrentex. Troca-se Mary Jane e coloca-se o primeiro amor pra valer de Peter, Gwen Stacy, que na época era vivida por sua namoradinha na vida real, Emma Stone. O personagem principal (o próprio Aranha) era melhor que o esteréotipo chorão anterior, o grande problema era tudo a volta dele que destoava com qualquer coisa que fizesse um mínimo de sentido artístico seja visual ou de roteiro. O que é uma pena porque os 10 minutos iniciais do segundo filme da segunda trilogia vale pelo filme todo. Quer dizer, valeria, se fosse um curta. Seja como for de um jeito ou de outro conseguimos aproveitar a ida ao cinema principalmente porque era o auge dos memes comparando o fracasso do heroi nos cinemas com sua negativa de entrada no mega grupo dos Vingadores dando preferência até ao Mario Verde (SIC), risos.

O filme atual em cartaz (sob produção criativa da Marvel) flerta em vários momentos com elementos que considero chaves para ser um excelente filme do homem-aracnídeo: Um heroi bem humorado sempre disparando piadas tão rápidas quanto as teias que saem de seus lançadores, cenas mostrando suas habilidades sobrehumanas, a luta interior de Peter Parker de se mostrar digno de ser o guardião da cidade que nunca dorme que deposita nele sua fé (muito bem representada em todos as versões de filmes dele) e algumas referências aos quadrinhos como a lanterna em fomato de sua máscara que aparece tão momentanea e faz homenagem às primeiras histórias. Porém não é construido uma base forte (alguém disse teia?) para segurar as pontas e em muitos pedaços do filme realmente parece que o roteiro é aquele navio fatiado em um recursivo exemplo onde o diretor parece fazer força para não deixar nada naufragar.

Sabiamente não há uma história de origem nesse segundo reboot (ninguém aguenta mais ver o tio Ben morrer), mas não há uma explicação de como Parker ganhou seus poderes nem mesmo menções aos ensinamentos que seu parente lhe ensinara. Nem mesmo aquele pingo de culpa que move Peter a andar para frente está lá. Gosto muito da frase “Com grandes poderes vem grandes responsabilidades” (origem atribuída ao filósofo positivista Augusto Comte) e é um pecado não aplicá-la para a nova geração. Por mais que Tony Stark pareça fazer esse papel é sabido e nítido que o Robert Downey Jr. está ali apenas para alavancar as cifras dos ingressos vendidos. A tia May está um pouco perdida e quase tudo que se refere a ela são piadotas de que ela é um tanto quanto gostosa o que é muito errado quando se tem no imaginário aquela doce senhora septuagenária. Senti falta do sentido de aranha que não foi capaz nem de emitir o mínimo aviso nem mesmo quando um ônibus veio para cima do pobre garoto aremessado pelo Shocker. O Abutre até que está bem legal levando em consideração que o Mr. Adrian Toomes nunca foi lá um sujeito ameaçador, Michael Keaton levou bem o personagem levando-se em conta que já está acostumado com homens-pássaros vide a estatueta do Oscar descansando em cima de sua lareira. O filme mescla estilos e ritmos diferentes o que incomoda. No início dá um medo de que a película inteira seja do ponto de vista da câmera do blogueiro/videologueiro Peter Parker.

Porém se eu pudesse apontar apenas duas coisas que me frustraram no filme e que vejo como uma grande goteira que deixou escapar precioso tempo de filme eu diria que é o excesso de transformar o Aranha em uma espécie teen do Homem de Ferro descaracterizando totalmente o personagem que sempre se guiou apenas pelos seus sentidos, habilidades e senso moral e o segundo incomodo vem da descontinuação daquilo que acertaram. A cena do Aranha prendendo o ladrão de bicicleta é excelente. Cheia de piadas no melhor estilo HQ, mas depois não tem mais nada daquilo até os créditos. Idem para a cena dele salvando seus amigos em Washington DC e dando um salto acrobático fantástico, mas nunca mais fazendo nada parecido até as letras subirem. Queria ver ele passeando pelo alto dos prédios em Manhattan, mas a maioria das cenas nem edifício tem por perto. Em uma parte isso até mesmo isso vira piada interna. E olha que seria incrível ver mais cenas como a dele em cima do trem sob som dos Ramones. As referências do universo da Marvel (que acho que roubaram a vontade dos produtores de montar a própria mitologia do Spidey em seu filme) se resumem a origem dos artefatos dos vilões do filme que apontam para a tecnologia Chitauris e para piadotas do Tony Stark, Happy (segurança do Iron-Man) e em cima do Capitão América. Aliás a cena final pós-credito é daquelas que você ri, mas é uma risada nervosa porque ao mesmo tempo que é engraçada é uma troça em cima de um hábito que a própria Marvel incutiu em seus fãs. Mas vale a pena ficar até o fim sim, nem que seja para falar um palavrão para o Steve Rogers.

Dessa vez fui ao cinema sozinho, não faço ideia do que minha antiga amizade teria pensado sobre essa nova versão do escalador de prédio. Talvez justamente tenha faltado esse espírito gozador para colocar umas piadas internas no lugar certo e tornar o filme mais leve como é na essência o Homem-Aranha que ao vestir a máscara consegue rir a despeito de todos os problemas que enfrenta. Sei que tenho um lado crítico ferrenho, mas tenho orgulho de ter até hoje minha coleção de gibis antigos e empoeirados do Cabeça de Teia da época da Abril e Ebal, da Panini também vai (alguns). A edição mais preciosa que possuo foi presente dessa pessoa uma edição em duas parte, em inglês, da morte de Gwen Stacy. É uma estrada antiga de admiração e camaradagem. Ah, sim, falando nisso deixe-me explicar agora a razão do paralelo criado. O filme é legalzinho, okay, pipoca, estilo sessão da tarde. Você não perde seu dinheiro nem tempo, fique tranquilo. Vale as risadas, embora se tornem menos intensas. Aquela pessoa se foi faz algum tempo junto com a  minha paciência de esperar um filme do Cabeça de Teia que me deixe sair satisfeito do cinema. Mas a única certeza que temos é que figuras como Batman, Super-Homem e nesse caso o Homem-Aranha são heróis tão atemporais que vão ganhar trocentos reboots (novas versões) e para ceder aos apelos comercias e de gerações sempre vão se distanciar cada vez mais daquilo que conhecemos. Faz parte do jogo. Durante toda nossa vida veremos essas franquias sendo exploradas a exaustão e obviamente não nos agradarão. Iremos começar amizades, amadurecê-las e findá-las e em algum tempo até mesmo nós não estaremos mais por essas bandas e o looping eterno de filmes do aranha e companhia continuarão nas salas de exibições do mundo todo. Já estou considerando positivo o filme ser regular, conseguir me ganhar em boas partes e ter referências ao Curtindo a Vida Adoidado (Ferris Bueller’s Day Off, 1986) no mínino me faz não perder a fé na humanidade.

Meu amigo, espero que onde quer que você esteja, você tenha pelo menos achado as partes corretas para tirar um sarro.

Bônus: Para se despedir das ótimas piada do Homem-Aranha não fazendo parte do universo Marvel segue o LINK DOS MELHORES MEMES

 

Vai teia!

Saul Junior é criador e editor do site Toma Rumo Guri (www.tomarumoguri.com) e sempre vai achar que o Peter Parker ganhou na loteria do amor com a Mary Jane.