Entrevista com Felipe Veiga Ramos. Programador, fanático por Tolkien e… cego.


Felipe Veiga Ramos gosta de computação, Harry Potter, Game of Thrones entre outras coisas, mas não esconde sua paixão latente pelos livros de Tolkien. Ah, ele também é cego esqueci de dizer. Mas se você ficou espantado ou não entende como alguém que não tem o sentido da visão pode gostar de tanta coisa presta atenção nessa entrevista que fiz com ele sobre como é a vida de alguém que não enxerga, mas que não deixa de fazer as coisas que gosta. Confere aí o papo que tive com ele:   
Esse é o Felipe, posando na frente de um painel com um crachá de evento, e essa é a legenda de uma imagem que pode facilitar a vida de quem não enxerga. A dica é dele mesmo.
TRG – Felipe, lhe conheci em um grupo de Facebook
onde notei que você conhecia bastante sobre o universo de Tolkien. Deixe-me lhe perguntar:
Quais são seus gostos? Quais seus livros, filmes, séries favoritos? Deixe-nos
conhecê-lo um pouco melhor…
Felipe – No geral sou bastante eclético. Quanto a livros:
O Senhor dos Anéis – e todos os livros do Tolkien – ocupam o primeiro lugar numa
disputa acirrada com Crônicas de Gelo e Fogo, do Martin.
Harry Potter, Anita Blake, Os Cárpatos, Dark Hunters, Ayla, Saga da Herança e Crônicas de Matador do Rei, Crônicas Vampirescas e as Crônicas Mayfair são uma –
muito pequena – amostra dos meus gostos literários.
Quanto a séries, Game of Thrones, o Mentalista, CSI, Sobrenatural (até a 5a
temporada), Plantão Médico, The Fades, Mental, Lei e Ordem, Hanibal, Grey’s Anatomy, Além da Imaginação e American Horror Story estão na lista.
Para filmes, gosto bastante de assistir adaptações de livros que li e filmes em
geral de terror e suspense.

TRGVocê tem um gosto admirável. Porém você tem
uma particularidade que lhe exige mais esforço do que a maioria: Você é cego.
Primeiro, se me permite perguntar, você perdeu a visão aos poucos ou nasceu sem
enxergar?
Felipe – Mais esforço é algo meio relativo,
hehe. E
nfim, fiquei cego com um ano e meio, tive câncer na retina. perdi de forma
gradativa, mas rápida. Claro, como era muito novo não lembro de absolutamente nada.
TRGEntendo.
Quando tomam conhecimento que você lê livros e tem uma vida bem ativa
em redes sociais (como Facebook) devem ficar bem espantadas, pois a
maioria das pessoas desconhece ou não param pra pensar que existem
muitas outras maneiras de adquirir conhecimento ou se divertir. Você
poderia nos contar um pouco de como funciona para você? Você lê em
braile ou usa um software que recria a fonética das palavras para você
acompanhar via áudio?
Felipe – Eu
utilizo o braille normalmente. fui alfabetizado usando braille. No
entanto uso muito mais o computador, logo utilizo muito mais leitores de
telas. Hoje em dia quase não leio livros em braille pra ser franco,
mais com auxílio do NVDA – um leitor de telas, mesmo.
 


 

TRGNVDA
é um programa gratuito? É fácil a adaptação a ele? Quanto ao braile
imagino que não deva ser fácil encontrar muitos títulos da literatura ou
estou enganado e as coisas mudaram ultimamente?
 

Felipe Bem,
vamos começar pela segunda parte: o braille é incrível, mas um pouco
cansativo, hehe. Infelizmente realmente existem poucos títulos da
literatura. Um grande problema do braile é uma questão de volume. Harry Potter e o Cálice de fogo, por exemplo, tem acho que 12 ou 16 volumes.
Imagina guardar isso em casa. Não sei bem como está agora, já que não
tenho acompanhado de perto.

O NVDANon Visual Desktop Access – é um leitor de telas
gratuito e, ainda melhor, open source, ou seja, o código fonte do programa é
disponível para quem quiser colaborar, editar, alterar, reenviar, etc. Não é o único, mas é meu favorito de longe. Quanto à
adaptação, bom, acho que isso vai de pessoa pra pra pessoa. No geral, eu achei
fácil. Mais fácil que o Jaws – que é pago.
TRG Como funciona para você usar a internet?
Como você diferencia, por exemplo, no Facebook o que é uma conversa em privado
de um status na linha do tempo sem enxergar os ícones? Também gostaria de lhe
perguntar se a linguagem informal e abreviada usada em larga escala na internet
dificulta muito o seu entendimento. Ah, e claro, como funciona os emoticons.
Notei que você os usa tranquilamente.
Felipe Bem, como diria Jack, o estripador,
vamos por partes.
O Facebook tem regiões relativamente específicas. Se estou na área de mensagens,
tenho mensagens, na atualização do feed, tenho notícias – sejam status ou
grupos. Pra facilitar, eu, em particular, prefiro acessar pelo endereço para
dispositivos móveis do facebook, que acho mais limpo: m.facebook.com.
Quanto ao internetês, já fui adepto do uso parcial – vc, pq. – mas, conforme
cresci um pouco e isso passou realmente a me incomodar, cheguei a conclusão de
que se vou me dar ao trabalho de escrever algo deveria ser minimamente bem
escrito.O internetês realmente atrapalha muito. tem coisas que se tornam virtualmente
ilegíveis por isso. a falta de acentuação também é triste.
Emoticons: eu uso porque conheço os símbolos – sei o que cada um significa –
porque já tive curiosidade, já li sobre e afins. mas nem todos obviamente usam.
Nota do editor: Nesse momento o TRG ensinou o emoticon §=D (que significa um cara sorridente com um cabelo gozado.
TRGQuando
você assiste algum filme você gosta de conversar com amigos que lhe
comentam o cenário e algumas situações que lhe complementam as falas dos
personagens ou prefere apenas sentir aquilo que consegue captar através
do som, da emoção, etc? Há ainda algumas produções especialmente para
quem é cego, as audiodescrições, onde um narrador descreve a cena que
acontece na tela. Você costuma assistir obras assim? Acha legal?
Felipe Via de regra gosto sim, de assistir
com algum amigo, mas de preferência que entenda do tema, hehe. nem sempre é
possível. Audiodescrições são legais, exceto quando tratam o cego como alguém com
problemas cognitivos e querem descrever tudo com excesso de informações, tirando
a graça – já que você não pode nem ouvir mais as as outras partes do filme.


TRGVocê
faz faculdade certo? Soube que você é Cientista da Computação… Você mexe com
quais linguagens? Muitas pessoas praticamente enlouquecem tentando achar um
erro no código e ficam por horas observando os algoritmos… Poderia comentar
como você lida com isso? E pensa em desenvolver softwares que tragam facilidade
a quem também é cego?
FelipeBem,
estou no processo para ser, haha.
Curso atualmente o quarto semestre dos
oito necessários. Antes desta faculdade
já havia feito um curso técnico
integrado – em conjunto com o ensino médio – então já tinha alguma noção
sobre a área. Quanto as linguagens de programação, programo em Python,
Java, C, me viro com o C++, estou aprendendo R no momento e também uma
linguagem de programação específica para a criação de audiogames, ou
seja, jogos focados no áudio, para cegos,
chamada BGT.
Quanto a encontrar erros, bem, não existe nenhum segredo
além da
prática
e da leitura. É praxe nas linguagens de programação
quando
ocorre um erro na sintaxe – forma de escrever ou em tempo de execução
informar onde – que linha, bloco, etc – ele ocorreu e fornecer algum
tipo de informação. Cabe ao programador saber interpretar isso. Nesse
aspecto não creio que eu tenha maiores dificuldades do que qualquer
outro. Quando o erro é lógico estamos todos no mesmo barco.
Claro que existem muitos facilitadores – IDES (acréscimo, em inglês, para
ambiente de desenvolvimento integrado, que são programas que
possuem ferramentas para auxiliar o programador) – que muitas vezes não
são de todo – ou de qualquer modo – acessíveis. Mas um compilador ou
interpretador, um editor de texto, café, paciência e vamos lá.
Há que se fazer jus no entanto, o Eclipse, por exemplo, e bastante
acessьvel e possui uma ampla gama de facilitadores. Assim como ele,
outros dioutra outras IDES também são.
Quanto a softwares, pretendo, com um pouco de sorte e tempo
ingressar no mundo dos audiogames até o fim do primeiro bimestre de
2015. Outros softwares, mais sérios, por assim dizer, também também
virão.
TRG – Pode falar um pouco mais do BGT?
Felipe – O BGT, é uma linguagem de programação mesmo. baseada em C++, Java e Python – um pouquinho – cujo foco é criar audiogames, então tem muita
coisa voltada pra som e tals.

ela é interpretada. Pode descobrir mais procurando por Blastbi game toolkit.
TRGHoje em dia muitos sites estão migrando
para formatos mais dinâmicos como formatos de vídeos, porém muitos também
abusam de imagens, gifs e outros formatos que devem dificultar o acesso. Você
poderia listar quais problemas enfrenta na grande rede? E como sites poderiam
facilitar a vida de um usuário cego? Eu mesmo começo a pensar que nunca pensei
dessa forma para ajudar embora tenha muito texto no site…
Felipe – É
um pesadelo, pra ser gentil.
E frustrante pra caramba abrir algo pra ler
e ler algo do tipo “comprei
o
livro da foto, o que vocês acham?” – muito comum em grupos de livros no
Facebook por exemplo.
É
frustrante, porque perdemos informações interessantes e, dependendo do
contexto,
mesmo necessárias. Eu admito ser meio antiquado embora vídeos
até sejam
ok – se quem o montou não ficar só apontando mensagens – sou um grande
amigo dos textos. O chato é que, em geral, pouco trabalho

seria
necessário pra resolver isso: uma descrição da foto de acordo com
o
contexto já seria mais que suficiente. Explico o contexto: como no
caso
do meu exemplo, custa colocar o nome do livro e do autor? Pequenas medidas
como esta são extremamente simples e benéficas. Recentemente a
universidade onde estudo decidiu, em votação unânime, por abandonar os
copos plásticos no restaurante universitário em favor de canecas
individuais e houve uma votação para a escolha, entre treze artes.
Todas eram imagens. Obviamente eu enviei mensagens ao DCE –
responsável
pela organização da votação – solicitando descrições para as
13. Em mais
ou menos três dias recebi um arquivo contendo todas as descrições, por
sinal, muito bem feitas – obrigado, galera do DCE! Agora, teria sido bem
mais simples se, no início, solicitassem a foto e uma descrição, e em
seguida publicassem ambas: cada um que fizesse sua caneca já teria que
enviar a descrição. É um trabalho conjunto: quem fez deveria pensar,
quem publicou também.. como de primeira isso não houve, quem precisa –
no caso eu – foi atrás e conseguiu resolver o problema. Quantas vezes,
em sites, deixo de poder usar algo – muitas vezes todo o 
site
– porque as pessoas insistem em, por exemplo, colocar botões em
imagens
sem texto ou explicar tudo por imagens.

TRG – Hoje em dia muitas leis começam a lembrar
das pessoas com algum tipo de deficiência e o poder público cria leis específicas tentando
minimizar qualquer dano que o Estado possa causar. No caso dos cegos como você
analisa a situação atual? O que o governo pode fazer para melhorar?

Felipe – É um movimento bastante importante.
Lembrar é bacana, mas apenas
lembrar não é suficiente. Por exemplo, nós
temos uma lei bacana sobre livros – artigo 46 da lei 9610, se não me
engano – que diz que é permitida a cópia de qualquer livro ou trabalho
artístico ou científico para qualquer formato que possamos ler sem
violação dos direitos autorais. Mas conseguir um livro, oficialmente, de
uma editora,
acessível?
Difícil.
O governo precisa parar de se preocupar em criar facilitadores
fakes –
tipo
encher de cotas – e sim realmente propiciar acesso as coisas para

os
cegos – e deficientes em geral. Noto que esse processo já iniciou, mas
temos
muito que caminhar nesse sentido.

TRG – Estranhamento, no momento que lhe conheci,
alguém que enxergava criou uma pequena confusão em um grupo sobre não ter
entendido que você era cego, mas respondia o que ele dizia e até comentava
sobre o assunto em questão. Você sofre algum tipo de preconceito mesmo nos dias
de hoje com toda tecnologia a nosso dispor?
Felipe – Preconceito
existe. É babaquice dizer que não. Não posso dizer que eu
tenha
grandes problemas com preconceito, em geral. É mais com diferentes
graus
de ignorância – variando do “não sabia” até o “você é um
mentiroso,
cego só pensa se der corda puxando a orelha três vezes!!!”.
  
TRGNotei que você é um grande fã de Senhor dos
Anéis
e todo o mundo da Terra Média. Podemos falar um pouco disso? Conte-nos
dos teus gostos, teus personagens e livros favoritos criados por Tolkien.
Felipe – Então deixa eu começar sendo fã babaca: Terra Média somente não, Arda. Sou fascinado pela mitologia do mestre
Tolkien. O Retorno do Rei e o Silmarillion competem fortemente pelo
primeiro lugar pra mim. As obras de Tokien são, antes de tudo, outro
mundo. Um mundo diferente pra caramba – cheio de seres estranhos, nas
palavras do próprio – mas tão parecido com o nosso. Cheio de coragem e
covardia, honra e baixeza, amor, ódio.. acompanhar toda sua história é
quase como poder assistir os
acontecimentos
em um outro mundo. Há muito para se aprender aqui para
quem quiser… ou
horas de diversão para quem não quiser ir além.
Gosto bastante das
diferenças entre os povos. Gosto de articular dos Rohirrins. Existe uma
melancolia presente nas obras de Tolkien, um tom

de
finitude que toca fundo.
Tolkien criou um mundo tão complexo que é
possível – e bem fácil – se

perder
nele. Leio muito. Gosto de muitas obras. Conheço vários autores.
Leio
desde J.K. Rowling à George Martin – que acho fodasticamente foda
também
-, Christopher Paolini a Sherrili Kenion, Nora Robberts e Sidnei Sheldon,
Agatha Christie a Homero, Nietzsche a Platão. Mas Tolkien pra mim é único e tem
um patamar elevado só dele.
TRG – Ah, o que achou dos filmes, (risos).
Felipe E você pergunta isso sem me dar um escudo
de corpo antes?

Ok,
vamos lá.
Vamos começar pela trilogia grandiosa e fodasticamente foda do
anel.
Incrível. excelente. Perfeita? Definitivamente não. Tem erros. Tem
defeitos. Tem problemas. Mas é uma adaptação incrível. Consegue capturar
algo em torno de 90% do clima do livro. É grandiosa. É algo que eu
amaria ver no cinema, hahaha. Os personagens, no geral, foram bem
trabalhados, embora alguns tenham ficado tristemente mal caracterizados.
Na primeira parte temos o Aragorn – que ficou perfeito – a Éowyn e os
hobbits no geral. Na segunda, temos o Faramir, o Gimli e o Thelden. As
mudanças foram, em 95% dos casos, totalmente compatíveis e se encaixaram
no contexto do filme. Por exemplo, as sendas dos mortos: não ficou igual
no livro, mas ficou muito bom. A cavalgada dos Rohirrins, para fora do
Forte da Trombeta é uma das cenas mais pungentes e tocantes – um povo
investindo uma última vez para
permitir
que alguns se salvassem, a morte iminente… e depois o
salvamento.
Mas
nenhuma cena ultrapassa a chegada dos Rohirrins a Gondor.
“Levantem-se,
levantem-se, cavaleiros de Thelden!”. E sim, eu decorei os
três
filmes, versão estendida.



O
Hobbit
.

E
agora as pedras voarão. Ok. A melhor palavra que define o hobbit pra
mim
é “decepção”. E foi o pior tipo de decepção; eles não destruíram

totalmente, ah, não, tiveram essa misericórdia. O filme tem cenas ótimas.
Tem momentos tão perfeitos que fazem qualquer fã do mestre Tolkien ir para
as terras abençoadas. As canções. O início. são tantas cenas incríveis!
Sabe aquele bolo feito com seu chocolate favorito… mas com uma liga errada,
que deixa com um gosto ruim na boca? Pois é. Cenas ótimas, momentos
perfeitos… mas com uma ligação péssima. O andamento do filme é
arrastado e forçado. O acréscimo de alguns personagens deixa tudo ainda
pior. Não meramente por não existirem nos livros,
mas por destoarem totalmente do contexto e do estilo de
personagem.
Acrescentou-se muito drama onde não deveria e subestimou-se
todo o que
poderia ser aproveitado. Isso criou uma sequência de filmes que, embora
relacionados à Terra Média, embora muito bons em diversos sentidos, não
fizeram jus ao livro e não souberam captar o ponto. E aí as pessoas
dizem: “mas o Hobbit não era um livro como Senhor dos Anéis.” e
eu respondo: é óbvio! Então por que querer transformar um livro mais
infanto-juvenil que tem um ótimo andamento e aborda diversas coisas de
forma bastante interessante em um épico? Entendam, senhores defensores
do Legolas surfando no escudo e de mais um monte de coisas 
nesse
estilo, o Hobbit não é um livro épico. Não é essa a proposta. E o
filme
não deveria também.
Concluo
dizendo que assisti as duas primeiras partes e, sinceramente,
não estou
tão ansioso quanto poderia para a próxima.

TRG – Bem, deixo aqui um espaço pra você falar o
que quiser. Por mais que eu tente imaginar sei que só mesmo você e quem tem
essa limitação podem saber algo a colocar que seja importante dizer sobre o
assunto.

Felipe – Em
primeiro lugar gostaria de agradecer o convite e a oportunidade. Foi
realmente
bacana e eu gostei particularmente das perguntas. É
interessante
divulgar mais sobre esse tipo de coisa, porque o conhecimento é sempre o
melhor remédio contra a ignorância em qualquer nível e é bacana que
pessoas como você se interessem em fornecer este tipo de conhecimento.

Por
fim, galera, deficiente não é um bicho de nove cabeças. Se você tem
dúvidas,
realmente, em geral, só perguntar. Mas condescendência e
piedade não vão
resolver o problema de ninguém, na real, é meio irritante,
isso sim.
Superestimação também é bastante irritante. Fazemos o que podemos
dentro do que queremos com o que temos, como qualquer pessoa.

Bom é isso galera. Aqui termina a entrevista. Acho legal porque ilustrou bem muitas coisas que não vemos no dia a dia. E bacana como pessoas como o Felipe usam suas habilidades de fazer coisas se m enxergar para multiplicar esse benefícios para outros como ele mesmo citou como nos jogos para cegos. Espero que tenham gostado. Ah, só pra deixar claro a entrevista foi feita via mensagens no Face e ele escreveu (sim, não ditou) todas as respostas. Incrível, não? Eras isso então e não esqueçam…

Toma Rumo Guri!!


 

 

 
   

Leitura Nerd – ‘Salem


‘Salem
Editora:Ponto de Leitura
Páginas: 576
Autor:
Stephen King
Antes de mais nada peço desculpas pelo spoiler, mas é
tradição na tradução desse livro no Brasil que antes mesmo que você abra a capa
você fique completamente por dentro de que é um livro de vampiro.  Truque de marketing barato que não se importa
muito com a experiência da leitura, mas sim no vil metal. Enfim, isso acaba não
importando tanto assim (Embora seria muito mais legal se eu tivesse embarcado
as cegas, confesso – A versão que eu li se chamava a Hora do Vampiro (Objetiva) e mesmo nesse título relançado mais bacana consta na capa “Anteriormente publicado como…”).
Esse na teoria é o segundo livro de Stephen King conforme
manda o cânone do mestre do terror, mas na verdade não é bem assim. Depois da
história de Carrie (aquela, a Estranha) ele escreveu pelo menos mais dois
romances. Na verdade ‘Salem (Nome original) é lá pelo quarto ou quinto livro do
tio King. Mesmo assim verdade seja dita: Vai escrever bem e construir
personagens lá na pqp. Você fica um pouco confuso no início, pois nos é
apresentado na trama um menino e um homem. Não são parentes, mas ao mesmo tempo
tem uma ligação forte baseada na proteção mútua e em algum medo. Então é descortinado
a história de uma cidadezinha de interior chamada “’Salem Lot” cujo nome se
originou de, pasmem vocês, uma porca gorda de um, provavelmente, mais gordo
ainda fazendeiro. Stephen King dá vida para toda uma população de uma cidade
fictícia que iria aparecer em outros contos dele.
Ben Mears é definitivamente o personagem principal. Escritor de
livros populares e com crítica dividida (lembra alguém? Aliás foi  o primeiro de todos os personagens colegas de
profissão que King daria vida) cujo uma fantasia surreal na infância lhe leva a
cidade onde passou parte da infância com o objetivo de escrever um novo livro e
de quebra expurgar alguns demônios pessoais de sua mente. Porém ele chega em um
péssimo momento, pois há duas novas pessoas na cidade que reativam o mal do
símbolo de tudo que é ruim na cidade: A casa Marsten.
Toda cidade interiorana tem um lugar assim. Um símbolo de
todo os temores da juventude, um lugar macabro rodeado de histórias
fantasmagóricas. E esse lugar no livro ocupa uma posição de destaque sendo um
dos pontos elaborados para King ocultar o mal até a hora certa.
Susan é uma luz para os olhos abatidos em um ambiente que
vai se tornando tão hostil. Tão doce, mas também tão teimosa. Desprendida do
alto moralismo de cidades interioranas e decidida acaba se envolvendo com Ben
apesar dos apupos de sua mãe. Além dos dois você conhecerá muita gente, pois
para o livro funcionar Stephen tem  que dar
personalidade e vazão diferente para muitas personagens dando um contexto para
uma cidade realmente viva. Você precisa temer por cada personagem.
Há também um professor que curte um bom rock’n’roll e capta
as coisas de primeira (ele é praticamente o dono das regras, todo filme de
vampiro ou aberrações fantásticas tem um), um padreco que oscila em sua fé e um
médico que não adiciona lá muita coisa na história, mas por fazer parte do time
você agrega de boa. E um garoto que é simplesmente um gênio como geralmente o são os infantes das tramas do Stephen.
Pessoas começam a morrer na cidade, inclusive duas crianças e um cachorro que são o estopim, e Ben junto com um novo empreendedor na cidade viram o foco da polícia por serem visitantes de uma cidade tão pacata.
O lado do mal é previsível. Se vampiros infestam a cidade sempre
há um cabeça por trás de tudo e nesse caso – – – – – – – – – –  A partir daqui começam os spoilers, pule para
a parte preta que onde estiver vermelho tem revelações de trama. Eu avisei… – – – – – – –
esse homem é Barlow, o vampiro-mor. Eu imagino ele usando uma cartola, não
lembro se de fato ele usa (risos), e ele até é um cara casca grossa (páreo impossível para um humano), mas a luta
final acaba sendo meio brochante o que é costumeiro  vindo de Stephen King. Não falo nem em
questão de conclusão insatisfatória, mas em casos de poderes tão discrepantes
entre os dois lados ele sempre opta por uma maneira de solução menos épica e
mais embasada na realidade, mas também bem chatinha. Vencer escondidinho. Mas
talvez não houvesse outro jeito.
Outra coisa que não desce na garganta é uma das mortes do
livro. Não revelarei quem é (mesmo sendo uma área de spoiler) para não estragar
a surpresa dos curiosos, mas assim como em Celular (dele também) é uma daquelas
perdas que demoram pra digerir. Seja como for pelo menos faz sentido diferente
da morte mencionada no livro de zumbis de SK que parece ser uma das piores
mortes já provocadas do nada pelo tio King.

‘Salem, ou o A Hora do Vampiro, é um livro divertido e
difícil de largar. As partes mais chatas são as que envolvem a cidade como um
todo, suas rotinas e costumes, e as mais legais são a cada revelação de quem são as criaturas habitantes
da casa Marsten.  Vale muito a pena a
leitura e ver qual é a versão dos dentudões segundo o mestre do terror moderno.
   
Ah, as cenas dos vampiros voando pela noite e arranhando as vidraças como cachorros cavocando a terra é de arrepiar, haha. Sim, King mantém a tradição de que um vampiro só pode entrar se for convidado, mesmo que ele esqueça disso durante alguns pedaços do livro. O livro deixa margens para continuação e o próprio SK já pensou em fazer uma história a partir de um dos membros do grupo que citei, mas aparentemente abandonou essa idéia para sempre.
Toma Rumo Guri!!

Comic Con Experience e um final de semana nerd – Por Karol

Final de semana mais nerd do ano.

O final de semana foi marcado de eventos para quem é fã de fantasia, sci-fi e todo o universo que o cerca!
Na sexta feira tive a oportunidade de comparecer ao Caixa Belas Artes (antigo Cine Belas Artes) em São Paulo. Lá enfrentei a maratona dos três filmes que compõem a obra O Senhor dos Anéis, dirigidos pelo incrível Peter Jackson. Com pausa de 15 minutos entre os filme, às 5h10 da manhã O Retorno do Rei era exibido novamente nas telas do cinema. Outras salas exibiam O Hobbit e um dos filmes da trilogia O Senhor dos Anéis. Eu optei pela trilogia completa, já que era a que eu tinha visto há mais tempo nas telonas.
Sobre o cinema, eles fizeram uma produção bem interessante. A sessão começou às 22h30, porém, antes tivemos um pocket show da banda Olam Ein Sof. Eles cantam uma música bem diferenciada, adorei o som deles e a voz da Fernanda Ferretti é poderosíssima.




Salientar somente que o cinema demorou um pouco mais do que o combinado para começar o filme e o mesmo ficou sem som por quase 1 minuto durante o inicio do filme. Mas fora isso, correu tudo bem. Grandes agradecimentos à Caixa Belas Artes pela oportunidade de ver novamente Senhor dos Anéis no cinema.

Depois dessa incrível maratona e de um lanchinho oferecido pelo cinema, partimos para a Comic Con Experience!

Não fosse pelo fato deles terem errado alguma coisa no sistema e só termos entrado 3h depois do inicio do evento, tudo teria ocorrido muito bem.
O evento tinha muita, muita coisa interessante, de stands a lojas. Não vi nenhum desconto que mereça destaque e as filas estavam imensas.
Dos stands que merecem destaque, tive a oportunidade de testar um óculos de realidade virtual da escola de cinema Melies. A fila estava imensa mas valeu a pena. Para mim, que jogo videogames desde sempre, pensei que não seria uma experiência assim tão incrível. E FOI. Aos que tiverem oportunidade de testá-lo, não percam! 😀

Prosseguindo me deparei com O Trono de Ferro no stand da Editora Leya. Aproveitei para tirar uma foto e sentar um pouco,

Uma surpresa foi que não vi tantos cosplays quanto imaginava e a quantidade de pessoas dificultava tirar mais fotos. Achei esses dois no stand incrível do Mad Max!

Teve até tempo de passar pela TARDIS!

Como grande fã da obra de Tolkien, gastei um bom tempo no stand do lançamento do filme O Hobbit – A Batalha dos Cinco Exércitos.

Terminei meu sábado encontrando com uma ótima escritora, a Carolina Munhóz, sobre o lançamento do seu quarto livro, “O Reino das Vozes que Não se Calam”. Aproveitei para conversar um pouquinho sobre sua carreira em ascensão e garantir um livro autografado!

Assim se encerrou minha primeira cobertura de evento para o TRG. Sem muita experiência e sem tanta cara de pau, espero me sair melhor das próximas vezes. Obrigada ao TRG pela oportunidade o/

Me encerro na segunda feira com alguns minutinhos de bate papo e autógrafo do ilustríssimo Timothy Zahn, escritor de vários livros do universo Star Wars. Ele esteve na Comic Con Experience, mas não consegui conhecê-lo. Fiquei sabendo que ele estaria na FNAC do Shopping Dom Pedro em Campinas e foi para lá que fui para termos esse encontro.

Até a próxima aventura, pessoal!

Toma Rumo Guri!!

Chaves Morreu.

Pipipipi…
É com o choro do Chavinho que me despeço de uma das figuras que mais impactaram minha vida, de um ser iluminado que sabia espremer genialidade de cenas simples e aparentemente toscas. Bobas, diriam alguns.Mas que acompanharam nossa infância e adolescência ( por que não vida adulta?) e introduziram no nosso dia a dia frases e bordões que jamais morrerão ao contrário da vida humana que é ínfima e frágil e que não sabe diferenciar os bons dos maus, muito menos aquelas pessoas que vieram de fábrica com uma luz que não apaga.
Peço desculpa pela chamada, mas essa frase inúmeras vezes foi veiculada através de boatos pela internet. E como queria que continuasse sendo só isso. Mas dessa vez nosso astro parte (como um aerolito) para o desfecho de sua obra mais importante: Sua vida.
Nascido em 1929 ele é apenas um ano mais velho que o Mickey Mouse e no Brasil muito mais conhecido e adorado. O mexicano que leva como alcunha uma corruptela do nome do escritor mais conhecido do mundo cativou muitas gerações que por uma inexplicável empatia viverá para sempre nos corações amarelos que ostentam um enorme CH. Chesperito leva uma vantagem sobre Shakespeare. Ele foi uma lenda que pudemos ver. Sabemos que tudo que escreveu realmente é dele. Não aparecerá ninguém tentando nos convencer de que ele é uma invenção e seus escritos são a coletânea de muitos escritores. Não, nós tivemos a honra de sermos contemporâneos de Roberto Gómez Bolaños.
Criou muitos personagens, mas os mais conhecidos eram duas pessoas de personalidades ímpares nesse mundo e que facilmente se confundem com uma realidade bizarra tamanho o grau de incorporação em nossa cultura dita pop:
CHAVES – O garotinho pobre, mas de bom coração que vivia em encrencas graça a seu modo atrapalhado de ver o mundo. Um menino sem nome que habitava em um barril enquanto não estava na casa número 8. Que dividia seus sanduíches roubados de festa com o Seu Madruga, que gostava de brincar de carrinhos (que na verdade era uma caixinha de sapato) no meio da terra e que sonhava em ter uma plantação de carambolas que lhe deixariam rico o suficiente para trocar todo o dinheiro adquirido por um sanduíche de presunto.
Chapolin – Um herói humano. Não do sentido terrestre, mas do sentido de homem com suas falhas e virtudes. Cheio de boa vontade, mas também de covardia. Um herói real que transparece a sinceridade pura das pessoas. Ele e suas anteninhas, sua marreta biônica e seu escudo em forma de coração (com aquela musiquinha da hora) enfrentavam qualquer perigo desde que pudesse dar com os sebos nas canelas caso fosse necessário. Era feio pra caramba, mas o que importava é que tinha saúde.
Morreu em sua casa em Cancún e por mais que sua causa ainda não tenha sido veiculada há tempos que sua saúde era frágil e débil devendo sua respiração à aparelhos. Finalmente seu organismo fechou a conta e deixou ele descansar colhendo o descanso merecido por seu trabalho excessivo. Ele nunca parou de escrever. Até os últimos anos continuava com sua paixão pelas letras e pelas pessoas.
Lamento ter que dizer que deixei passar a chance de lhe conhecer.
Foi sem querer querendo que a vida lhe colocou em nossos caminhos, Roberto, graças a uma aposta do Silvio Santos em colocar no ar um enlatado mexicano mal feito que veio de brinde com algumas novelas da Televisa, mas não foi sem querer querendo que você conquistou nosso coração. Vá com Deus e saiba que continuaremos assistindo para sempre em loop seus programas e repetindo suas gags e sabendo as falas de cor, rindo, e para sempre lhe acompanharemos pois você nos ensinou bem a lição de que os bons devem lhe seguir. Adeus amigo de alegrias, aliás… até logo, pois não diremos adeus jamais.
Não contavam com sua astúcia. Essa homenagem não ficou uma “nossa mas que homenageeeem lindaaaa, mas foi…”, kkkkkk. Até aqui fica o legado de suas piadas.
O mundo ficou mais triste. Mais sem graça. Risos apenas ecoam como uma claquete no fundo de um de seus programas.
E agora quem poderá nos defender?

prometemos despedirmos
sem dizer adeus jamais
Pois haveremos de nos reunirmos
muitas vezes mais… Nas adoradas reprises.

Toma Rumo Guri!!

Mundo TRG – Debi & Loide 2

Bem-vindos a mais um Mundo TRG! Hoje falarei sobre o filme Debi & Loide 2 (Dumb & Dumber To) que traz de volta a estupidez sem limite do Lloyd e do Harry (conhecido por aqui como “Debi”, como se isso fosse um nome…) para nossa alegria e para garantia de nossas risadas. A continuação de um filme que marcou a infância de muitos frequentadores de locadoras, huhu. Assiste aí:

Curtiu? Gostou? O que achou do filme? Reparta sua opinião…

Toma Rumo Guri!!

Toma Rumo Guri Show – 60ª Feira do Livro de Porto Alegre

Bem-vindos a mais uma edição do TRG Show que acontece dentro da maior feira de literatura a céu aberto da América Latina (pelo menos é o que me disseram, huhu). Conversamos com muitos leitores, autores e curiosos pelo fantástico mundo das letras. Sempre sem script puxamos um papo informal, informativo e com humor sobre tudo. E ah, depois do Repórter 3 Perguntas onde através do e-mail entrevistei ela, foi muito gratificante entrevistar a Martha Medeiros dessa vez ao vivo e a cores. Ela é uma simpatia de pessoa. Então assistam aí o conteúdo de hoje e não esqueçam de comentar, indicar pro seu amigo, sua avó, sua amante e me mandar dinheiro.

Tive que cortar muita coisa (inclusive umas 4 entrevistas inteiras que não foram para o ar), mas que, talvez, poste em um especial Sem Cortes. Também quero postar as melhores entrevistas desse mesmo modo. Obrigado por nos acompanhar até aqui.

Toma Rumo Guri!!

O Juiz (The Judge)

Homem de Ferro jurídico. Sim, a resenha de hoje fala de um filme onde RDJ interpreta um playboy fanfarrão que é gênio em sua área, conquista todas as garotas em um raio equivalente a extensão de seu orgulho e tem problemas, sérios, de relacionamentos com seus consanguineos. O Juiz (The Judge, no original) mostra um personagem que Robert já está acostumado a interpretar, um cara canastrão, e por mais que o adoremos vê-lo nessa perspectiva de arrogância mesclada com humor paspalhão fica a pergunta se personagens com essa fachada não o tornam de certa forma repetitivo e lhe limitam no desafio de uma atuação. Enfim, tirando esse fato, que não vai incomodar a maioria das pessoas (inclusive a mim, passa fácil no meu maleável senso de gosto cujo único requisito é me conquistar), 
O Juiz traz um filme emocionante ainda que dentro de um filme clichê de advocacia.
Por muito tempo os filmes e seriados de escritórios de advogados (Como os de Joe Pesci e, claro, senhorita Mcbeal) conquistavam uma fatia imensa do mercado de telespectadores. Eram cenas com mudanças drásticas de roteiro que realmente deixavam as pessoas na ponta da cadeira esperando qual seria a próxima revelação tirada da maleta da defensoria. Esse tempo porém passou e só ficou a saudade de quando esse tipo de roteiro ainda nos prendia a atenção. 
Apesar dessa enxurrada de “defeitos” a película é deliciosa e você realmente não sente o tempo passar do primeiro até o último frame. Os personagens são muito bem elaborados e mesmo os menos profundos são trabalhados para ao menos não serem ocos. Aborda vários problemas que qualquer classe social pode vir a passar por mais que mascarado por um mundo dos negócios formais da elite americana. Tudo isso com um banho de talentos de RDJ e de Robert Duvall (dobradinha de Roberts, rsrs).
Hank Palmer (Downey Jr.) é um advogado estrelinha megalomaníaco de uma grande cidade cuja única alegria verdadeira resida nos vagos tempos com sua pequena filha. Enfrentando um início de divórcio, uma traição sem importância e sua rotina nos tribunais que lhe tomam toda sua atenção ele recebe a notícia de que sua mãe falecera. E é através desse óbito que um portal para sua antiga vida em uma pacata cidade de interior se abre trazendo as alegrias vividas em uma vida com menos responsabilidades e um medo e ressentimento da frágil relação mantida com seu pai, que por acaso é o juíz do pacato distrito.
Hank tem 2 irmãos cada um deles com suas particularidades. O maior possuía um grande talento esportivo e teve sua carreira finalizada por um acidente provocado pelo filho rebelde e o menor aparenta traços de altismo e sendo assim vive em uma certa desconexa realidade colocando seu pouco senso de atenção na paixão pelas filmagens. Ao voltar a cidade pequena onde cresceu logo o advogado lembra porque deixou pra trás tudo que tinha ao se digladiar ferrenhamente com seu pai. Decidido a nunca mais voltar de vez um fato inesperado lhe obriga a permanecer no lugar: Seu pai cometeu um crime e vai a juri popular por assassinato.
Vemos um filme com inúmeras cenas engraçadas que servem como alívio para as com forte apelo dramático. Somos pegos por um enredo que criar problemas sequenciais em escalas muito bem graduadas. Inclusive a debilidade da saúde do juíz vai nos sensibilizando e enchendo nossos olhos com lágrimas. 
Também tenho que mencionar a excelente atuação de Vera Farmiga que está cada dia mais bonita e é uma bela MILF. Huhu…
É um filme dentro de outro filme. Se você quer as velhas  películas de juri poderá se decepcionar um pouco com o raso conhecimento teórico onde aparentemente tudo parece um tirar leis de cartolas, ainda que o suspense pelo veredito final seja muito bem trabalhado e esperemos com curiosidade quase angustiante por ele.
 Porém por trás das batidas de martelo da lei há uma história bonita sobre famílias unidas ainda que imperfeitas, sobre juventude, sobre superação e amadurecimento. O tempo passa e a única coisa que realmente ganhamos de nossos progenitores que podemos nos orgulhar e continuar carregando são as lições de vida recebidas. Mesmo que nem sempre aplicadas da maneira mais pedagógica e sim como sentença de um juiz carrasco.
Se o filme vai ganhar algum Oscar não importa. Importa que é um puta filme que deve estar na sua lista de 2014. Um dos top 3 com certeza.

TOMA RUMO GURI!!

[Resenha] A Menina Submersa – Caitlín R. Kiernan

  Título Original: The Drowning Girl; a memoir
  Autor:  Caitlín R. Kiernan
  Editora: Darkside
  Gênero: Fantasia/suspense psicológico
  Páginas:  313
  Ano: 2012


Vou escrever uma história de fantasmas agora […]

Nunca julgue um livro pela capa. Nunca mesmo. Você pode ficar positiva ou negativamente surpreso. Quando vi este livro na Cultura, sendo da Darkside e com comentário de ninguém menos que Neil Gaiman, pirei. Enchi o saco que tinha que ter o bendito livro. Consegui. Fui para casa, deitei na cama e comecei a leitura. A Menina Submersa é uma história dentro de uma história, e India Morgan Phelps (Imp para os íntimos), é a maluca mais intrigante que já conheci. A moça tem um histórico triste na família: avó e mãe cometeram suicídio em virtude de sua doença (Esquizofrenia). Imp também herdou a doença, o que significa que se ela não tomar suas pílulas mágicas e se consultar com a psiquiatra responsável, a coisa engrossa consideravelmente para ela. 

Imp passa o tempo todo tentando escrever um livro, porém ela possui um talento notável para pintura e desenho, apenas não acredita no seu potencial. Trabalha em uma loja de artigos para pintura. Em um belo dia, conhece Abalyn e de uma forma totalmente curiosa, elas se apaixonam (será que foi assim mesmo? Os relatos de Imp nunca são confiáveis). Sim, Imp é homossexual assumida, e sua namorada, uma transexual até muito bem resolvida nos dias atuais. Gostaria de dizer (e vou dizer mermo) que senti MUITO AMOR por essas duas. Sério gente, elas são tão lindas juntas, o jeito que a Ab cuida da Imp, o cuidado dela com sua doença. O jeito que elas se organizam juntas, o fato de Imp tentar se interessar de verdade pelo trampo da namorada… o relacionamento delas é lindemais!
Nesse meio tempo, fico pensando se realmente li direito que o livro é de terror. É aí que chego na parte negra: Imp tendo uma crise. Sei que vocês estão acostumados a fantasmas e monstros, mas vou dar a real: terror está em toda a parte. Quem não está acostumado com terror psicológico não vai curtir a leitura. Como muitos sabem, Esquizofrenia é uma doença em que confundimos fantasia e realidade. Imp possui uma versão hard dessa doença. É uma luta, uma dificuldade para que ela consiga reunir ideias, pensamentos e memórias para poder escrever o seu livro. Por isso disse que ela passa o tempo todo tentando escrever, é difícil para ela.
No início dessa resenha, disse que não devemos julgar um livro pela capa. Quando eu o vi pela primeira vez, pensei no terror clássico, naquele óbvio ao qual estamos acostumados. Depois de começada a leitura, fui achando tudo muito chato e confuso. Um pouco antes da metade da obra, o jogo vira e começo a compreender tudo. É aí que o puro horror me pega. Você terá de ler para entender.
Fora isso, a tristeza impregna as páginas desse. Imp se sente um lixo por ter herdado a maldita doença de seus antepassados, lutando constantemente para não cair em um buraco negro. E quando as Evas aparecem, as coisas tendem a piorar drasticamente. 
Essa foi uma das leituras mais difíceis, porém mais terrivelmente belas que já fiz. Vale a pena viver essa experiência. Vocês estão prontos para viver uma história de fantasmas, sereias e lobos?

MUNDO TRG: Trailer comentado de Vingadores 2

Seja bem vindo ao MUNDO TRG! Em suma é um lugar onde falo, sem roteiro como sempre, o que me der na telha sobre o planeta de cultura-pop em que vivemos. Sim, um videolog para preencher o espaço do TRG Show que geralmente só acontece em coberturas externas de eventos. Nesse primeiro programa, onde estou sem jeito para caramba, comento sobre o trailer estendido de Vingadores 2 (Avengers 2), A era de Ultron. Então sem mais delongas assiste aí e dá um desconto por ser o primeiro, huhu…

 Acabei esquecendo de comentar sobre a propaganda gratuita pra Samsung (tá, nada gratuita pode ter certeza). E você o que achou do trailer? Acha que vai vingar? Tum dum tcháá.

Ah, pra quem estava em Betelgeuse e não viu o trailer taí no LINK.

Toma Rumo Guri!!