A Batalha dos Cinco Exércitos – Por Marcela Bezerra

   
OBS.: contém uma caralhada de spoilers. Leia por sua conta e risco.

   E então, o final chegou. O final de uma saga de três filmes, que de início me fez pensar que era “uma cilada, Bino”. Acredito que muitos pensaram desta forma e ficaram apreensivos, afinal, um livro que nem era realmente grosso renderia roteiro para TRÊS filmes? Antes de deixar minhas impressões, gostaria de dizer que nunca fui super fã de Tolkien, daqueles que sabem suas obras de trás pra frente, tudo sobre sua vida, etc. Na verdade, até 2011 eu não curtia nada dele, com base na péssima experiência de leitura que tive com SdA anos antes. Orgulhosa como sempre fui, não permiti pensar que a leitura foi ruim por não entender diversas passagens, e sim que a história estava mal escrita, que ele era um drogado/pirado e o que mais tivesse passado pela minha cabeça à época. Isso não me impediu de respeitar e até mesmo admirar o fascínio que meu melhor amigo possuía por ele e seu universo. Tanto que o presenteei com as principais obras em 2010. Um ano depois, resolvi pegar O Hobbit na estante dele e ver se poderia desfazer minhas impressões. O mundo mudou a partir daquele instante…
   Conhecer a Terra Média foi algo mágico, abriu minha mente, me fez desejar ser um elfo (e eu pensando que elfos eram tipo os do Harry Potter)… bom, quem nunca quis ser uma criatura deste universo que atire a primeira pedra. A leitura foi tão boa que depois li SdA. E amei. Acho que foi melhor do que se tivesse gostado de cara, naquela primeira vez.
Em 2012, finalzinho, veio o primeiro filme d’O Hobbit. E eu com aquela cara de “vem merda por aí”. Achei o primeiro filme até bem fiel, estranhei um pouco alguns anões… bem, eu fazia uma ideia diferente de como eles eram, o Fili e o Kili por exemplo, eles nem tinham cara de anões, até imaginava eles meio crianças na história. Fiquei boiando com aquela aparição do Frodo, mas depois que entendi achei genial. Um ano depois, voltamos a nos ver e lá fui eu criticar: mas que droga de personagem é essa Tauriel? Ela nem está na história e ainda por cima chega pra fazer triângulo amoroso com um anão que não parece um anão e o Legolas, que também não tá nessa história! Entre outras coisinhas. Porém, tinha uma coisa esplêndida acontecendo. O relacionamento entre todos, que até é bem superficial no livro (ele não é um livro denso, já disse), estava sendo explorado de uma forma muito bonita, principalmente entre Bilbo e Thorin. Aquela amizade acertou em cheio meu coração. Além disso, Smaug não poderia estar mais perfeito e assustador. O final deixou todos aflitos pelo último filme, e tivemos que esperar mais um ano.
   Mesmo ansiosa pelo desfecho, contando dias, quando chegou a hora de assistir confesso que fiquei com um aperto de saudade antecipado. Porém, de uma coisa tinha certeza absoluta: o filme não me pegaria de surpresa, já sabia tudo que iria acontecer, nada me afetaria. Nossa, como estava enganada…
  O filme começa exatamente de onde parou o segundo. Vemos Smaug estraçalhando toda a cidade, e então Bard aparece para salvar a todos. Confesso que esse destaque que deram ao personagem ficou muito bom, foi super bem explorado. Gostei bastante. Destaque incrível também dado à “doença” de Thorin. Podemos vê-lo enlouquecer gradativamente, preocupando seriamente seus companheiros anões e Bilbo. Nesse meio tempo, o Gandalf tá para virar comida de Orc, quando Galadriel e sua turma aparece para salva-lo. Se aqui eu já achei forçado, imagina como fiquei depois! Tudo bem, entendo que Jackson precisava dar grandes emoções ao filme, mas rélou, a história não era essa. Incluir uma personagem nada a ver com nada já foi esquisito, aquilo ali foi no mínimo desnecessário. Cena ficou legal? Ficou, mas não curti ela inserida no filme, apesar de saber que ela tinha um propósito maior.
   A guerra foi bem destacada também, muito mais do que eu esperava. Engraçado é que enquanto via o filme, ficava pensando no tipo de missão eles colocariam na última parte do jogo lego! E as baixas começaram a aparecer. Foi um choque e tanto quando o Fili morre, porque de verdade, não tava esperando naquele momento. Dei um gritinho no cinema e caí num choro muito sentido. Logo depois, Kili não demora a ter o mesmo destino. Nesse momento, apesar de muito triste, estava tendo um troço já, para entender logo qual era a da Tauriel. Tava quase acreditando que era a mãe perdida do coitado, quando ela beija o cadáver. Acho que preferia que ela fosse a mãe perdida, no fim das contas… Achei a batalha entre Thorin e Azog simplesmente épica, e apesar de saber o destino de Thorin, fiquei arrasada, completamente arrasada. A despedida do Bilbo então, nossa. Achei que nunca mais fosse parar de chorar. Como disse anteriormente, a amizade entre esses dois foi explorada de uma forma muito bonita e verdadeira.
   No final do filme, podemos entender de forma bem clara o que Jackson quis fazer desde o início, inserindo personagens que originalmente não estão na história: tudo se encaixa para dar início à jornada de destruição do Anel, embora os personagens não soubessem disso ainda. E quando voltamos aos “dias atuais”, com o Bilbo já velho, vemos que aquilo se passa exatamente em seu aniversário. Porém, o mais importante não foi essa poderosa ligação entre os filmes que Jackson criou, e sim o que ele fez com os personagens. Foram tão bem explorados, ficaram tão conhecidos nossos, que passaram a fazer parte de nossa vida e ser nossos amigos. Impossível não sentir uma saudade imensa, já na hora em que os créditos sobem.