O Hobbit – A Batalha dos Cinco Exércitos – por Saul Junior

“Em um buraco no chão vivia um Hobbit”.
 Assim começou a saga
de uma criatura diminuta que acompanhada de um mago e de uma companhia de anões
subiriam até a Montanha Solitária para recuperar seu lar de um terrível dragão.
Para alegria de muitos (e tristeza de Christopher Tolkien) em dezembro de 2014
foi lançado o ultimo pedaço da adaptação em três partes daquele pequeno
livrinho (sem qualquer conotação no emprego do diminuitivo) para o grande ecrã
onde Peter Jackson nos brindou com muitas coisas boas e algumas odiosas. Não,
não falo apenas da Tauriel. =Pp
Se você não viu o filme saiba que vale muito a pena vê-lo. É
sempre legal, usando o mais simples dos adjetivos, ver a Terra Média
representada em qualquer mídia que for. A versão cinematográfica da obra de Tolkien
dura um pouco mais que duas horas (fugindo a regras dos mais longos anteriormente) e tenta agradar a todos. Tem uma Guerra
pipocando, lutas épicas, tem comédia escrachada, tem ação, tem romance (ainda
que confuso) e assim vai até o fim. Há também as lindas tomadas da Nova
Zelândia caracterizadas para dar vida ao Condado e outros lugares desse mágico
lugar. O roteiro não me agradou da maneira como conduziu as cenas, como foi
feito os cortes e achei que muita coisa foi jogada, mas nada que
comprometa a jornada que Peter Jackson propôs dando vida aquele bando folgado
de anões (hehe) e seu ladrãozinho contratado. Pode ir na fé que é diversão para
você, namorada, papagaio e o que for. Mesmo como fã, a menos que você seja um
xiíta brabo de Mordor ou um purista, você vai gostar de muitas cenas. Não posso deixar de ser
sincero e apontar vários “solavancos” não tão raros no filme que te fazem
cortar um pouco o embalo e te tirar daquela imersão. Esse é um resumo. Agora
quero deixar meu lado nerd comentar o filme às veras…
Update: Vi o filme uma segunda vez e desliguei totalmente o modo crítica, ignorando vários filtros, e o filme é mesmo mais divertido quando você se deixa levar pela empolgação e pelo modo Coca-Cola, Pipoca e vibração, haha…
Bom, se você não viu o filme e não quer spoilers, ainda que
alguns sem importância, pare por aqui. Eu avisei.
Antes de começar a tecer meus comentários sobre o filme
quero dizer que fiquei 10 minutos na fila para comprar a pipoca mais intragável
que comi em minha vida. Puta que pariu, Cinema Itaú  do Bourbon Country, vão se catar com esses
pedaços de isopor que vocês chamam de pipoca. A pior de toda Porto Alegre…
Update: Essa segunda vez fui ver no Imax do Bourbon Wallig e duas coisas podem ser ditas com certeza: 1) O Imax realmente dá uma força maior para qualquer filme, é um 3D mais vem feito e claro além de excelente sistema de som, teve pedaços de telhas voando que eu me esquivei além de contemplar o focinho do Smaug, o terrível, em terceira dimensão bem na minha frente… 2) Pipoca quentinha e com gosto de… vejam vocês… Pipoca!

Beleza, agora sim, a resenha…

O que eu achei do filme? Embora um misto de emoções
diferentes tenham me assaltado durante um pouco mais de duas horas acredito que
a resposta mais franca seja que achei a película com um roteiro bem fraco e que
se salva pela força dos personagens e pela emoção injetada empregada pelas batalhas que são cheias de ação,
mas muito jogadas ao acaso. Há uma falta de contextualização em muitas das
partes do filme. Cada um terá sua percepção, mas haviam inúmeros fatos que a
todo momento me tiravam do contexto do filme. E não, não vou falar que Tauriel
não é um personagem de O Hobbit (ela está lá, fazer o quê… Resta aceitar e ver
o filme) e que isso ou aquilo não é exatamente igual ao livro.Só é bom manter os olhos em uma frase do próprio Tolkien: ”Os cânones da arte narrativa em qualquer mídia não podem ser completamente diferentes; e o fracasso de filmes ruins com frequência está precisamente no exagero e na intrusão de material injustificado que se deve a não-percepção de onde o núcleo do original se situa.”. Frase sobrescrita por Sergio Ramos em uma boa resenha.
A película começa embalado pela ação entrecortada de um
filme para o outro. Depois daquele enorme troféu imprensa anão de ouro líquido
o Smaug partiu furioso contra a Cidade do Lago. A cena inicial de Smaug tocando
o terror é cheio de efeitos, explosões e destruições. Tudo muito bonito e
trabalhado. Bard consegue se soltar facilmente de sua prisão em uma cena bizarra pra caramba onde o pescoço do Mestre da cidade é mais forte que uma parede de madeira preparada e parte para o seu
momento glorioso: Matar a fera. Praticamente é o trabalho de sua vida.

Muita gente reclamou da balestra de anão já que no livro o
instrumento utilizado era um simples arco, porém esse foi sem dúvida o menor
dos problemas desse pedaço do filme. Não sou daqueles caras chatos que acham
que tudo tem que ser idêntico a obra original literária, afinal, se soubéssemos
o que vai acontecer de cabo a rabo cadê a graça, certo? Porém sou sim a favor
da não desvirtuação de personagens (tipo mudar totalmente seu jeito,
personalidade ou atitudes…) e nem que seja um pouco da factualidade em um filme
de ficção. Um dragão voador que fala pra mim está ok, porém um dragão que
conversa e age como um vilão de desenho animado foi frustrante. Confesso que ao
ler o livro senti uma certa decepção na maneira como Smaug, o tirano, parece
mais o Smaug, a Lagartixa de Cristal. Minha grande esperança era que PJ levasse
a cabo um final mais real e emocionante para o grande réptil antigo. Mais ou
menos como fizeram no O Nevoeiro onde um pequeno ponto a mais (no caso do final)
tornou o filme tão interessante quanto o conto do próprio Stephen King. Porém
como mencionei Smaug ficava soltando frases do tipo “Olha eu vou te matar,
hein”, “Vou mesmo…” e “Quem avisa amigo é…” (óbvio que não exatamente essas)
que poderiam ter dado um resultado mais favorável para a salamandra gigante se
ele simplesmente tivesse voado para cima de Bard e seu filho presos no alto de
uma torre de madeira ou mesmo esbaforido algumas chamas mortais fazendo um
churrasquinho maneiro. Mas não, foi mais digno de Tom e Jerry um discurso até
que Bard usasse o pescocito e ombro de seu filho querido como alavanca para sua
flecha negra atravessar o ponto fraco da vil criatura faladeira. Essa tática do
PJ teve mão dupla, pois é muito surreal usar o filho como arma, mas ao mesmo
tempo dá uma ideia de sacrifício e confiança. “Vira a cabeça mais pra direita
por favor…”. Embora caía no mesmo ponto onde mesmo a ficção precise de algo sólido para se apoiar. Daí Peter Jackson nos dá uma cena foda do Smaug voando
desengonçado até sua língua desenrolar em slow motion em uma agonia pré-morte
onde ele cambaleia para o esquecimento. Essa parte sim foi, como disse,
fodástica. Em Imax ver esse pedaço do filme ganhou uma nova beleza. O dragão era tão real. Fora isso foi legal (menos pro povoado, rsrs) ver um dragão enfurecido rasgando os céus e arruinando uma cidade com todo seu poder. O único adendo é que realmente poderia ter sido mais agradável se o Smaug fosse morto  em batalha e não em um bate-papo. Quando ele morreu, aquela criatura incrível, lamentei em partes por ser um personagem realmente incrível como o são todos os dragões.

Após a morte de Smaug o foco volta para os anões. Os salões
de Erebor podem ser novamente tomados visto que o perigo foi dissipado.
Confesso que foi meio estranho ver a tomada por completo dos salões de tesouro.
Foi meio que Thorin Forever Alone. Senti falta de um Tio Patinhas Mode em
mergulhos nos salões coberto por tesouros. Achei meio oco as cenas deles procurando a Arken Stone. Enquanto o anão-mor é tomado pela
tal “doença do dragão” vemos que Gandalf está apanhando mais que boi bandido em Dol Guldur. Galadriel, Saruman e Elrond chegam para ajudá-lo (Radagast também, rsrs.)
tomando conta da situação.

  Essa cena tem um molde feito para fãs do tipo “Imagina se” ou “quem ganharia…”, mas deixa um pouco mal explicado para quem não é fã, embora nos EUA seja praticamente um livro obrigatório (inveja), quem são aqueles “fantasminhas” embora nossa musa da Middle Earth chegue recitando o poema clássico da contagem de anéis por raça dando a dica.

 A respeito dessa cena (eu sei,
desculpa fazer tantas críticas, rsrs) acho muito vazia mostrando apenas alguns
takes mostrando os caras mais fodas da Terceira Era (e de outras, rsrs) dando um corridão no
Sauron. Mas e depois? O que houve? Sauron aprendeu sua lição e jamais voltará?
Sabemos que não. Há boatos que existe preparado um caminhão de cenas
estendidas, mas… Bem, depois pequeno gafanhoto, depois… Saruman dizendo que iria atrás de Sauron para “detê-lo” até deixa implícito o que aconteceu…

Aproveitar que estou com o queijo e a faca na mão (na verdade a espada élfica e as lembas) e matar
(Não, ainda não é o rei sob a montanha, rsrs) dois plots que pra mim mais afundam
que ajudam o filme. Temos o Alfrid (outro personagem inventado e que segue a linha do Língua de Cobra) que após o Smaug ter caído (e provavelmente
matado-o) em cima do rei (Mestre, na verdade) da Cidade do Lago vemos que Bard toma a iniciativa de
guiá-los até a Montanha Solitária tentando conseguir provisões e dinheiro com
os anões. Porém o uso do personagem é forçado demais. No início você
sente uma certa graça. Mas aí vem a insistência autoral do PJ em mostrar que o cara é
um covarde e em inúmeras cenas você vê sempre a mesma ladainha reforçando o óbvio até culminar na
cena patética e sem graça dele vestido de mulher e apalpando os peitos falsos. Okay, a primeira vez ele escondido
do trabalho como velhinha embaixo de um véu está até aceitável, mas ele
ajeitando o soutien… Nossa. Nem tem o que falar. É tipo a piada do anão pintudo
no Segundo filme. Grosseira. Não combina com a temática do filme, nem remete com a classe da versão literária.
Falando no casal interracial por mais que ache uma perda de
tempo criar um personagem para uma trama que já tem tantos e alguns anões, por
exemplo, passaram batidos em desenvolvimento acho que o pior de tudo nem é o
romance em questão, mas sim que não deu pra sacar o que o Peter Jackson (e/ou o
Guilhermo Del Toro) quiseram passar. Não me venha com essa de fica a livre
interpretação que nesse caso não cola. Veja bem há uma pista de que talvez a
Kate pudesse ser mãe do anão com cara de modelo de cueca. No terceiro filme
muitas coisas batem, pois a elfa diz que andou por aí, tem o significado da
pedra, alguns olhares estranhos. Até a hora que ela beija ele não dá pra ter
certeza de nada. Beijo póstumo, é verdade, necrofilia pegando, haha. Aliás nem depois do ósculo consigo ter total clareza dos
fatos. Ficou uma trama subdesenvolvida. Nem sequer sabemos o que acontece com
ela. Na minha opinião ela deveria ter morrido também. Esses dias vi uma
pergunta em um fórum se ela devia ter ficado com Legolas ou com Kili. Eu acho
que ela deveria ficar com o ostracismo.
Mas nem tudo são horrores. A parte da Guerra dos 5 exércitos
(que dá nome ao filme) é muito boa. PJ se tornou um especialista em elaborar cenas
assim. Batalhas é com ele mesmo.

Cabeças rolam ainda que contidas e disfarçadas por truques para evitar restrições etárias mais rígidas. Boa, mas não sem ressalvas, pois há coisas lá
especialmente para irritar. Os cortes são brutos e as continuações seguem uma
ordem meio aleatória. Noto que o povo leigo ficou viajando em quem seriam os 5
representantes da tal Guerra. Só pra constar: Anões, elfos, humanos, orcs e as
águias. No meio deles apareceram trolls, minhocas gigantes, Beorn em uma aparição
pra lá de legal de 2,5 segundos (hueheue) e por aí vai.

Dáin, o Pé de Ferro é um puta acerto. Ele e os anões sob
seu poder dão toda uma nova vida ao filme. Vejo nesse caso um tipo de comédia
mais adequado a filmes “medievais”. Risos sobre modos trogloditas, haha.
Gandalf até diz que Thorin é o mais sensato da família. Sua montaria, o porco
pulador é um espetáculo a parte. Spoiler: Fiquei muito triste com essas mortes:
O porco e o Alce do Thranduil. ='(

 As estratégias da batalha novamente tem suas falhas. Os
elfos se aproximando de Erebor é fantástico, mas na hora de anões e “fadinhas
da floresta” se juntarem em um mesmo time os anões se protegem com escudos e os
elfos… Saltam por cima como libélulas livres para alçar vôo. Poxa, a coisa mais
fácil era um orc enfiar uma lança no… hã… pé de um dos soldados. Visualmente é bonito o vôo das maritacas élficas, mas em uma guerra muito descabível. Também não
comprei muito a idéia de que mendigos humanos conseguissem muitas coisas não.
Há ainda, novamente, a supervalorização de Bilbo (que apesar de ficar bastante
tempo off) se torna um grande lutador sem precisar do anel para acertar
criaturas com o dobro de sua força. Gostei dele usando pedras para acertar trolls, uma coisa meio Davi x Golias. Mas o lado espadachim dele é a habitual deturpação de personagem. Heróis nem sempre hão de usar a força. Também me chamou atenção que não importa se
de um lado há um anão com uma espada e do outro um brutamontes orc com
superforça e uma arma mil vezes mais pesadas o impacto das forças opostas se
anulará em um “Tlink” no ar e as armas ficarão segurando uma a outra paradas, equivalem-se magicamente. Eu relevo
o Légolas pulando pedrinhas,

 mas tem coisas que chamam bem a atenção. Aí já é
demais. Pô, uma clava teria jogado Thorin longe ou rachado sua cabeça.

Falando no anão principal… Achei muito mal desenvolvido o
jeito que o Thorin se cura da tal enfermidade. Em um momento ele está acusando
seus irmãos e deixando Dáin se furunfar lá fora da montanha, na outra ele se olha em um reflexo
e tem uma puta mudança de consciência. Se no Segundo filme o GoPro deu uma
estranheza, a cena da confusão de identidade do rei sob a montanha não fica
atrás. Creio que o desenvolvimento poderia ter sido mais refinado. Um exemplo bacana é de quando o rei anão pega o hobbit com uma noz do jardim do Beorn e eles falam sobre amizade e há um clima muito bacana que rapidamente é cortado quando Thorin ouve que os elfos estão chegando para pegar o seu tesouro e ele tem uma mudança de um sorriso amigo para a expressão de um psicopata guerreiro. Ali foi bem trabalhado esse lado ao invés daquele efeito escroto de chão de ouro movediço lhe engolindo. Credo.

 Outra coisa que queria falar a respeito do Thorin: Tanto no livro quanto no filme acho que as pessoas enxergam ele e sua paixão pelo dinheiro de maneira equivocada. Na verdade eu acredito que o anão está certo no que ele defende e até vemos um pouco disso em algumas partes da película. Thorin e sua trupe estão indo recuperar o seu lar e o seu tesouro. É deles, não haveria porque dividir com pessoas de fora. Mesmo o auxílio dos Homens que lhe ajudaram foi em troca de um favor futuro e de dinheiro. Ninguém ajudou eles de graça com exceção de Gandalf que é uma entidade superior. Até mesmo o nosso adorável hobbit iria receber algo pelos seus préstimos.


E Thorin jamais fala em não pagar aos seus irmãos anões e seu ladrão profissional. Ele é honesto, mas também é justo. Eles que foram até o dragão. Eles que conquistaram Érebor ainda que não tenham matado o dragão. A herança é deles. Sinto que Tolkien possa ter brincado um pouco com nosso lado de justiça com isso, embora claro que havia muito ouro para ajudar os que precisavam. Mas a questão é… É decisão de quem a escolha? Thorin sabiamente disse que não negociaria com ninguém que trouxesse um exército a sua porta como saqueadores. E nisso ele estava certo. Mas isso é algo que sempre gosto de discutir, não tem a ver com a resenha em si, haha.

As mortes são rápidas e um pouco brutais, como manda uma boa
Guerra. Muitos no cinema foram pegos de surpresa. São emocionantes e você
realmente sente a perda. Você torce para nessa parte o final ser diferente do
livro. Mas Peter Jackson leva a risca o destino traçado por Tolkien. Fili,
claro, tem a morte mais vagabunda deles.

O embate final entre Thorin e Azog poderia ter sido mais
épico já que foi essa a intenção do diretor para esse filme. Há uma dispersão entre a luta final visto que além do enfrentamento Thorin fica sucessivamente combatendo contra diversos figurantes orcs randômicos como uma antiga partida de RPG da época de 8 bits. A coreografia da
luta é um pouco contida e quando eu achei que o final do Azog (esse que é tipo
um Galvão Bueno só narrando a batalha lá de cima de uma geleira – orcs podem
ser estrategistas, mas isso foi cômico…) teria sido o Thorin jogar uma pedra em
seus braços virando uma geleira eu é que gelei. Ia ser um puta final corta
clima, apesar de engraçado. Há de se definir qual caminho se quer seguir… Mas há um “me mata que eu te mato” final. O anão curioso segue o vilão, por qual motivo não se sabe, até ter o pé empalado por uma espada. A luta recomeça para durar alguns segundos onde o, ainda e por um pouco mais, rei sob a montanha abre sua guarda para poder achar a do adversário.  Thorin mostra que prefere
ficar por cima vencendo a luta a um alto custo. Bilbo encontra o corpo dele e há uma bonita cena que vale o ingresso.

 Amizade, uma bela lição ainda que no filme até não se mostrou tanto assim esse laço entre eles dando mais foco nesse último filme. Mas tudo bem, sabemos em nosso interior o que rolou.
Assim terminado tudo que havia para ver sobre a guerra (um detalhe importante: Thorin antes de morrer vê lá do alto que as águias, sempre as águias, chegaram e estão virando o jogo ou seja ele viu que morreria vitorioso) pulamos (achei meio preguiçosa a edição do filme)  para onde os anões estão agradecendo Bilbo e isso é de
partir o coração. Despedaçados pela perda de seus companheiros a companhia que restara agora
liderada por Balin agradece o seu ladrão favorito. Então vemos Gandalf e Bilbo
fumando um cachimbinho que traz de volta o início de tudo. Achei meio forçado
as cenas finais no Condado, mas entendi que era pro hobbit dizer o que ele
sentia a respeito do antigo rei sob a montanha e o que ele era do Thorin: Amigo.

Bom, apesar de todas essas críticas que muitos vão odiar ler
eu levo boas memórias da jornada até a Montanha Solitária e a volta para o
Condado. Sim, inclusive o terceiro filme começou mal por não ter mantido o nome
“Lá e de volta outra vez” como a bonita frase do livro. Decisão de cúpula da Warner. Queriam
mais dinheiro. Assim como há boatos de que haverá muitas cenas pós-crédito.
Sei que assim foi feito com cada filme, mas quem paga pra ir no cinema paga pra
ver o filme completo. Guardando partes boas que compõe a história para ganhar
uma mascada no DVD é tapeação. Como em Thor 2 que a segunda cena pós-crédito
mostrava um beijo do nórdico com sua amada Jane Foster, coisa que acho que só
eu vi na sessão porque todo mundo havia ido embora. Mas era parte do filme… Em
épocas de DLC, Alphas, cenas inéditas em box caros… Acho que isso é um pouco de
tirar o telespectador (ou “cinemespectador”, huhu) pra trouxa.
Como a Marcela me confidenciou quando ela leu o livro do
Hobbit os anões não foram tão bem trabalhados como podem ser em 3 filmes com
atores, etc… e que a trilogia deixa muita saudades do Thorin, Bilbo e amigos.
Que esse é o verdadeiro trunfo. Passamos três anos acompanhando essa baita
viagem tanto fictícia quanto emocional e chegamos a conclusão de que mesmo com
tantas coisas que desagradam não há nada tão bom quanto revisitar a Terra
Média e nossos bons, velhos e queridos amigos. Bom filme. Ótimo filme, huhu…

Toma Rumo Guri!!
imagens: Google imagens e  Day Montenegro.

TRG Reviews – Thor 2

Temei, mortais! Os deuses nórdicos invadem novamente nossas telinhas com o segundo grande filme Marvel da nova fase: Loki 2 – The Dark World. Erm… Na verdade o filme é do Thor. Juro.

Primeiro, antes de entrar na análise em si, temos que desmistificar uma impressão errada sobre o primeiro filme. Thor 1 (na época apenas Thor) não é um filme ruim. Até posso prever gente tapando os olhos, se esticando na poltrona e colocando a mão na barriga a ponto de vomitar. Isso porém é “haterismo” de primeira. Concordo que faltou ação para um filme do deus do trovão com cenas dele girando seu martelo e acertando algumas bundas colossais… Aliás até teve essa cena, mas foi rápida e única. Lembro, e revendo admirei novamente, a cena inicial em que o filho de Odin vai até Jotunheim enfrentar Laufey e seus gigantescos monstros de gelo é a melhor parte da raiz cinematográfica do cara do martelo. Ele gira o Mjölnir, ele arremessa o Mjölnir, ele varre a cara dos inimigos com o Mjölnir… Deu pra entender, né? É o Thor usando seus poderes de uma forma acertada. Ação de primeira. Porém parou aí, no resto do filme a coisa dá uma acalmada. Porém não fica ruim não. Peca pelo excesso de comédia (mesmo assim engraçadas, vai… A maioria pelo menos) e algumas cenas que realmente quebram o clima. Eu ainda reparei os efeitos CG do raio de fogo do Destruidor acertando um lugar e a explosão saindo de outro. Mesmo assim teve cenas do caramelo! O Thor sem poderes entrando na base improvisada em pleno Novo México e derrubando geral como um quaterback de futebol americano é “daora” e a hora que o ex-Donald Blake (haha!) enfrenta de peito aberto o vigilante da sala de armas de Asgard é bem emocionante. Falando em Novo Mexico um monte de gente apontou isso como algo ruim: Um lugar deserto, parecia o Projac alguns disseram ainda. Mas fazia parte da história, nem todo desenrolar de roteiro tem que acontecer em Nova Iorque como aconteceu em Vingadores. E há o argumento favorito dos haters de que Thor e Jane Foster se apaixonaram da noite pro dia e nisso eu até concordava, mas revendo atualmente notei que não foi bem assim. Porra, além de ela ver um cara bonito (O que pra mulher conta muito) foi um cara que ela admirou bastante. Pensa: Misterioso passado, trouxe o caderno de anotações dela (cara não egoísta, podia ter pensado só na sua marreta – Ui!) e a cena que ele explica para ela sobre Yggdrasil clareando sua mente “astrofisicamente” turva  mostra o quanto uma garota poderia se apaixonar. Fora as cenas melosinhas. Enfim, não é tão fora do ar quanto todo mundo gosta de acusar. Particularmente eu só acho chato no filme o Thor ser um garoto mimado em extremo, mas isso mostra que até no erro o roteiro acerta afinal o acerto de um texto é provocar uma reação mesmo que negativa contrapondo a apatia. Também a já citada falta de ação. Enfim, é um baita filme. E lá vem a bomba: Gostei mais do primeiro filme.

Meo Duls, como? Ouvi bem? (Na verdade leu, né). Sim, Thor 2 tem mais problemas com roteiro e com veracidade do que a primeira película. Fora o fato de que quem brilha no filme não é o que está com nome no letreiro. Aliás, parabéns para o Tom Hiddleston cuja interpretação está cada dia mais bela, debochada e desaforada. Mas então, vamos aos comentários abalizados, ou não…

Thor 2 começa de onde Os Vingadores terminou. Diferença pouca, algumas semanas. Porém de Thor 1 para a sequência passaram mais ou menos 2 anos. Jane Foster está em uma crise de meia idade, mesmo assim procurando seu macho, Loki trancafiado na masmorra e Thor está recolonizando os 9 reinos. Sei que a palavra certa não é essa e sim trazendo a paz, mas já que o filme tenta tirar a divindade dos personagens e trazê-los para um lado de civilização avançada não consigo entender porque os povos acatam as vontades dos bebedores de hidromel. “Paz” restaurada e a ponte Bifrost recontruída Thor volta a Midgard após perceber que Jane sumiu do planeta e dos olhos de Heindall (Que a propósito na versão dublada me aparentou chamarem ele uma vez de Rayden, o que se for verdade foi uma baita rateada.Vi a legendada no cinema). A história é meio maluca. Malekith é o vilão central o qual criou uma essência chamada Éter que não poderia ser destruída e traria um poder descomunal para quem o possuísse, inclusive para mim é uma forma de vida própria parecida com a simbionte alienígena que originaria Venom. Só que num passado distante o pai de Odin, Bohr, conseguiu detê-lo e – presumi-se  – mata todos os elfos negros a serviço do Malekith incluindo ele e seu centro de força. Porém de um jeito que em dezenas de cenas aconteceria explicações são descartadas para tudo como, por exemplo, o tal Éter veio parar na Terra. Por causa do alinhamento? O dito alinhar dos 9 mundos que acontece raramente e que Heimdall citou que aconteceu antes de ele ser o guardião de Asgard? Mas que Erik, o astrofisico peladão, mencionar ter sido presenciado porpovos antigos da Terra. Bom, se minha matemática científica está em dia… Para os crentes do evolucionismo Midgard teria no máximo 7 mil anos. O que para o negão nórdico (outra coisa que implicaram no primeiro, besteirada pura. A voz e o semblante do ator é incrível.) deveria ser um equivalente a um fim de semana. Nem vou comentar o Thor pendurando o Mjölnir no cabide de casacos e como um simples objeto de madeira poderia ou ter rasgado-se em mil farpas ou ter tido honra suficiente para se tornar um pedaço de madeira Thor (acredite, até sapo já vestiu o elmo).
Porém mesmo esquecendo todos esses detalhes, e eu citei apenas alguns, o filme não é bem construído. Dá-se a noção de que queriam fazer um filme épico com inimigos meio Star Wars, mas que não sabiam bem o que fazer. Ilustro a cena enche linguiça  em que Thor procura a ajuda de Loki para escapar de Asgard e eles mais a mulher do Cisne Negro embarcam em uma navezinha, um barco voador e precisam da ajuda de todos os seus amigos para o tento. Poxa, o Thor não precisaria esconder-se dos guardas de Odin! “Qualé”, Mesmo sem precisar confiar no seu martelo ele poderia detê-los facilmente. Vence batalhas contra gigantes de gelo, elfos negros e criaturas mitológicas e mesmo assim se espreme em um avião como uma menina histérica com medo. Sério, não tinha o porquê. Ele deveria temer apenas Odin, e olhe lá também.
Malekith não foi um bom vilão, na minha opinião, pois não teve destaque nenhum, apenas como articulador de um ataque para recobrar seu Éter. E quando o teve não o soube usar. Pareceu-me um pouco aqueles grandes blefadores do Poker, mas cuja habilidade é zero nas cartas. Enfim, nem mesmo sua fraqueza ao ferro foi utilizada.
Quanto às interpretações, Cris Hemsworth parecia mais à vontade já que é seu terceiro filme como brucutu, e embora não seja um Thor perfeito admito que tem sido um bom representante dando vida ao personagem com sua voz forçada de ogro, como diria a Bezerra Negra que viu comigo a película. Tom roubou a cena, como já dito, Natalie Portman   fez o dever de casa pra ganhar uma nota mediana e Tony Hopkins considero como um Odin fraco desde o 1º filme, mas isso se deve a idade avançada cuja maior cena de ação ou mesmo drama é dele mexendo o pescoço pros lados. Mesmo assim respeito-o por sua importância no cinema cujo apenas o nome faz acharmos o Odin pelo menos digno de respeito.

Bem, vamos aos detalhes do desenrolar da trama. A mãe de Loki e Thor morre numa cena ridícula e sem propósito já que ela poderia ter criado uma ilusão para as duas e aparentemente parece que ninguém deu a mínima para a morte dela, o Thor só queria pegar a piriguete terráquea. Não saquei o motivo da morte, sem ser a inclusão de um motivo para Loki embarcar no roteiro, em busca da vingança da única pessoa que amou. Loki simula sua morte e toma o lugar do Pai de Todos gerando um plot para o terceiro filme e Thor após uma batalha xoxa contra o líder dos elfos negros, embora a parte dele pulando e cravando os aparatos do Erik com o Mjölnir tenha dado um efeito legal, foi tão insossa que o que deu cabo do vilão foi uma espaçonave cair em cima dele.
Porém o filme vale a pena sim. Apenas não foi mais do que o primeiro que ainda vejo como mais divertido e por incrível que pareça mais adequado a proposta. Porém teve cenas genias nesse filme atual como o Mjölnir atravessando o espaço em idas e vindas em busca de seu dono, o Loki transformando-se no Capitas (Chris Evans pagando de figurante avulso, haha, mas foi genial isso, tirando onda de um personagem que todos odeiam mesmo) e o foco em Asgard foram acertos do filme. Ver os personagens Thor e Loki novamente no foco das atenções também é algo que vale muito a pena, pois são heróis e vilões que muitas vezes misturam seus papeis. Thor é um cara durão e não hesita em fechar o Mjölnir na cara dos seus inimigos diferentemente de Batman, Super-Cueca e o Cuequinha-Verde. Ele desce a porrada quando o adversário é mal-intencionado. E Loki consegue atrair a torcida do público arrancando gritinhos sufocados em cenas de sua pseudo morte. Eu particularmente curto muito as histórias do Thor. Recomendo os roteiros de Walter Simonson, embora tenha a fatídica história do sapo. Enfim, vale a pena sim.
Então recomendo irem ver o filme e gritarem vibrando pelos heróis Marvel, só que não entendo porque a crítica se agradou tanto. Talvez seja a falta de filmes bons esse ano.

E o último detalhe que quero comentar: SPOILER TOTAL:
Thor abdica de ser rei e é revelado que Loki tomou a forma de Odin. É dele as palavras finais. Acaba, aparentemente, e sobem os créditos. Super curtos. Aparece a cena pós-crédito: Sif leva para o colecionador uma das gemas (plot para Thanos, certamente) para o Colecionador. Eles temem que possam ser reunidas. Escuro. Créditos sobem novamente e muita gente vai embora. E depois de alguns minutos entra a cena pós-pós-crédito. Sim, a Marvel fez isso. O Thor volta pra Terra e acontece o beijo da humana com o deus. E um dinossauro perdido por Midgard pra dar um tom cômico. Putaqueparél, a Marvel roubou o desfecho do filme de muita gente. É como pagar pra ver um filme sem final. Seja como for, achei engraçado. Não deixa de ser um presente para os fãs. Para soltarmos um sorriso triunfante no final da sessão. Valeu ser marveco.

Ah, olha como eram, e é, o uniforme do brucutu nos 3 filmes:

TOMA RUMO GURI!!
ps. Comprei um Mjölnir =Pp