O Hobbit – A Batalha dos Cinco Exércitos – por Saul Junior

“Em um buraco no chão vivia um Hobbit”.
 Assim começou a saga
de uma criatura diminuta que acompanhada de um mago e de uma companhia de anões
subiriam até a Montanha Solitária para recuperar seu lar de um terrível dragão.
Para alegria de muitos (e tristeza de Christopher Tolkien) em dezembro de 2014
foi lançado o ultimo pedaço da adaptação em três partes daquele pequeno
livrinho (sem qualquer conotação no emprego do diminuitivo) para o grande ecrã
onde Peter Jackson nos brindou com muitas coisas boas e algumas odiosas. Não,
não falo apenas da Tauriel. =Pp
Se você não viu o filme saiba que vale muito a pena vê-lo. É
sempre legal, usando o mais simples dos adjetivos, ver a Terra Média
representada em qualquer mídia que for. A versão cinematográfica da obra de Tolkien
dura um pouco mais que duas horas (fugindo a regras dos mais longos anteriormente) e tenta agradar a todos. Tem uma Guerra
pipocando, lutas épicas, tem comédia escrachada, tem ação, tem romance (ainda
que confuso) e assim vai até o fim. Há também as lindas tomadas da Nova
Zelândia caracterizadas para dar vida ao Condado e outros lugares desse mágico
lugar. O roteiro não me agradou da maneira como conduziu as cenas, como foi
feito os cortes e achei que muita coisa foi jogada, mas nada que
comprometa a jornada que Peter Jackson propôs dando vida aquele bando folgado
de anões (hehe) e seu ladrãozinho contratado. Pode ir na fé que é diversão para
você, namorada, papagaio e o que for. Mesmo como fã, a menos que você seja um
xiíta brabo de Mordor ou um purista, você vai gostar de muitas cenas. Não posso deixar de ser
sincero e apontar vários “solavancos” não tão raros no filme que te fazem
cortar um pouco o embalo e te tirar daquela imersão. Esse é um resumo. Agora
quero deixar meu lado nerd comentar o filme às veras…
Update: Vi o filme uma segunda vez e desliguei totalmente o modo crítica, ignorando vários filtros, e o filme é mesmo mais divertido quando você se deixa levar pela empolgação e pelo modo Coca-Cola, Pipoca e vibração, haha…
Bom, se você não viu o filme e não quer spoilers, ainda que
alguns sem importância, pare por aqui. Eu avisei.
Antes de começar a tecer meus comentários sobre o filme
quero dizer que fiquei 10 minutos na fila para comprar a pipoca mais intragável
que comi em minha vida. Puta que pariu, Cinema Itaú  do Bourbon Country, vão se catar com esses
pedaços de isopor que vocês chamam de pipoca. A pior de toda Porto Alegre…
Update: Essa segunda vez fui ver no Imax do Bourbon Wallig e duas coisas podem ser ditas com certeza: 1) O Imax realmente dá uma força maior para qualquer filme, é um 3D mais vem feito e claro além de excelente sistema de som, teve pedaços de telhas voando que eu me esquivei além de contemplar o focinho do Smaug, o terrível, em terceira dimensão bem na minha frente… 2) Pipoca quentinha e com gosto de… vejam vocês… Pipoca!

Beleza, agora sim, a resenha…

O que eu achei do filme? Embora um misto de emoções
diferentes tenham me assaltado durante um pouco mais de duas horas acredito que
a resposta mais franca seja que achei a película com um roteiro bem fraco e que
se salva pela força dos personagens e pela emoção injetada empregada pelas batalhas que são cheias de ação,
mas muito jogadas ao acaso. Há uma falta de contextualização em muitas das
partes do filme. Cada um terá sua percepção, mas haviam inúmeros fatos que a
todo momento me tiravam do contexto do filme. E não, não vou falar que Tauriel
não é um personagem de O Hobbit (ela está lá, fazer o quê… Resta aceitar e ver
o filme) e que isso ou aquilo não é exatamente igual ao livro.Só é bom manter os olhos em uma frase do próprio Tolkien: ”Os cânones da arte narrativa em qualquer mídia não podem ser completamente diferentes; e o fracasso de filmes ruins com frequência está precisamente no exagero e na intrusão de material injustificado que se deve a não-percepção de onde o núcleo do original se situa.”. Frase sobrescrita por Sergio Ramos em uma boa resenha.
A película começa embalado pela ação entrecortada de um
filme para o outro. Depois daquele enorme troféu imprensa anão de ouro líquido
o Smaug partiu furioso contra a Cidade do Lago. A cena inicial de Smaug tocando
o terror é cheio de efeitos, explosões e destruições. Tudo muito bonito e
trabalhado. Bard consegue se soltar facilmente de sua prisão em uma cena bizarra pra caramba onde o pescoço do Mestre da cidade é mais forte que uma parede de madeira preparada e parte para o seu
momento glorioso: Matar a fera. Praticamente é o trabalho de sua vida.

Muita gente reclamou da balestra de anão já que no livro o
instrumento utilizado era um simples arco, porém esse foi sem dúvida o menor
dos problemas desse pedaço do filme. Não sou daqueles caras chatos que acham
que tudo tem que ser idêntico a obra original literária, afinal, se soubéssemos
o que vai acontecer de cabo a rabo cadê a graça, certo? Porém sou sim a favor
da não desvirtuação de personagens (tipo mudar totalmente seu jeito,
personalidade ou atitudes…) e nem que seja um pouco da factualidade em um filme
de ficção. Um dragão voador que fala pra mim está ok, porém um dragão que
conversa e age como um vilão de desenho animado foi frustrante. Confesso que ao
ler o livro senti uma certa decepção na maneira como Smaug, o tirano, parece
mais o Smaug, a Lagartixa de Cristal. Minha grande esperança era que PJ levasse
a cabo um final mais real e emocionante para o grande réptil antigo. Mais ou
menos como fizeram no O Nevoeiro onde um pequeno ponto a mais (no caso do final)
tornou o filme tão interessante quanto o conto do próprio Stephen King. Porém
como mencionei Smaug ficava soltando frases do tipo “Olha eu vou te matar,
hein”, “Vou mesmo…” e “Quem avisa amigo é…” (óbvio que não exatamente essas)
que poderiam ter dado um resultado mais favorável para a salamandra gigante se
ele simplesmente tivesse voado para cima de Bard e seu filho presos no alto de
uma torre de madeira ou mesmo esbaforido algumas chamas mortais fazendo um
churrasquinho maneiro. Mas não, foi mais digno de Tom e Jerry um discurso até
que Bard usasse o pescocito e ombro de seu filho querido como alavanca para sua
flecha negra atravessar o ponto fraco da vil criatura faladeira. Essa tática do
PJ teve mão dupla, pois é muito surreal usar o filho como arma, mas ao mesmo
tempo dá uma ideia de sacrifício e confiança. “Vira a cabeça mais pra direita
por favor…”. Embora caía no mesmo ponto onde mesmo a ficção precise de algo sólido para se apoiar. Daí Peter Jackson nos dá uma cena foda do Smaug voando
desengonçado até sua língua desenrolar em slow motion em uma agonia pré-morte
onde ele cambaleia para o esquecimento. Essa parte sim foi, como disse,
fodástica. Em Imax ver esse pedaço do filme ganhou uma nova beleza. O dragão era tão real. Fora isso foi legal (menos pro povoado, rsrs) ver um dragão enfurecido rasgando os céus e arruinando uma cidade com todo seu poder. O único adendo é que realmente poderia ter sido mais agradável se o Smaug fosse morto  em batalha e não em um bate-papo. Quando ele morreu, aquela criatura incrível, lamentei em partes por ser um personagem realmente incrível como o são todos os dragões.

Após a morte de Smaug o foco volta para os anões. Os salões
de Erebor podem ser novamente tomados visto que o perigo foi dissipado.
Confesso que foi meio estranho ver a tomada por completo dos salões de tesouro.
Foi meio que Thorin Forever Alone. Senti falta de um Tio Patinhas Mode em
mergulhos nos salões coberto por tesouros. Achei meio oco as cenas deles procurando a Arken Stone. Enquanto o anão-mor é tomado pela
tal “doença do dragão” vemos que Gandalf está apanhando mais que boi bandido em Dol Guldur. Galadriel, Saruman e Elrond chegam para ajudá-lo (Radagast também, rsrs.)
tomando conta da situação.

  Essa cena tem um molde feito para fãs do tipo “Imagina se” ou “quem ganharia…”, mas deixa um pouco mal explicado para quem não é fã, embora nos EUA seja praticamente um livro obrigatório (inveja), quem são aqueles “fantasminhas” embora nossa musa da Middle Earth chegue recitando o poema clássico da contagem de anéis por raça dando a dica.

 A respeito dessa cena (eu sei,
desculpa fazer tantas críticas, rsrs) acho muito vazia mostrando apenas alguns
takes mostrando os caras mais fodas da Terceira Era (e de outras, rsrs) dando um corridão no
Sauron. Mas e depois? O que houve? Sauron aprendeu sua lição e jamais voltará?
Sabemos que não. Há boatos que existe preparado um caminhão de cenas
estendidas, mas… Bem, depois pequeno gafanhoto, depois… Saruman dizendo que iria atrás de Sauron para “detê-lo” até deixa implícito o que aconteceu…

Aproveitar que estou com o queijo e a faca na mão (na verdade a espada élfica e as lembas) e matar
(Não, ainda não é o rei sob a montanha, rsrs) dois plots que pra mim mais afundam
que ajudam o filme. Temos o Alfrid (outro personagem inventado e que segue a linha do Língua de Cobra) que após o Smaug ter caído (e provavelmente
matado-o) em cima do rei (Mestre, na verdade) da Cidade do Lago vemos que Bard toma a iniciativa de
guiá-los até a Montanha Solitária tentando conseguir provisões e dinheiro com
os anões. Porém o uso do personagem é forçado demais. No início você
sente uma certa graça. Mas aí vem a insistência autoral do PJ em mostrar que o cara é
um covarde e em inúmeras cenas você vê sempre a mesma ladainha reforçando o óbvio até culminar na
cena patética e sem graça dele vestido de mulher e apalpando os peitos falsos. Okay, a primeira vez ele escondido
do trabalho como velhinha embaixo de um véu está até aceitável, mas ele
ajeitando o soutien… Nossa. Nem tem o que falar. É tipo a piada do anão pintudo
no Segundo filme. Grosseira. Não combina com a temática do filme, nem remete com a classe da versão literária.
Falando no casal interracial por mais que ache uma perda de
tempo criar um personagem para uma trama que já tem tantos e alguns anões, por
exemplo, passaram batidos em desenvolvimento acho que o pior de tudo nem é o
romance em questão, mas sim que não deu pra sacar o que o Peter Jackson (e/ou o
Guilhermo Del Toro) quiseram passar. Não me venha com essa de fica a livre
interpretação que nesse caso não cola. Veja bem há uma pista de que talvez a
Kate pudesse ser mãe do anão com cara de modelo de cueca. No terceiro filme
muitas coisas batem, pois a elfa diz que andou por aí, tem o significado da
pedra, alguns olhares estranhos. Até a hora que ela beija ele não dá pra ter
certeza de nada. Beijo póstumo, é verdade, necrofilia pegando, haha. Aliás nem depois do ósculo consigo ter total clareza dos
fatos. Ficou uma trama subdesenvolvida. Nem sequer sabemos o que acontece com
ela. Na minha opinião ela deveria ter morrido também. Esses dias vi uma
pergunta em um fórum se ela devia ter ficado com Legolas ou com Kili. Eu acho
que ela deveria ficar com o ostracismo.
Mas nem tudo são horrores. A parte da Guerra dos 5 exércitos
(que dá nome ao filme) é muito boa. PJ se tornou um especialista em elaborar cenas
assim. Batalhas é com ele mesmo.

Cabeças rolam ainda que contidas e disfarçadas por truques para evitar restrições etárias mais rígidas. Boa, mas não sem ressalvas, pois há coisas lá
especialmente para irritar. Os cortes são brutos e as continuações seguem uma
ordem meio aleatória. Noto que o povo leigo ficou viajando em quem seriam os 5
representantes da tal Guerra. Só pra constar: Anões, elfos, humanos, orcs e as
águias. No meio deles apareceram trolls, minhocas gigantes, Beorn em uma aparição
pra lá de legal de 2,5 segundos (hueheue) e por aí vai.

Dáin, o Pé de Ferro é um puta acerto. Ele e os anões sob
seu poder dão toda uma nova vida ao filme. Vejo nesse caso um tipo de comédia
mais adequado a filmes “medievais”. Risos sobre modos trogloditas, haha.
Gandalf até diz que Thorin é o mais sensato da família. Sua montaria, o porco
pulador é um espetáculo a parte. Spoiler: Fiquei muito triste com essas mortes:
O porco e o Alce do Thranduil. ='(

 As estratégias da batalha novamente tem suas falhas. Os
elfos se aproximando de Erebor é fantástico, mas na hora de anões e “fadinhas
da floresta” se juntarem em um mesmo time os anões se protegem com escudos e os
elfos… Saltam por cima como libélulas livres para alçar vôo. Poxa, a coisa mais
fácil era um orc enfiar uma lança no… hã… pé de um dos soldados. Visualmente é bonito o vôo das maritacas élficas, mas em uma guerra muito descabível. Também não
comprei muito a idéia de que mendigos humanos conseguissem muitas coisas não.
Há ainda, novamente, a supervalorização de Bilbo (que apesar de ficar bastante
tempo off) se torna um grande lutador sem precisar do anel para acertar
criaturas com o dobro de sua força. Gostei dele usando pedras para acertar trolls, uma coisa meio Davi x Golias. Mas o lado espadachim dele é a habitual deturpação de personagem. Heróis nem sempre hão de usar a força. Também me chamou atenção que não importa se
de um lado há um anão com uma espada e do outro um brutamontes orc com
superforça e uma arma mil vezes mais pesadas o impacto das forças opostas se
anulará em um “Tlink” no ar e as armas ficarão segurando uma a outra paradas, equivalem-se magicamente. Eu relevo
o Légolas pulando pedrinhas,

 mas tem coisas que chamam bem a atenção. Aí já é
demais. Pô, uma clava teria jogado Thorin longe ou rachado sua cabeça.

Falando no anão principal… Achei muito mal desenvolvido o
jeito que o Thorin se cura da tal enfermidade. Em um momento ele está acusando
seus irmãos e deixando Dáin se furunfar lá fora da montanha, na outra ele se olha em um reflexo
e tem uma puta mudança de consciência. Se no Segundo filme o GoPro deu uma
estranheza, a cena da confusão de identidade do rei sob a montanha não fica
atrás. Creio que o desenvolvimento poderia ter sido mais refinado. Um exemplo bacana é de quando o rei anão pega o hobbit com uma noz do jardim do Beorn e eles falam sobre amizade e há um clima muito bacana que rapidamente é cortado quando Thorin ouve que os elfos estão chegando para pegar o seu tesouro e ele tem uma mudança de um sorriso amigo para a expressão de um psicopata guerreiro. Ali foi bem trabalhado esse lado ao invés daquele efeito escroto de chão de ouro movediço lhe engolindo. Credo.

 Outra coisa que queria falar a respeito do Thorin: Tanto no livro quanto no filme acho que as pessoas enxergam ele e sua paixão pelo dinheiro de maneira equivocada. Na verdade eu acredito que o anão está certo no que ele defende e até vemos um pouco disso em algumas partes da película. Thorin e sua trupe estão indo recuperar o seu lar e o seu tesouro. É deles, não haveria porque dividir com pessoas de fora. Mesmo o auxílio dos Homens que lhe ajudaram foi em troca de um favor futuro e de dinheiro. Ninguém ajudou eles de graça com exceção de Gandalf que é uma entidade superior. Até mesmo o nosso adorável hobbit iria receber algo pelos seus préstimos.


E Thorin jamais fala em não pagar aos seus irmãos anões e seu ladrão profissional. Ele é honesto, mas também é justo. Eles que foram até o dragão. Eles que conquistaram Érebor ainda que não tenham matado o dragão. A herança é deles. Sinto que Tolkien possa ter brincado um pouco com nosso lado de justiça com isso, embora claro que havia muito ouro para ajudar os que precisavam. Mas a questão é… É decisão de quem a escolha? Thorin sabiamente disse que não negociaria com ninguém que trouxesse um exército a sua porta como saqueadores. E nisso ele estava certo. Mas isso é algo que sempre gosto de discutir, não tem a ver com a resenha em si, haha.

As mortes são rápidas e um pouco brutais, como manda uma boa
Guerra. Muitos no cinema foram pegos de surpresa. São emocionantes e você
realmente sente a perda. Você torce para nessa parte o final ser diferente do
livro. Mas Peter Jackson leva a risca o destino traçado por Tolkien. Fili,
claro, tem a morte mais vagabunda deles.

O embate final entre Thorin e Azog poderia ter sido mais
épico já que foi essa a intenção do diretor para esse filme. Há uma dispersão entre a luta final visto que além do enfrentamento Thorin fica sucessivamente combatendo contra diversos figurantes orcs randômicos como uma antiga partida de RPG da época de 8 bits. A coreografia da
luta é um pouco contida e quando eu achei que o final do Azog (esse que é tipo
um Galvão Bueno só narrando a batalha lá de cima de uma geleira – orcs podem
ser estrategistas, mas isso foi cômico…) teria sido o Thorin jogar uma pedra em
seus braços virando uma geleira eu é que gelei. Ia ser um puta final corta
clima, apesar de engraçado. Há de se definir qual caminho se quer seguir… Mas há um “me mata que eu te mato” final. O anão curioso segue o vilão, por qual motivo não se sabe, até ter o pé empalado por uma espada. A luta recomeça para durar alguns segundos onde o, ainda e por um pouco mais, rei sob a montanha abre sua guarda para poder achar a do adversário.  Thorin mostra que prefere
ficar por cima vencendo a luta a um alto custo. Bilbo encontra o corpo dele e há uma bonita cena que vale o ingresso.

 Amizade, uma bela lição ainda que no filme até não se mostrou tanto assim esse laço entre eles dando mais foco nesse último filme. Mas tudo bem, sabemos em nosso interior o que rolou.
Assim terminado tudo que havia para ver sobre a guerra (um detalhe importante: Thorin antes de morrer vê lá do alto que as águias, sempre as águias, chegaram e estão virando o jogo ou seja ele viu que morreria vitorioso) pulamos (achei meio preguiçosa a edição do filme)  para onde os anões estão agradecendo Bilbo e isso é de
partir o coração. Despedaçados pela perda de seus companheiros a companhia que restara agora
liderada por Balin agradece o seu ladrão favorito. Então vemos Gandalf e Bilbo
fumando um cachimbinho que traz de volta o início de tudo. Achei meio forçado
as cenas finais no Condado, mas entendi que era pro hobbit dizer o que ele
sentia a respeito do antigo rei sob a montanha e o que ele era do Thorin: Amigo.

Bom, apesar de todas essas críticas que muitos vão odiar ler
eu levo boas memórias da jornada até a Montanha Solitária e a volta para o
Condado. Sim, inclusive o terceiro filme começou mal por não ter mantido o nome
“Lá e de volta outra vez” como a bonita frase do livro. Decisão de cúpula da Warner. Queriam
mais dinheiro. Assim como há boatos de que haverá muitas cenas pós-crédito.
Sei que assim foi feito com cada filme, mas quem paga pra ir no cinema paga pra
ver o filme completo. Guardando partes boas que compõe a história para ganhar
uma mascada no DVD é tapeação. Como em Thor 2 que a segunda cena pós-crédito
mostrava um beijo do nórdico com sua amada Jane Foster, coisa que acho que só
eu vi na sessão porque todo mundo havia ido embora. Mas era parte do filme… Em
épocas de DLC, Alphas, cenas inéditas em box caros… Acho que isso é um pouco de
tirar o telespectador (ou “cinemespectador”, huhu) pra trouxa.
Como a Marcela me confidenciou quando ela leu o livro do
Hobbit os anões não foram tão bem trabalhados como podem ser em 3 filmes com
atores, etc… e que a trilogia deixa muita saudades do Thorin, Bilbo e amigos.
Que esse é o verdadeiro trunfo. Passamos três anos acompanhando essa baita
viagem tanto fictícia quanto emocional e chegamos a conclusão de que mesmo com
tantas coisas que desagradam não há nada tão bom quanto revisitar a Terra
Média e nossos bons, velhos e queridos amigos. Bom filme. Ótimo filme, huhu…

Toma Rumo Guri!!
imagens: Google imagens e  Day Montenegro.

A Batalha dos Cinco Exércitos – Por Marcela Bezerra

   
OBS.: contém uma caralhada de spoilers. Leia por sua conta e risco.

   E então, o final chegou. O final de uma saga de três filmes, que de início me fez pensar que era “uma cilada, Bino”. Acredito que muitos pensaram desta forma e ficaram apreensivos, afinal, um livro que nem era realmente grosso renderia roteiro para TRÊS filmes? Antes de deixar minhas impressões, gostaria de dizer que nunca fui super fã de Tolkien, daqueles que sabem suas obras de trás pra frente, tudo sobre sua vida, etc. Na verdade, até 2011 eu não curtia nada dele, com base na péssima experiência de leitura que tive com SdA anos antes. Orgulhosa como sempre fui, não permiti pensar que a leitura foi ruim por não entender diversas passagens, e sim que a história estava mal escrita, que ele era um drogado/pirado e o que mais tivesse passado pela minha cabeça à época. Isso não me impediu de respeitar e até mesmo admirar o fascínio que meu melhor amigo possuía por ele e seu universo. Tanto que o presenteei com as principais obras em 2010. Um ano depois, resolvi pegar O Hobbit na estante dele e ver se poderia desfazer minhas impressões. O mundo mudou a partir daquele instante…
   Conhecer a Terra Média foi algo mágico, abriu minha mente, me fez desejar ser um elfo (e eu pensando que elfos eram tipo os do Harry Potter)… bom, quem nunca quis ser uma criatura deste universo que atire a primeira pedra. A leitura foi tão boa que depois li SdA. E amei. Acho que foi melhor do que se tivesse gostado de cara, naquela primeira vez.
Em 2012, finalzinho, veio o primeiro filme d’O Hobbit. E eu com aquela cara de “vem merda por aí”. Achei o primeiro filme até bem fiel, estranhei um pouco alguns anões… bem, eu fazia uma ideia diferente de como eles eram, o Fili e o Kili por exemplo, eles nem tinham cara de anões, até imaginava eles meio crianças na história. Fiquei boiando com aquela aparição do Frodo, mas depois que entendi achei genial. Um ano depois, voltamos a nos ver e lá fui eu criticar: mas que droga de personagem é essa Tauriel? Ela nem está na história e ainda por cima chega pra fazer triângulo amoroso com um anão que não parece um anão e o Legolas, que também não tá nessa história! Entre outras coisinhas. Porém, tinha uma coisa esplêndida acontecendo. O relacionamento entre todos, que até é bem superficial no livro (ele não é um livro denso, já disse), estava sendo explorado de uma forma muito bonita, principalmente entre Bilbo e Thorin. Aquela amizade acertou em cheio meu coração. Além disso, Smaug não poderia estar mais perfeito e assustador. O final deixou todos aflitos pelo último filme, e tivemos que esperar mais um ano.
   Mesmo ansiosa pelo desfecho, contando dias, quando chegou a hora de assistir confesso que fiquei com um aperto de saudade antecipado. Porém, de uma coisa tinha certeza absoluta: o filme não me pegaria de surpresa, já sabia tudo que iria acontecer, nada me afetaria. Nossa, como estava enganada…
  O filme começa exatamente de onde parou o segundo. Vemos Smaug estraçalhando toda a cidade, e então Bard aparece para salvar a todos. Confesso que esse destaque que deram ao personagem ficou muito bom, foi super bem explorado. Gostei bastante. Destaque incrível também dado à “doença” de Thorin. Podemos vê-lo enlouquecer gradativamente, preocupando seriamente seus companheiros anões e Bilbo. Nesse meio tempo, o Gandalf tá para virar comida de Orc, quando Galadriel e sua turma aparece para salva-lo. Se aqui eu já achei forçado, imagina como fiquei depois! Tudo bem, entendo que Jackson precisava dar grandes emoções ao filme, mas rélou, a história não era essa. Incluir uma personagem nada a ver com nada já foi esquisito, aquilo ali foi no mínimo desnecessário. Cena ficou legal? Ficou, mas não curti ela inserida no filme, apesar de saber que ela tinha um propósito maior.
   A guerra foi bem destacada também, muito mais do que eu esperava. Engraçado é que enquanto via o filme, ficava pensando no tipo de missão eles colocariam na última parte do jogo lego! E as baixas começaram a aparecer. Foi um choque e tanto quando o Fili morre, porque de verdade, não tava esperando naquele momento. Dei um gritinho no cinema e caí num choro muito sentido. Logo depois, Kili não demora a ter o mesmo destino. Nesse momento, apesar de muito triste, estava tendo um troço já, para entender logo qual era a da Tauriel. Tava quase acreditando que era a mãe perdida do coitado, quando ela beija o cadáver. Acho que preferia que ela fosse a mãe perdida, no fim das contas… Achei a batalha entre Thorin e Azog simplesmente épica, e apesar de saber o destino de Thorin, fiquei arrasada, completamente arrasada. A despedida do Bilbo então, nossa. Achei que nunca mais fosse parar de chorar. Como disse anteriormente, a amizade entre esses dois foi explorada de uma forma muito bonita e verdadeira.
   No final do filme, podemos entender de forma bem clara o que Jackson quis fazer desde o início, inserindo personagens que originalmente não estão na história: tudo se encaixa para dar início à jornada de destruição do Anel, embora os personagens não soubessem disso ainda. E quando voltamos aos “dias atuais”, com o Bilbo já velho, vemos que aquilo se passa exatamente em seu aniversário. Porém, o mais importante não foi essa poderosa ligação entre os filmes que Jackson criou, e sim o que ele fez com os personagens. Foram tão bem explorados, ficaram tão conhecidos nossos, que passaram a fazer parte de nossa vida e ser nossos amigos. Impossível não sentir uma saudade imensa, já na hora em que os créditos sobem.