Isolados

Antes de mais nada um aviso: Essa é uma resenha sobre um filme NACIONAL. Isso mesmo, N-A-C-I-O-Nal =Pp
É engraçado falar isso já que por mais que surjam uma ou outra pessoa defendendo a 7ª arte brasileira a maioria das pessoas já torce mesmo o nariz para produções tupiniquins, mas o fato é que quando eu pedi o ingresso para esse filme o atendente do cinema fez essa mesma indagação que eu citei. Ele falou: Você sabe que esse filme é nacional, certo? Do tipo “por sua conta e risco”. Eu sabia, fui sabendo do risco que eu corria.

Isolados conta a história de um casal desajustado (ele um psiquiatra, ela uma pintora) que sobem a serra fluminense para ter um tempo de descanso, só que rumores de bandidos violentos tira a paz do médico que em uma extrema e não compreensível babaquice resolve não contar nada para sua parceira. E o filme é praticamente isso. O casal em um frenético modo de sobrevivência. Pelo menos é isso que dá pra falar do filme sem dar um baita spoiler.
Tentando ser justo o filme aborda um caminho diferente do que os projetos brasileiros têm tomado. Ao invés do viés da comédia que sabe-se por que é uma receita fácil de sucesso nos cinemas brazucas, esse filme encabeçado por atores globais aposta em uma trama voltada para o suspense/um pouco de terror o que não é muito comum de se ver nas produções nacionais.

Falando um pouco mais a fundo sobre a trama ela é confusa mesmo e até um pouco mal estruturada. Embora muitas pistas do quebra-cabeça sejam deixadas a mostra durante o decorrer do filme, dá pra notar que as pontas não foram bem amarradas, na verdade há pontas do lençol do roteiro balançando estendido em um temporal de ideias mal captadas. Mas então o filme é ruim? Um pouco. Há um excesso de lirismo talvez tentando dar um ar de filme europeu e se perdendo em imagens estáticas. Uma torneira escorrendo por uns 15 segundos explica o que quero ilustrar. 5 segundos seriam o bastante para dar entender algo, mas o preciosismo acaba tirando esse brilho e tornando-o banal. Outra coisa é que de fato o filme se torna muito maçante em muitos pedaços. Porém o filme consegue trazer uma preocupação pelos personagens, ainda que você não se importe realmente com eles. Não quer que morram já que o perigo parece rondar. É como se despertasse nossa empatia, mas não simpatia. Não morram, espero que saiam vivos, mas rápido, okay? Mais ou menos assim.
Não dá pra entender o problema real da dupla por mais que alguns flashbacks se apresentem. Vcoê parte do zero e assim continua. Também é impossível saber o porquê da personagem do Bruno ser tão extremamente estúpido. Toda idiotice atrai um destino pesado, não dá pra chorar um leite derramado por negligência de fechar a tampa. É esquisito. Você quase acha que eles mereceram estar na situação que estão.
Não gostei também do final que remete a uma das lendas urbanas mais famosas de todas. Pareceu clichê demais. Um caminho fácil para um roteiro pretensioso. Sem querer dar dica, mas esse tipo de plot dá uma sensação de tempo perdido.

Sobre os atores creio que a escolha do Bruno Gagliasso para tal papel não tenha sido acertada, pois por mais que a personagem dele talvez fosse focada em uma certa apatia é difícil distinguir o quanto vemos da tal dita apatia e o quanto realmente é apenas uma interpretação desacertada. Mesmo nas partes de explosões emocionais não conseguiu me convencer de muita coisa. Regiane Alves está mais a vontade no seu papel. Temos inclusive a presença do agora defunto José Wilker, uma boa surpresa para quem achava que não iria mais ver sua interpretação em uma obra inédita. Isso mostra um pouco também o quanto demora para um produto nacional que não é mainstream sair dos rascunhos.
Ao término do filme conversei rapidamente com um casal e um rapaz que comigo eram o público total da sessão. Também falei com um lanterninha que me disse que muitos saem desse filme sentindo-se enganados. Mas o pessoal que assistiu comigo elogiou-o a ponto de dizer que nem parecia produção daqui, não pelos efeitos, mas pelo estilo suspense da história. Fato é que é uma película que causa uma certa confusão nos sentidos e que apesar de um final insosso vai durante o percorrer da sessão lhe trazendo sentimentos antagônicos, mas ao menos vai cumprir sua missão como filme: De alguma forma mexer com você. Para o bem, ou para o mal.

Toma Rumo Guri!!

TRG Reviews: Cavaleiros do Zodíaco – A Lenda do Santuário

 

Você certamente já tem uma opinião formada sobre o filme que reconta uma das sagas principais dos cavaleiros de bronze mesmo que ainda não tenha ido ao cinema assisti-lo. Centenas de declarações de ódio tem abundado nos principais canais de comunicação e redes sociais e isso com certeza vai cortar as asas de um Pegasus e transformá-lo em um simples pangaré. Fãs enraivecidos tem rasgado suas revistinhas Herói com a Saori Kido na capa e atirado seus bonequinhos da Bandai (“Porque os verdaaaaadeiros cavaleiros do zodíaco são da Bandaaaaaai”) e estão gritando aos quatro ventos dos picos antigos que aquilo é tudo menos uma adaptação de Saint Seiya.

Foto dos clássicos para tirar o gosto ruim da boca…

Bom, primeiramente uma rápida contextualização: CDZ foi o primeiro anime (consciente do que era pelo menos) que eu assisti daquela leva que a Manchete traria na onda do sucesso dos santos de bronze. A febre foi tanta que a emissora da Bloch importou da terra do sol nascente várias “cópias” de armaduras como Samurai Warriors e Shurato. Demorou até que a rede percebesse que o segredo de Seiya e amigos não eram apenas um bando de armaduras caricatas, mas sim uma mensagem de amixade, determinação e porradaria com nexo. Disso veio Yuyu Hakushô. Eu lembro nitidamente que trocando de canal parei na Manchete ao ver um desenho onde um loiro de olhos gigantes lutava fazendo passos de ballet contra um sujeito bizarro com os olhos afundados. Era Hyoga de Cisne que ao aplicar o seu Pó de Diamante e vencer seu adversário usando uma boa dose de sua frieza e desdém habituais marcaria o início de uma paixão por um simples anime. Sim, comprei bonecos, tenho quase todas revistinhas já citada (Herói maldita com seus spoilers malditos) e discutia ferozmente que o meu personagem favorito, o pupilo de Kamus, não havia morrido para o vilão oriundo das profundezas de um vulcão da Ilha da Morte. No fim não morreu mesmo graças a um talismã dado por sua mãe, mas a história pára por aqui. Sem querer parecer hipster, mas acompanho os cavaleiros de bronze há muito tempo e acompanhei toda as sagas dos protegidos de Saori da Guerra Galática até Poseidon em um loop de repetições de pacotes de episódios que a Manchete comprava aos pouquinhos. Sim, Hades só veio depois, nem tinha sido produzido. No máximo um cdzinho com Pandora trocando um papo com Ikki.

Finalmente Seiya de 4 com sua armadura galopante

Por eu conhecer Cavaleiros muito bem e por ser um resenhista de filmes que posso falar com toda certeza: Não posso analisar esse filme. Cuma?! É, isso mesmo. Ao meu ver esse é um filme infantil. E não a nível de Toy Story, Procurando Nemo, Tá Chovendo Hamburguer, pois mesmo esses você poderia achar alguma coisa para se agarrar. Em A Lenda do Santuário (Que de Santuário ficou na lenda mesmo) pra mim exerce a mesma função de A Galinha Pintadinha. É uma animação rasa que é cheio de cores e luzes para deixar suas crianças olhando para a tela fixamente. E quando me refiro a infantil não suponho que você visualize nossa meninice quando assistiamos TV Manchete, mas sim infantes de 3, 4 anos mesmo. E levando por esse ponto de vista o filme é aceitável. Não é bom, é só um “ok” do tipo não é nem de longe a pior coisa já feita. É somente vazio. Roteiro, história, personagens, carisma… Tudo.

Saori ficava melhor com as tranças longas, huhu…

A animação e a modelagem (temos que falar visto que se apostou tanto nesse trunfo do 3D) são muito bonitas em algums partes, mas estranhei que em algumas outras os designers 3D parecem que ficaram na preguiça. A pele da Saori (principalmente a perna) e o casaco do Seiya são de uma textura incrível, mas daí você vê o rosto do Kamus e sente um certo desdém em manter a qualidade. Os gráficos misturam um semblante cartunesco com expressões e visual mais sério, acachapado. Logo no início o que se nota e poderia ter sido um desastre ainda maior foi o jeito totalmente tosco de corte de cenas e principalmente o efeito de luzes pirotécnicos. Queriam mostrar logo cedo ao que viriam, mas esse é um dos erros crassos ao brincar com CG que é achar que quanto mais efeitos, explosões e luzes piscando freneticamente melhor. Ledo engano.

Oi, Aldebaran meu nome é Sey… Alcancei o 7 sentido!!!

 Honestamente não há muito o que se falar do enredo da trama. Além da história das 12 casas ser mega conhecida (e batida o suficiente para não se mexer nela), há o fato de que não há tempo hábil para desenvolver nem 1/12 da saga original. Pode parecer exagero, mas nenhuma das casas de ouro foi desenvolvida com o mínimo de integridade. NENHUMA. Novamente parecem (as cenas) ter sido feitas para pessoas com um grau baixíssimo de rigor e altíssima aceitabilidade de tudo. Todas as lutas seguem essa fórmula: Mocinho fala que vai enfrentar o malfeitor. Vilão fala que mocinho não é páreo para ele por não ter o sétimo sentido desperto, inimigo acerta um único golpe em mocinho e esse mesmo (mocinho!!!) revida com um golpe mortal vindo do alto do desespero dessas duas frases trocadas ao acaso. Sério, é frustrante sequer imaginar que achariam mesmo que alguém aceitaria esse nível de desenvolvimento porco. E acho estranho mesmo se concebido para crianças, pois o Japão não costuma facilitar nem mesmo pra elas.

Seiya dando a dica da faixa etária do filme

Todos os personagens são mal desenvolvidos com exceção do Pocotó de Pegasus. Os outros bronzeados não tem personalidade nenhuma e o Ikki vira algoz de personagem secundário como o figurante número 7 que acerta sabe se lá o que no peito de Saori. Hyoga, Shun e Shiryu são escada pro viadinho do Seiya. Saori em tese aparece até mais que o percursor das camisetas vermelhas para líderes, mas é tão cheia de gritinhos, amuadices e mimimis que chega a ser chata. Não se sabe se ela é determinada ou bundona até o final. Seiya brilha se comparado aos outros, mas isso não é mérito algum. Os cavaleiros dourados são o ponto fraco de algo que já não é lá essas coisas. Além de personagens desvirtuados como uma mulher na casa de Escorpião, Afrodite que ninguém sabe nem como é sua voz e um Máscara da Morte que é a síntese de meu argumento já que ele encena, sapateia e, sim meu amigo, ELE CANTA! Tudo típico de uma corruptela da Disney. Muito mal feito e embaraçoso. O engraçado é que tinha bastante adultos e de casalzinhos na sessão.

Touro e Mu. Sacaram a ironia bovinal? =Pp

No fim das contas acho que todo mundo levou na piada tudo e apesar de pouca risada ser audível era nítido o risinho forçado do tipo “ah eles optaram em fazer assim então. Interessante!”, porém com certeza todos estavam um pouco envergonhados de terem sido pegos em um filme com a classificação etária errada para eles. Ah, como eu dizia dos cavaleiros de ouro eles iam sendo embolados uns com os outros Shaka indo na casa de leão, Mu na de touro, a garota-escorpiã sendo anfitriã de Shura de Capricórnio fazendo ter muito personagem para pouca função. Saga me lembrou o último episódio de Changemans onde o vilão Gozma era um planeta, kkkkkkk. Dica: Se puder corra do cinema gritando bem alto ao tapar os ouvidos na parte do Colossus, kkkkk.

Esse é o calaleiro de Pegasus. Acho…

Nem discutirei o design das armaduras, visto que é a última coisa que valeria ser abordada depois de tudo isso. Apesar de não serem esteticamente bonitas, pelo menos acaba com o argumento de que as tiaras das donzelas de Athena não protegeriam nada. O problema é que é difícil saber quem é quem.
Sinceramente se não soubessemos que eram os ícones de nossa infância e fosse vendido como um filme qualquer o valor sentimental desse filme seria zero. Não há empatia, não há nenhuma emoção, não há diversão franca. O que sustentou suportarmos a tortura de assistir um filme para crianças (de 1h30min, pequeno para os padrões de hoje em dia) pequenas foi o fato de completarmos as lacunas com nosso know how de CDZ e com certeza de muitas vozes originais dubladas por esses talentosos artistas tupiniquim. Nosso Saga deve estar com uns 80 anos, mas sua voz ainda é firme e vigorosa e o Seiya, Ikki, Shiryu e o Hyoga  mantem a qualidade do anime mesmo o timbre valendo mais que a própria animação.

Comédia estilo Zorra. Difícil rir assim. Saori pagando de Bulma, mas sem os peitões. =Pp

Poderia falar ainda muito mais, mas acho desperdício. Como disse antes não é o pior filme do mundo (ainda mais falando de animações 3D que tirando a Pixar, DreamWorks e a ESMA não costumam dar importância relevante para o argumento da trama) e se fosse um filme de sessão da tarde você iria assistir por curiosidade com seu sobrinho com capacidade inteligível baixa e daria risada de quão tosco é a produção. Só que ao mesmo tempo é um filme confuso e talvez beirando a violência o que não seria adequado para eles. Talvez como disse seria ideal para criaturas que se entretém com luzes e brilho do monitor. Talvez um cachorro. Nem, seria maldade com o melhor amigo do homem, huhu…
Tá, se você não gosta de Saint Seiya porque não acontece nada e os personagens são paradões ou por qualquer outro motivo não assista a esse filme. Se você é fã confesso vá ver com a simples curiosidade de ver o que essa geração vai herdar deles. Mas vá sozinho, compre um combo gigante de pipoca e Coca-Cola e não vá em um fim de semana. Não torre um finde para isso. Pegue uma quarta, sei lá eu. E leve na esportiva que aí talvez saia uma experiência tranquila. Uma pena, tão dominantes do sétimo sentido e não chegaram nem perto de aprender a dominar a sétima arte.

Seiya tá puto com a crítica…

Ps. O cosmo virou o sexto sentido. Puta que pariu, intuição = cosmo.

Toma Rumo Guri!!

TRG Reviews: As Tartarugas Ninja

As Tartarugas Ninja X As Tartarugas Ninjas
Antes de mais nada: Por que o nome é Tartarugas Ninja? Sim, o Ninja no singular. Não sou especialista na norma culta da língua, mas creio que o correto seria mesmo Tartarugas Ninjas, no plural ambas as palavras concordando direitinho e bonitinho. Porém há quem diga que a palavra ninja (忍者) não flexiona em número no Japão (não tem o plural, isso é verdade). Há também quem diga que elas praticam a arte de ser ninja. Porém nas traduções para o português a expressão tem que se adequar ao (veja vocês) PORTUGUÊS! Também não cola muito essa história de praticar porque nunca ouvi falarem, por exemplo, os homens corredor. Enfim, não quero cagar regra, mas não faço ideia do por que fizeram essa tradução. Agora a resenha:

Essas tartarugas tem levado a sério a malhação… Te cuida com o antidoping, Raphael…

Os quelônios mais amados da cultura-pop (sem medo de errar, não consigo lembrar de nenhuma outra tartaruga com tanta expressão) voltaram para a tela grande para mais pizza, artes-marciais e non-sense e, com certeza, nos fazer rir pra caramba. Primeiro é necessário avisar que o filme já está há algum tempo em cartaz portanto vá ver antes que tenha que alugar o DVD. Sério, é uma experiência que vale a pena. Por que eu demorei tanto para ver? Bem… Deixe-me contar uma história:

Vai dizer que não era o máximo esse grupo? =)

Minha infância e adolescência foi cercada por referências da cultura pop, porém uma das franquias que mais me acompanhou foi a desse quarteto de répteis com nomes de artistas renascentistas. Lembro de minha mãe me levando ainda infante para assistir o Segredo do Ooze (segundo filme das tartarugas que você pode ver AQUI) em um cinema que ficava, se não me engano, na Av. Padre Chagas. Cara, minha cabeça explodiu. Como eles faziam aquelas tartarugas humanoides tão perfeitas (sim, para a época, embora ainda hoje acredite que seja assim) e reais. Para uma criança qualquer coisa que levasse a alcunha de ninja era mágico, imagina quando eram quatro répteis humanizados que amavam comida italiana treinados por um rato simpático e amigos de uma jornalista gostosa que lutavam contra uma gangue liderado por um cara de armadura. E eram adolescentes. Sim, era tudo o que dava pra tentar imaginar, rs.

Santa Tartaruga!

Além disso havia o desenho que passava nas manhãs da Globo (que também era “ducaramba”) e os games (ah, os games!).

Dava pra jogar de 4. =Pp

Com exceção do TMNT 1 do nes (nintendinho) que era muito ruim todos os outros jogos arrebentavam. O 3 com cenas na praia, o do Snes com um chip bem utilizado para poder jogar um inimigo na tela e, claro, a versão do fliperama que permitia (junto com um dos Simpson que guardo na memória) poder jogar com mais três amigos simultaneamente.

Doni deve ter miopia. Não sabia que era possível em répteis.

Acredito que o segredo (não do Ooze, mas dos personagens) do sucesso além de tudo isso já citado era a diversidade de personalidades. Sim, nos quadrinhos que deram vida a obra todos usavam a mesma cor de faixa e não eram bem diferenciadas, mas quando elas ganharam a mídia elas não só vieram com as já famosas máscaras roxa, azul, laranja e vermelha como ganharam personalidades bem delineadas e um humor gostoso o suficiente para marcar sua infância.

Se tamanho é documento, Donatello é o mais bem servido, huhu…

Por serem 4 irmãos com gostos e personalidades diferentes não era raro que cada criança se identificasse com uma nas suas brincadeiras. A maioria gostava do Mike (Michelangelo) por ele ser o engraçadão beirando a idiotice, mas tinha os que gostavam do lado sério de Raphael, os que curtiam a liderança do Leonardo. Alguns iam pelas armas e nesse quesito tenho pena do Rafa, huhu. Meu irmão tinha no Léo sua favorita, mas nunca descobri se foi por ele ser xará dele ou algum motivo mais profundo que isso. Eu não sei o porquê, mas minha Tartaruga Ninja preferida sempre foi (e sempre será) o Donatello. Claro que eu poderia dizer que é por causa de sua sapiência (embora sejam tartarugas e não sapos =Pp), mas eu era criança, não sei se já era esse gênio que sou hoje (huhu =Pp).
Okay. Já dei um background para vocês entenderem a importância do quarteto para a geração dos anos 80 e 90. Mesmo com o péssimo filme número 3 (no japão feudal com viagem no tempo) a gurizada realmente era apaixonada por eles. Eu tinha muito medo que eles cagassem o filme novo e por muito tempo não se falasse mais nesses animais mestres do ninjitsu, mas (felizmente) não foi assim. O filme é bom. Muito bom!

Bate-papo no esgoto.

É difícil emplacar filmes/desenhos/games que marcaram época em versão repaginada. Nos trailers eu me assustei com o semblante que Michael Bay deu para as ninjas tartarugas. E não é só por causa do bico de quelônios que não estava mais lá, mas porque elas usavam um macacão de bambu e (nos trailers) faziam piadas horríveis. Era no nível do filme do Homem-Aranha, sabe qual é? Pois então. Megan Fox também me agoniava. E ainda tinha todo um boato que elas seriam alienigenas e não mais mutações. Caraca, vê se não é motivo para tirar o sono de um fanzoide.

Sensualizando com o bloco de notas. Quem nunca? =Pp

Porém pela primeira vez na vida dou os parabéns para o Bay (não gosto dos filmes dele cheio de ação robótica e apatia de personagens) que soube transportar os elementos essenciais de Michelangelo e sua turma para a década atual dando um visual moderno, mas lá no fundo, ainda eram as mesmas humoristas comedoras de pizza treinadas por um rato e… Ah, você já entendeu o ponto.

Acabando com a magia da coisa. O detalhe é que ele tá animado. É a Megan, a gente entende, kkkk.

O filme tem ação na medida certa, com lutas muito bem coreografadas (milagre se tratando do diretor), a Megan Fox (que é muito linda) materializou bem a April e sua determinação e sede de confusão, o Splinter é bem carismático e o cameraman (que pra mim é um motorista de repórteres) completou bem o time. O ponto mais fraco com certeza foi para o Destruidor que está muito caricaturizado, um Power Ranger misturado com o Inspetor Bugiganga. Bay ainda trouxe nele sua visão de Transformers. O personagem em si (um lutador japonês) era respeitoso e quando ele obteve sua armadura tudo ficou ainda melhor. Não fossem pelos apetrechos forçados teria sido um personagem legal. Inclusive a cena final com ele enfrentando o quarteto ninja mais a gostosa é muito grandioso.

Essa cena é hilária. Vai por mim. ;]

O humor é no ponto. Embora esteja em voga o pastelão escrachado no cinema nenhum filme (com exceção de Guardiões) esteve tão bem alicerçado no fazer rir. Inclusive tirou o gosto ruim da boca dos trailers, elas (piadas) dentro do contexto ficaram muito boas. Levei a superguria para assistir, ela que não tinha essa cancha das personagens que eu tenho (fora ser muito exigente para humor), riu às veras em muitas cenas. Muitas mesmo.

Até a dublê da Megan Fox é gostosinha, kkkk. Vai dizer que ela não podia ser a April também?

Falando nas personagens, elas são muito bem construidas e você realmente fica preocupado mesmo sabendo que não vai acontecer nada aos que levam o nome no título. Mesmo assim você fica roendo as unhas (se for mulher =Pp) e embarca nas cenas recheadas de um som de qualidade e efeitos especiais muito bonitos em cenas que às vezes não tem nenhum humano (tá, tem os atores com aquelas roupas esquisitíssimas, huhu). A cena que o Splinter enfrenta o Destruidor também é muito boa e você torce para ele não morrer. Também preste muita atenção na cena na neve com o close bondoso na bunda da Fox. Para as meninas tem o destaque heróico do Raphael. u.u”

Cena final é foda demais.

Ainda vale uma última observação. Em um momento avançado do filme Mike grita o velho refrão “Cowabunga” e aqui vai um elogio aos dubladores que mantiveram o nosso “Santa Tartaruga” no lugar, visto que a expressão havaiana não é tão célebre por aqui. Talvez o ponto fraco do filme é que a versão dublada não traga as vozes dos antigos filmes e desenhos, mas os novos dubladores mandaram bem também.
Bom, se ainda der tempo corra até uma sessão que esteja passando o filme e se divirta sem medo porque o filme é muito bom. Para velhos fãs e para os novos. Tem muitaaaaas refêrencias implícitas no filme. ;] Tudo na medida certa e bem dosado.

Pra arrebatar o post fiquem aí com uma versão feminina das tartarugas.

Pra tirar tinta do rego depois deve ser difícil. Uma semana defecando verde. =Pp

Que cascos, huh?


Toma Rumo Guri!!

TRG Reviews: Lucy

Lucy é um filme que fala sobre drogas. Muitas drogas. Drogas
pesadíssimas consumidas em grande escala pelos roteiristas, produtores e
qualquer pessoa envolvida nesse projeto. É algo tão avassalador que sobra até
para a coitada da Scarlet gostosinha Johansson que não merecia estar envolvida
nisso. Só para vocês terem uma ideia a cada bloco de desenvolvimento do filme
eu soltava a seguinte interjeição: “É muita maconha!”. Tentarei explicar e
fazer a análise mais justa que conseguir: Foi o pior filme de toda a minha
vida. Sério.
Antes um contexto: Não esperava nada do filme, tinha que
matar tempo para buscar a superguria na faculdade em Sapucaia então fui até São
Leopoldo (cidade metropolitana, mas distante) e não pensei duas vezes em que ia
me divertir um bocadinho com a Scarlet. Infelizmente a película era dublada e
isso agravou o massacre dos meus sentidos, mas creiam que de todo o conjunto da
obra a dubladora com voz de velha reumática (sem querer ofender o trabalho,
apenas não combinou com a jovem loira) foi o pior de meus problemas. Comprei um
pacote de pipocas e uma Coca-Cola e me sentei bem no meio do cinema, um pouco a
frente. Era o primeiro de uma galerinha que começava a se apinhar atrás de mim
(ui!).  E aí, bem, foi desgraça atrás de
desgraça.
O filme começa com a personagem que dá nome ao filme, Lucy,
sendo pressionada por um grupo de tráfico a dar informações sobre um namorado
que teve e é usada como cobaia em uma cena onde a tadinha fazia caras e bocas
de quem sofria muito (Scarlet tem cara de que a pior dor que teve na vida foi
uma unha quebrada…)0 em todo um cenário non-sense onde homens se escondiam
atrás de escudos blindados obrigando a moçoila a abrir um pacote que poderia
ser uma bomba ou poderia ser outra coisa. E era. Uma droga muito poderosa em
forma de pó e na cor anil. Um paralelo com uma palestra da personagem do Morgan
Freeman (um cientista) começa a intercalar com as cenas sôfregas da nossa Viuva
Negra começam a aparecer e o homem que já apresentou ótimos programas
científicos como Wormhole vê-se obrigado a falar bobagem em cima de mais
bobagem sem nenhum respeito pela biologia, física ou matemática. A velha
mentira dos 10% de limite de uso da mente vem como uma verdade absoluta. A palestra
se estende demoradamente entrecortando com cenas nas quais Lucy é uma das
cobaias (mulas de drogas) para atravessar a tal substância que daria um barato
aos jovens europeus. Lucy acorda de lingerie e um corte na barriga ao que lhe é
explicado  que um dos pacotes de droga
foi lhe introduzido para poder transportar dentro de si a encomenda por algum
aeroporto. O problema é que durante uma tentativa de abuso Lucy leva uma bicuda
no estomago e a droga rompe o pacote misturando-se ao sistema orgânico da
mulher. E inexplicavelmente a tal droga (uma versão sintética de uma substância
presente na gravidez, e que segundo a personagem de Freeman é uma bomba atômica
para o bebê) lhe concede a perfeição humana.
É muita maconha.
Os momentos iniciais da droga espalhando-se pelo corpo de
Lucy é um espetáculo a parte. Além de efeitos especiais mostrando que as
células estavam se agitando no interior dela como feixes de luz desconexos a
atriz teve o ridículo trabalho de interpretar uma moça indo de um lado para
outro, jogando-se, estrebuchando, ficando presa ao teto, depois ao solo como se
seu organismo interno deteriorasse a gravidade ou ainda que as partículas que
se moviam dentro de seu corpo lhe jogassem para lá e para cá ao invés de que
(faria mais sentido) furassem seu tecido epidérmico. Mas ok. Passou. Foi o
único aprendizado de uma mutação gigante que lhe aconteceria. Todo o resto
passaria batido e sem dificuldade alguma (Nesse sentido o jogo Prototype dá de
10 a 0). Lucy ganha poderes extraordinários, mas em troca perde emoções,
sensibilidade e fraquezas. Perde a noção também. Pois liga para sua mãe e
começa a falar coisas desconexas como se estivesse fazendo uma declaração de
amor. No máximo aquela cena serve como alerta para o que as drogas podem fazer
com um indivíduo. Ela diz que lembra do gosto do bico dos seios e leitinho de
sua progenitora, huhu. É muito bizarro.
É muita maconha.
O filme ainda conta com um policial que até agora não
entendi muito bem o que ele deveria ser ou fazer na película. E não bastando a
podridão do argumento desse filme acontece a cena de beijo mais desnecessária,
vazia e dispensável já vista em Hollywood. 
Lucy passa por um processo gradual aumentando percentualmente a
capacidade de sua mente. Quando ela chega ali pelos 40% já consegue controlar
ondas magnéticas, subjugar vontade de pessoas, dirigir com a mente, dar zoom
digital no vidro do carro e até mesmo consegue, e isso é muitooooooo bizarro,
tocar na cabeça das pessoas e ver o que elas estão pensando ou que memórias
guardam nas sinapses mentais.
É muita maconha.
Eu me contorcia na poltrona. Não tinha uma cena que prestava
mesmo depois de uma sucessão delas passando no decair dos minutos perto do fim.
Só o que sentia era pena e graça. Mas a graça vinha da pena. Se fosse uma comédia
até pode ser que passasse de boa, mas o filme tenta passar a maior sobriedade
do mundo. Lucy em muitas cenas filosofa como se estivesse em um bar. Um dos
pontos altos é a teoria da unidade fundamental que é o tempo. Se você tiver a
infelicidade de assistir essa bosta (sim, estou julgando) preste muita atenção
nesse diálogo. Roteirista cheirou um cogumelo selvagem.
É muita maconha.
Lucy consegue entrar em um hospital lotado com uma arma na
mão e ninguém nem repara. Chega na sala de cirurgia sem ninguém perguntar quem
ela era ou o porquê de estar ali. O médico quando vê ela quase oferece uma
cadeira. As cenas no avião são uma zoação total. Parece mais um teste de efeitos
especiais do que um filme propriamente dito. Se dissessem que aquilo tudo era
um teste de CG eu levava na esportiva. Talvez.
É muita maconha.
As interpretações são fracas. Mesmo Freeman que não parece
muito a vontade (talvez não tenha lido bem suas falas quando aceitou o papel)  e a própria Scarlet que está péssima embora
pode ser que tenha a ver o fato de que sua personagem tenha perdido a
sensibilidade. Tem que ser isso. TEM QUE SER.
No final (é um pouco de spoiler sim, mas você não vai querer
ver esse filme, vai por mim) Lucy chega aos 100% de sua capacidade mental e
viaja no espaço e no tempo visitando em sua cadeira executiva os dinossauros e
até mesmo os macacos primitivos a quem ela troca um dedo no dedo, huhu. Depois
da perfeição alcançada ela se transforma numa geleca preta e desaparece
deixando um pen-drive fabricado de suas tripas que seria uma base de
conhecimento infinito. Tudo isso por uma droga forte misturada ao seu corpo.
É muita maconha.
Eu entendo que filmes tem que ter um escape da realidade,
ainda mais no que intencionava essa trama. Porém eles foram em um nível que é
difícil até mesmo para uma criança entender como seria possível aquilo. E olha
que quem está falando isso é alguém que acha plausível um guaxinim e uma árvore
passearem pelo espaço em uma bonita amizade. Sério mesmo, Lucy se equivoca de
uma maneira que você com qualquer base de conhecimento que tiver sai do cinema
dando risada da estupidez humana. A moral da história é que não tente parecer
inteligente quando você não é. Só vai parecer mais idiota.

Quando o filme terminou, sem brincadeira, eu e um cara que
estava com mais duas pessoas exclamamos em uma mesma voz: “Que bosta”. Enfim,
fujam desse filme. Nem tentem. É o pior filme que já vi. Repito. Nem as cenas
de peitinhos balançando ajudam. Na verdade nem se Scarlet Johansson aparecesse
nua e brincando de helicóptero com as pernas salvaria essa desgraça. É triste.
É Lucy.
Toma Rumo Guri!!