Vem aí o AX2017 B

O AnimextremeDaqui algumas semanas vai acontecer o ANIMEXTREME 2017 (segunda edição do ano) e o TRG pretende fazer sua habitual cobertura marota. De todo o modo se talvez você tenha estado perdido em uma caverna e não saiba o que é esse evento segue aí do que se trata. Espero encontrar vocês por lá. Segue informativo do próprio AX:
O Animextreme é um evento multitemático que reúne diversas atrações voltadas à área do entretenimento e lazer jovem.  Esse gênero de eventos é a especialidade da AFAR Produtora, que conta em seu portifólio, além do prório Animextreme que se encontra em sua vigésima sétima edição, 3 AnimeRS e 2 AnimaHeroes. O evento já possui prestigio do público e uma marca consolidada no sul do Brasil. Voltado ao público jovem, o Animextreme é um evento realizado durante dois dias, onde conta com uma grande diversidade de atrações e que reúne milhares de pessoas que se deslocam de diversos pontos de dentro e fora do estado para participar de atividades de cunho cultural, lúdico, educativo, de entretenimento e de lazer.
Valorizando hábitos que estimulam o raciocínio e a socialização das pessoas, o Animextreme vem difundindo cada vez mais entre os jovens o hábito à leitura, a pratica do desenho, a imaginação e interpretação, a popularização de jogos de raciocínio, a aproximação de artistas com o público e proporciona aos jovens conhecerem novos amigos. Assista nosso institucional:


Entre as principais atrações acontecidas no Animextreme estão:

• Concurso de Cosplay: O concurso de cosplay é uma atividade em amplo crescimento. Trata-se de um concurso de fantasias temáticas com regras aprimoradas. Em vez de o participante apenas ser julgado pela sua vestimenta, é considerada a interpretação de cenas do vividas pelo personagem. A atividade estimula no participante o interesse pelas artes cênicas e dramaturgia, estimulando os envolvidos a serem criativos e trabalharem em grupo.
• Concurso de Karaokê: Nesta atividade (chamada no evento de “animekê”), o participante compete com outras pessoas através da técnica vocal. O público é estimulado a interpretar músicas e trilhas sonoras de animes, seriados e filmes diversos. A atividade estimula o jovem a desenvolver sua técnica musical e ajuda a desinibição na oratória.
• Torneios de Videogames e Fliperamas: São apresentados diversos tipos de jogos, desde os esportivos até os de raciocínio, onde o participante explora o seu potencial de concentração e de auto-afirmação para superar outros participantes e conquistar o título de vencedor.
• Mostra de Vídeos e Seriados: São montadas salas de exibições, onde são apresentadas ao público diversas opções de vídeo. Entre eles, as apresentações de seriados clássicos, desenhos animados, shows e apresentações.
• Oficinas e Workshops: São apresentadas ao público, diversas oficinas onde os mais variados temas são ministrados. O visitante tem a oportunidade de aprender origami, desenho em quadrinhos, técnicas de pintura, artes marciais e corporais, e diversas outras atividades que despertam o interesse no tema abordado.
• Jogos de RPG: São realizadas diversas atividades de RPG. A sigla vem da abreviação da expressão inglesa “Roleplaying Game”, a tradução mais popular para ela é jogo de interpretação. Neste jogo os participantes assumem o papel de personagens fictícios criados por eles mesmos, e através de imaginação e criatividade coletiva, desenvolvem uma historia de acordo com suas escolhas representativas. Alem de trabalho em grupo, o jogo desenvolve o raciocínio lógico e o incentivo pela leitura.
• Card Game: Esta atividade conta com um amplo espaço para a realização de diversos torneios de uma grupo de cards distintos. Tratam-se de jogos de cartas colecionáveis nos quais os participantes criam baralho de jogos personalizados combinando estrategicamente suas cartas e competindo entre si. Os Card Games estimulam o pensamento estratégico e influenciam o constante aperfeiçoamento do jogador.
• Exposições: São expostos ao público, diversos quadros, desenhos e gravuras com os temas focados no Animextreme. Além da mostra de pôsteres, são apresentados desenhos de artistas emergentes e renomados no cenário nacional.
• Gincanas e atividades esportivas: O público pode participar de gincanas, concursos de raciocínio, torneios de futebol e outras que estimulam atividades em grupo, onde o objetivo é superar desafios pela união da equipe formada.
• Apresentações de Talentos: São apresentados talentos populares. Bandas iniciantes, associações de jogadores de iô-iô, humoristas, cantores, grupos de dança e diversos outros com características jovens e de entretenimento.
• Fã Clubes e Espaços Temáticos: Diversos fã-clubes expõem seus itens de colecionador e ministram atividades relacionadas a seu tema. Entre os que já participaram estão clubes de Star-Wars, Arquivo X, Senhor dos Anéis, Harry Potter, Crepusculo, Super Natural, Chaves e outros.
• Artistas, Webcelebridades, dubladores e músicos: São apresentados ao público artistas de reconhecimentos nacional, que interagem com os presentes ministrando palestras e dando entrevistas, tirando fotos e dando autógrafos ao seus fãs.

SERVIÇO:

• 27º  Animextreme
• 07 e 08  de Outubro
• Horários:  Sábado e Domingo: Das 11h às 20h30
• Centro de Eventos da FIERGS
• Av. Assis Brasil 8787 – Porto Alegre

TRG NEWS – TRAILER VAZADO VINGADORES – GUERRA INFINITA

Alguém vazou o trailer de Vingadores – Guerra Infinita (Avengers – Infinite War) que foi exibido para uma seleta (pelo menos na cabeça deles, pois alguém deu seu jeitinho de filmar – ainda que porcamente) plateia na maior convenção nerd do mundo: A San Diego Comic-Con. O enquadramento não é dos melhores, mas dá para ver (SPOILEEEEER ALERT) o encontro do Thor com os Guardiões da Galáxia, o novo uniforme do Aranha e o Thanos botando para quebrar mesmo sem seu simpático elmo que lhe deixa mais apresentável. Eis o vídeo:

UPDATE: Qualidade um pouco melhor (bem pouco, mas o angulo é melhor haha)

Em breve a Marvel deve disponibilizar oficialmente em seu canal para não perder seus próprios views, além de, é claro, culpar a maldita Hidra por mais esse vazamento, rsrs.


O que acharam? Ansiosos?  Achei do caramba e os gritos dos presentes (agora ecoados pela plateia de internet) a cada aparição mostra o hype que já está virando. Pode vir Thanos…

TOMA RUMO GURI!!

Vai Teia!

Nesse finzinho da semana entrou em cartaz o novo fílme do Homem-Aranha e isso enterrou de vez todas as piadotas de internet que gozavam o fato de que o Cabeça de Teia não fazia parte do Universo Cinematográfico da Marvel e, por sua vez, dos Vingadores mostrando que nem mesmo os memes são eternos. Um acordo inedito entre a Sony (que comprou os direitos do personagem para os cinemas a preço de bala Juquinha na época que a Marvel quase faliu) e a Disney (Que tem se virado sem seus herois mais rentaveis e atrativos – Vide X-men e o Aranha – de maneira criativa ) possibilitou saciar o desejo dos nerds de ver um filme do Amigo da Vizinhança sob a visão mais apurada, pelo menos na maioria das vezes, da Marvel. Porém, infelizmente, por mais divertido que o filme seja em algumas partes ele não é o que todo fã do aracnídeo esperava ver.

Para comentar sobre esse filme gostaria de fazer um paralelo com uma amizade antiga que tive criando uma linha do tempo pessoal em cima das obras hollywoodianas do sobrinho da tia May. Cansamos de ver a trilogia do Aranha chorão do diretor Sam Raimi (2002-2007) nos Telecines da vida. Era uma fase de filmes de quadrinhos onde tudo era “novidade” e na época que foi lançado nos cinemas arrecadou dinheiro como pão quente na padaria numa segunda de manhã. Eram tempos mais inocentes e o público pagante não reclamava tanto, só o fato de ver o Peter Parker saltitando em uma tela gigante já era o bastante para receberem nossos agradecimentos e ficarem com nossos níqueis. Lembro que esse amigo e eu gostavamos desses três primeiros filmes porque era fácil de arrancar risadas ainda que não fosse a intenção do autor. Tinha um vilão esquisitamente robótico, um Peter Parker emo que chegava a dar aflição e as expressões faciais de Tobey Maguire que por sua jocosidade estão eternizadas pela rede mundial de computadores. Ainda assim tinham suas cenas brilhantes como a primeira teia arremessada no alto de um prédio (SHAZAM!) e o beijo invertido que virou ícone na história do cinema, quem diria. Graças a esse conjunto de elementos e a insistência da TV a cabo de só passar o segundo filme em seu catálogo o conjunto da obra no mínimo se torna bem quisto nem que seja forçadamente. Ainda que a 3ª película seja, sinceramente, horrenda. Mas foi a que mais faturou, vejam vocês…

A amizade já estava amadurecida e fomos presenciar quando o Homem-Aranha voltou as telas em 2012 com o ator Andrew Garfield vivendo um Peter Parker mais descolado e prafrentex. Troca-se Mary Jane e coloca-se o primeiro amor pra valer de Peter, Gwen Stacy, que na época era vivida por sua namoradinha na vida real, Emma Stone. O personagem principal (o próprio Aranha) era melhor que o esteréotipo chorão anterior, o grande problema era tudo a volta dele que destoava com qualquer coisa que fizesse um mínimo de sentido artístico seja visual ou de roteiro. O que é uma pena porque os 10 minutos iniciais do segundo filme da segunda trilogia vale pelo filme todo. Quer dizer, valeria, se fosse um curta. Seja como for de um jeito ou de outro conseguimos aproveitar a ida ao cinema principalmente porque era o auge dos memes comparando o fracasso do heroi nos cinemas com sua negativa de entrada no mega grupo dos Vingadores dando preferência até ao Mario Verde (SIC), risos.

O filme atual em cartaz (sob produção criativa da Marvel) flerta em vários momentos com elementos que considero chaves para ser um excelente filme do homem-aracnídeo: Um heroi bem humorado sempre disparando piadas tão rápidas quanto as teias que saem de seus lançadores, cenas mostrando suas habilidades sobrehumanas, a luta interior de Peter Parker de se mostrar digno de ser o guardião da cidade que nunca dorme que deposita nele sua fé (muito bem representada em todos as versões de filmes dele) e algumas referências aos quadrinhos como a lanterna em fomato de sua máscara que aparece tão momentanea e faz homenagem às primeiras histórias. Porém não é construido uma base forte (alguém disse teia?) para segurar as pontas e em muitos pedaços do filme realmente parece que o roteiro é aquele navio fatiado em um recursivo exemplo onde o diretor parece fazer força para não deixar nada naufragar.

Sabiamente não há uma história de origem nesse segundo reboot (ninguém aguenta mais ver o tio Ben morrer), mas não há uma explicação de como Parker ganhou seus poderes nem mesmo menções aos ensinamentos que seu parente lhe ensinara. Nem mesmo aquele pingo de culpa que move Peter a andar para frente está lá. Gosto muito da frase “Com grandes poderes vem grandes responsabilidades” (origem atribuída ao filósofo positivista Augusto Comte) e é um pecado não aplicá-la para a nova geração. Por mais que Tony Stark pareça fazer esse papel é sabido e nítido que o Robert Downey Jr. está ali apenas para alavancar as cifras dos ingressos vendidos. A tia May está um pouco perdida e quase tudo que se refere a ela são piadotas de que ela é um tanto quanto gostosa o que é muito errado quando se tem no imaginário aquela doce senhora septuagenária. Senti falta do sentido de aranha que não foi capaz nem de emitir o mínimo aviso nem mesmo quando um ônibus veio para cima do pobre garoto aremessado pelo Shocker. O Abutre até que está bem legal levando em consideração que o Mr. Adrian Toomes nunca foi lá um sujeito ameaçador, Michael Keaton levou bem o personagem levando-se em conta que já está acostumado com homens-pássaros vide a estatueta do Oscar descansando em cima de sua lareira. O filme mescla estilos e ritmos diferentes o que incomoda. No início dá um medo de que a película inteira seja do ponto de vista da câmera do blogueiro/videologueiro Peter Parker.

Porém se eu pudesse apontar apenas duas coisas que me frustraram no filme e que vejo como uma grande goteira que deixou escapar precioso tempo de filme eu diria que é o excesso de transformar o Aranha em uma espécie teen do Homem de Ferro descaracterizando totalmente o personagem que sempre se guiou apenas pelos seus sentidos, habilidades e senso moral e o segundo incomodo vem da descontinuação daquilo que acertaram. A cena do Aranha prendendo o ladrão de bicicleta é excelente. Cheia de piadas no melhor estilo HQ, mas depois não tem mais nada daquilo até os créditos. Idem para a cena dele salvando seus amigos em Washington DC e dando um salto acrobático fantástico, mas nunca mais fazendo nada parecido até as letras subirem. Queria ver ele passeando pelo alto dos prédios em Manhattan, mas a maioria das cenas nem edifício tem por perto. Em uma parte isso até mesmo isso vira piada interna. E olha que seria incrível ver mais cenas como a dele em cima do trem sob som dos Ramones. As referências do universo da Marvel (que acho que roubaram a vontade dos produtores de montar a própria mitologia do Spidey em seu filme) se resumem a origem dos artefatos dos vilões do filme que apontam para a tecnologia Chitauris e para piadotas do Tony Stark, Happy (segurança do Iron-Man) e em cima do Capitão América. Aliás a cena final pós-credito é daquelas que você ri, mas é uma risada nervosa porque ao mesmo tempo que é engraçada é uma troça em cima de um hábito que a própria Marvel incutiu em seus fãs. Mas vale a pena ficar até o fim sim, nem que seja para falar um palavrão para o Steve Rogers.

Dessa vez fui ao cinema sozinho, não faço ideia do que minha antiga amizade teria pensado sobre essa nova versão do escalador de prédio. Talvez justamente tenha faltado esse espírito gozador para colocar umas piadas internas no lugar certo e tornar o filme mais leve como é na essência o Homem-Aranha que ao vestir a máscara consegue rir a despeito de todos os problemas que enfrenta. Sei que tenho um lado crítico ferrenho, mas tenho orgulho de ter até hoje minha coleção de gibis antigos e empoeirados do Cabeça de Teia da época da Abril e Ebal, da Panini também vai (alguns). A edição mais preciosa que possuo foi presente dessa pessoa uma edição em duas parte, em inglês, da morte de Gwen Stacy. É uma estrada antiga de admiração e camaradagem. Ah, sim, falando nisso deixe-me explicar agora a razão do paralelo criado. O filme é legalzinho, okay, pipoca, estilo sessão da tarde. Você não perde seu dinheiro nem tempo, fique tranquilo. Vale as risadas, embora se tornem menos intensas. Aquela pessoa se foi faz algum tempo junto com a  minha paciência de esperar um filme do Cabeça de Teia que me deixe sair satisfeito do cinema. Mas a única certeza que temos é que figuras como Batman, Super-Homem e nesse caso o Homem-Aranha são heróis tão atemporais que vão ganhar trocentos reboots (novas versões) e para ceder aos apelos comercias e de gerações sempre vão se distanciar cada vez mais daquilo que conhecemos. Faz parte do jogo. Durante toda nossa vida veremos essas franquias sendo exploradas a exaustão e obviamente não nos agradarão. Iremos começar amizades, amadurecê-las e findá-las e em algum tempo até mesmo nós não estaremos mais por essas bandas e o looping eterno de filmes do aranha e companhia continuarão nas salas de exibições do mundo todo. Já estou considerando positivo o filme ser regular, conseguir me ganhar em boas partes e ter referências ao Curtindo a Vida Adoidado (Ferris Bueller’s Day Off, 1986) no mínino me faz não perder a fé na humanidade.

Meu amigo, espero que onde quer que você esteja, você tenha pelo menos achado as partes corretas para tirar um sarro.

Bônus: Para se despedir das ótimas piada do Homem-Aranha não fazendo parte do universo Marvel segue o LINK DOS MELHORES MEMES

 

Vai teia!

Saul Junior é criador e editor do site Toma Rumo Guri (www.tomarumoguri.com) e sempre vai achar que o Peter Parker ganhou na loteria do amor com a Mary Jane.

Mulher Maravilha, uma volta às origens

Finalmente a princesa das amazonas chega aos cinemas conseguindo alcançar a difícil missão que vem se arrastando por décadas de fechar a trindade da DC em produções cinematográficas. E não foi um caminho fácil e sem obstáculos esse de Temysciras, o paraíso feminino, até as telonas.

A personagem foi criada na finaleira de 1941 nascendo em berço esplendido no que chamamos de era de ouro dos quadrinhos. Foi concebida por William M. Marston (Charles Marston para o mundo dos gibis) um psicólogo de mente bem aberta e que proclamava aos quatro ventos a importância do amor (talvez por isso fosse bígamo em meio a uma sociedade ferrenhamente conservadora). Também criou o polígrafo, máquina que detecta mentira, que serveria como referência para um dos mais famosos apetrechos da moçoila.

A aparição de uma heroina mulher em plena guerra instaurada condizia com o lado guerreira das esposas de soldados enviados para o front que agora ficavam encarregadas de prover sustento a suas famílias e se identificavam com a personagem ao mostrar força e garra. Porém ao mesmo tempo que Diana (seu nome helênico – até porque não creio que algum cartório do mundo permitisse Mulher-Maravilha como nome, risos) crescia junto com o feminismo, que florescia com espinhos, também sofria por pertencer a um mundo dominado por homens tanto na autoria quanto na recepção. Sendo assim a personagem sofreu bastante em sua personalidade para suprir desejos alheios.

Em diversas capas e histórias de quadrinhos pelo tempo vemos ela sendo usada em posições eróticas com simbolismos fálicos, sentadas nos canos de tanques de guerra, sadomasoquistas, há recorrentes ilustrações de mulheres amarradas e em posição de submissão, e mesmo há pouco tempo atrás seus trajes foram diminuindo em oposição a seus avantajados pomos. Sua silhueta vinha do gosto do freguês. E olha que muita dessas coisas veio da própria mente de Marston que tinha até uma regra maluca de que uma amazona perdia sua força ao ser amarrada tocando seus braceletes e malandramente jogava a culpa na deusa Afrodite.

Mesmo com toda essa antinomia de vontades a DC conseguiu marcar indelevelmente na cultura-pop a Mulher-Maravilha como personagem feminino mais icônico dos quadrinhos e utilizada massivamente por seus fãs como a encarnação do girl power. Porém ainda faltava vencer a maldição da ausência de um filme para chamar de seu.

Um longa metragem hollywoodiano é o carimbo de que um personagem venceu. É forte e carismático o bastante para valer cifras astronomicas investidas por executivos e conseguir atravessar o mundo nerd das HQ’s e alcançar um universo mais diversificado e amplo que vai da vovó Maricota, sua netinha Lurdes até aquele homem sisudo chamado Mario que acha que gibis é para crianças. Porém quando pinta no cinema uma superprodução ela tem que alcançar todos e a personagem ganha status de conhecida por todas as tribos. Qual pai ou mãe não conhece o Batman? Ou o Superman? “Tá, mas minha mãe também conhece a Mulher-Maravilha, cara”. Sim, por tudo o que eu já disse foi uma das únicas heroinas a ultrapassar os gibis e praticamente toda festa a fantasia tinha uma. Porém o que mais se sabia dela? Nome verdadeiro como o Clark Kent? Tinha um side kick (parceiro) como o Robin? Pois é, aí que a coisa complica um pouco.

A Mulher-Maravilha chegou a ter um filme nos anos 70, porém além de muito diferente era feito pela rede ABC diretamente para a televisão na época que era impossível fazer algo que prestasse sobre o tema para essa mídia (com raras exceções). Porém foi nas telinhas que a musa ganhou muita força em um seriado onde era vivida pela estonteantemente linda Lynda Carter (linda até no nome, risos). Foi a prova definitiva que era uma personagem rica e pronta para ser explorada em todas as formas artísticas. Recentemente foi feito um piloto de uma nova série onde Diana usaria calças, mas no fim foi engavetado em mais um projeto frustrado. Ainda assim muitas pessoas, entre elas Patty Jenkins, sempre cutucava a massa acreditando no potencial da Mulher-Maravilha: Por que não um filme?

A Warner tem derrapado em seu universo cinematográfico. Diferente da Marvel ela não tem conseguido manter seu universo coeso e bem estruturado. Após o fim do mundo de Nolan que não conversava com nenhum outro em estilo e estética a empresa apostou muitas verdinhas para tentar trazer seus medalhões em filmes de origems para poder trazer a Liga da Justiça como ápice desse esforço. Novamente o que a Casa das Ideias fez, só que mais bem orquestrado, com os Vingadores.

Porém vários tropeços aconteceram com filmes sombrios com pouca cor, importância e humor. Tentaram arrumar na importância jogando o super-herói mais poderoso contra o homem-morcego em um filão caça-níquel que o título não me deixa mentir e não deu muito certo. Tentaram arrumar então o humor e pegar emprestado o tom pastel da Disney e outro tiro pela culatra com Esquadrão Suicida que até tem pontos divertidos, mas errou por querer ser épico demais em uma tentativa clara de achar o próprio Guardiões da Galáxia da Warner. Rumores da Liga da Justiça também não andam bem.

Então cavalgando da ilha das amazonas chegou aos cinemas nacionais nessa semana o filme Wonder Woman com o papel de deixar para trás toda história mal contada e mostra uma versão definitiva dessa mulher forte que usa uma uma tiara estrelada e tem a responsabilidade de dar esperança para os filmes da DC.

Com roteiro de Geoff Johns e Allan Heinberg baseado em história de Zack Snyder e a direção da sempre esperançosa Patty Jenkins o filme volta à origem da princesa amazona dos gibis originais de onde Diana foi esculpida do barro e ganha o sopro de vida de Zeus. Protegida por sua mãe, acaba desobedecendo-a por ter um espírito de guerreira e fugindo quando conhece um piloto americano que em perseguição por acaso descobre o paraíso grego das mulheres lutadoras. Então há essa mescla entre mitologia grega e histórias de guerra com o intuito de fecundar a história da Mulher-Maravilha que achará no mundo dos homens um lugar para praticar justiça o que as vezes dá um tom que destoa principalmente por toda a cor reunida de seu uniforme destoando totalmente daquele mundo saturado e infeliz.

Gostei bastante do inicio da película onde há todo background da história de Diana. Vemos que ela tem uma chama em seu coração pelo combate. Ela gosta de lutar, algo que está no cerne de todas aquelas mulheres da ilha. Também toda a pitada de mitologia cai muito bem mostrando que Ares o deus da Guerra é um perigo iminente e que apesar de Hipólita fantasiar a respeito de seu fim tem escondido em sua mente que é um mal que inevitavelmente irá voltar. E Ares representa batalha, conflito e contronto. Porém diferente daquelas garotas que o fazem por diversão, defesa e auto-preservação é de modo pernicioso e embebido em ganância e poder que é algo tão acertadamente atribuido aos mortais. Também não deixa de ter nesse deus a representação da testosterona masculina movida pela opressão vista na época.

Na verdade esse vilão pode representar tanta coisa que não caberia em um só texto. Então vem o período do fime que acontece durante a segunda guerra mundial onde a amazona tem que se adaptar a um mundo machista e sem sentido. Sinceramente achei essa parte que compõe bem mais que o meio do filme em muitos momentos enfadonha. O filme fica mais lento e já vimos tantas vezes o clichê de viajante (seja do tempo ou espaço) que vem para nosso mundo e fica atônito com nossos costumes que começa a parecer alguém a tocar música com apenas um único acorde.

E por mais que vejamos muitos costumes ainda vigorando é algo que a mentalidade humana já começa a deixar para trás de tão ridículo e ver isso sendo explorado tão pormenorizado a ponto de perder tempo de filme traz a impressão de um filme antigo da Sessão da Tarde. A comparação de uma secretária com uma escrava acho até mesmo ofensiva. Principalmente que as amazonas também fazem tudo o que sua rainha ordena. A parte final é boa e tem bastante carga dramática embora em algumas partes também vejo um roteiro um pouco perdido e atirado.

PONTOS FORTES

A coreografia das lutas é muito bonita visualmente. Com acrobacias em camera lenta esse é o maior acerto disparado. As amazonas rodopiando no ar antes do disparar de suas flechas ou até mesmo as balas paradas no tempo/espaço para que possamos ver a Mulher-Maravilha desviando-as com seus braceletes. A trilha sonora também está bacana incluindo a música tema que já conheciamos, mas parecia ter um novo arranjo. Os efeitos especiais estão bem aceitaveis. Também há de ser ressaltado o carisma adicionado pela belíssima Gal Gadot que convenceu bem no papel. Também achei interessante haver a presença de uma vilã feminina (Doutora Veneno) que por baixo dos panos consegue ser um antagonista melhor que o general Ludendorff e o próprio Ares. Gostaria de ter visto as amazonas vindo para ajudar Diana na guerra.

PONTOS FRACOS

Achei um filme muito polarizado. A maioria dos personagens eram bidimensionais demais. Você sabe o que esperar de cada um deles sem surpresas maiores. Steve Trevor era muito bom. Não havia defeitos em seu caráter, nem a mais leve divergência que é tão tipica dos seres humanos. Ele só tinha uma obediencia aos costumes, mas nem a isso ele se apegava direito. Imagino que um espião teria que ter pelo menos mais conflitos internos para amadurecer e tornar mais interessante o personagem. O final poderia ter sido mais bonito se uma decisão tivesse sido tomada para provar na balança quanto pesa um coração humano. E não, como no caso, uma beatificação.

Essa polarização é bem representada pelo mundo escondido de onde Diana vem que um braço estendido mostra a diferença de uma praia ensolarada ou uma Bélgica cinza e esfumaçada. Até mesmo uma bomba de gás de Mostarda tem limites de sua fumaça bem definidos demais ao ponto de você parar seu cavalo no ponto exato de dispersão dela. Chega a ser surreal. Pelo menos meu medo de atribuirem a ganancia humana totalmente ao Ares não se justifica, pelo menos isso. Também me choca o fato que quase ninguém se espanta ao ver uma mulher que desvia tiros com o braço, dá super saltos e move tanques militares sem nem estragar o penteado.

Sério mesmo que em plena época em que uma mulher falar em uma sala cheia de homens era ofensivo ninguém ia soltar uma interjeição que seja por uma versão feminina do superman? O laço da verdade achei bonitinho nos primeiros usos, mas assim como uma espada japonesa sacada perde seu encanto nos próximos truques e fica saturada bem rapidamente com usos bem infundados. As lutas finais são bem vazias de contexto e em alguns pontos até de de coerencia. E para um filme de super herói, ainda que de origem, demora demais para ver a Mulher-Maravilha em ação em sua armadura vermelha e amarela.

Exatamente uma hora e meia das mais de duas horas de filme. Uma última coisa que me incomodou, assim como lembro de não ter gostado em O Hobbit, foi piadas de pênis algo tão ao contrário do que o filme queria mostrar. Mediano.

Dito tudo isso dá para sacar que o filme é legal, mas não passa muito disso. Me parece muito com o primeiro filme do Snyder do Superman onde vi na época empolgadaço, mas hoje em dia revendo acho muitas partes enfadonhas. Se o filme tivesse sido mais enxuto e trabalhado um pouco mais nos detalhes ( como em utilizar melhor seu vilão e dar mais vida ao mundo que cria) teria sido muito mais emblemático e memorável. Mas a filha de Hipólita veio para ficar e em breve a veremos em Liga da Justiça. E é praticamente certo que ela volte para uma sequência só dela onde se ela quiser manter seus filmes sob a ensolarada luz solar da costa grega vai ser necessário apresentar um pouco mais do que mostrou. No mínimo nessa bota vermelha vai ter que ter um baita salto alto.

 

TOMA RUMO GURI!!

A Batalha dos Cinco Exércitos – Por Marcela Bezerra

   
OBS.: contém uma caralhada de spoilers. Leia por sua conta e risco.

   E então, o final chegou. O final de uma saga de três filmes, que de início me fez pensar que era “uma cilada, Bino”. Acredito que muitos pensaram desta forma e ficaram apreensivos, afinal, um livro que nem era realmente grosso renderia roteiro para TRÊS filmes? Antes de deixar minhas impressões, gostaria de dizer que nunca fui super fã de Tolkien, daqueles que sabem suas obras de trás pra frente, tudo sobre sua vida, etc. Na verdade, até 2011 eu não curtia nada dele, com base na péssima experiência de leitura que tive com SdA anos antes. Orgulhosa como sempre fui, não permiti pensar que a leitura foi ruim por não entender diversas passagens, e sim que a história estava mal escrita, que ele era um drogado/pirado e o que mais tivesse passado pela minha cabeça à época. Isso não me impediu de respeitar e até mesmo admirar o fascínio que meu melhor amigo possuía por ele e seu universo. Tanto que o presenteei com as principais obras em 2010. Um ano depois, resolvi pegar O Hobbit na estante dele e ver se poderia desfazer minhas impressões. O mundo mudou a partir daquele instante…
   Conhecer a Terra Média foi algo mágico, abriu minha mente, me fez desejar ser um elfo (e eu pensando que elfos eram tipo os do Harry Potter)… bom, quem nunca quis ser uma criatura deste universo que atire a primeira pedra. A leitura foi tão boa que depois li SdA. E amei. Acho que foi melhor do que se tivesse gostado de cara, naquela primeira vez.
Em 2012, finalzinho, veio o primeiro filme d’O Hobbit. E eu com aquela cara de “vem merda por aí”. Achei o primeiro filme até bem fiel, estranhei um pouco alguns anões… bem, eu fazia uma ideia diferente de como eles eram, o Fili e o Kili por exemplo, eles nem tinham cara de anões, até imaginava eles meio crianças na história. Fiquei boiando com aquela aparição do Frodo, mas depois que entendi achei genial. Um ano depois, voltamos a nos ver e lá fui eu criticar: mas que droga de personagem é essa Tauriel? Ela nem está na história e ainda por cima chega pra fazer triângulo amoroso com um anão que não parece um anão e o Legolas, que também não tá nessa história! Entre outras coisinhas. Porém, tinha uma coisa esplêndida acontecendo. O relacionamento entre todos, que até é bem superficial no livro (ele não é um livro denso, já disse), estava sendo explorado de uma forma muito bonita, principalmente entre Bilbo e Thorin. Aquela amizade acertou em cheio meu coração. Além disso, Smaug não poderia estar mais perfeito e assustador. O final deixou todos aflitos pelo último filme, e tivemos que esperar mais um ano.
   Mesmo ansiosa pelo desfecho, contando dias, quando chegou a hora de assistir confesso que fiquei com um aperto de saudade antecipado. Porém, de uma coisa tinha certeza absoluta: o filme não me pegaria de surpresa, já sabia tudo que iria acontecer, nada me afetaria. Nossa, como estava enganada…
  O filme começa exatamente de onde parou o segundo. Vemos Smaug estraçalhando toda a cidade, e então Bard aparece para salvar a todos. Confesso que esse destaque que deram ao personagem ficou muito bom, foi super bem explorado. Gostei bastante. Destaque incrível também dado à “doença” de Thorin. Podemos vê-lo enlouquecer gradativamente, preocupando seriamente seus companheiros anões e Bilbo. Nesse meio tempo, o Gandalf tá para virar comida de Orc, quando Galadriel e sua turma aparece para salva-lo. Se aqui eu já achei forçado, imagina como fiquei depois! Tudo bem, entendo que Jackson precisava dar grandes emoções ao filme, mas rélou, a história não era essa. Incluir uma personagem nada a ver com nada já foi esquisito, aquilo ali foi no mínimo desnecessário. Cena ficou legal? Ficou, mas não curti ela inserida no filme, apesar de saber que ela tinha um propósito maior.
   A guerra foi bem destacada também, muito mais do que eu esperava. Engraçado é que enquanto via o filme, ficava pensando no tipo de missão eles colocariam na última parte do jogo lego! E as baixas começaram a aparecer. Foi um choque e tanto quando o Fili morre, porque de verdade, não tava esperando naquele momento. Dei um gritinho no cinema e caí num choro muito sentido. Logo depois, Kili não demora a ter o mesmo destino. Nesse momento, apesar de muito triste, estava tendo um troço já, para entender logo qual era a da Tauriel. Tava quase acreditando que era a mãe perdida do coitado, quando ela beija o cadáver. Acho que preferia que ela fosse a mãe perdida, no fim das contas… Achei a batalha entre Thorin e Azog simplesmente épica, e apesar de saber o destino de Thorin, fiquei arrasada, completamente arrasada. A despedida do Bilbo então, nossa. Achei que nunca mais fosse parar de chorar. Como disse anteriormente, a amizade entre esses dois foi explorada de uma forma muito bonita e verdadeira.
   No final do filme, podemos entender de forma bem clara o que Jackson quis fazer desde o início, inserindo personagens que originalmente não estão na história: tudo se encaixa para dar início à jornada de destruição do Anel, embora os personagens não soubessem disso ainda. E quando voltamos aos “dias atuais”, com o Bilbo já velho, vemos que aquilo se passa exatamente em seu aniversário. Porém, o mais importante não foi essa poderosa ligação entre os filmes que Jackson criou, e sim o que ele fez com os personagens. Foram tão bem explorados, ficaram tão conhecidos nossos, que passaram a fazer parte de nossa vida e ser nossos amigos. Impossível não sentir uma saudade imensa, já na hora em que os créditos sobem.

Entrevista com Felipe Veiga Ramos. Programador, fanático por Tolkien e… cego.


Felipe Veiga Ramos gosta de computação, Harry Potter, Game of Thrones entre outras coisas, mas não esconde sua paixão latente pelos livros de Tolkien. Ah, ele também é cego esqueci de dizer. Mas se você ficou espantado ou não entende como alguém que não tem o sentido da visão pode gostar de tanta coisa presta atenção nessa entrevista que fiz com ele sobre como é a vida de alguém que não enxerga, mas que não deixa de fazer as coisas que gosta. Confere aí o papo que tive com ele:   
Esse é o Felipe, posando na frente de um painel com um crachá de evento, e essa é a legenda de uma imagem que pode facilitar a vida de quem não enxerga. A dica é dele mesmo.
TRG – Felipe, lhe conheci em um grupo de Facebook
onde notei que você conhecia bastante sobre o universo de Tolkien. Deixe-me lhe perguntar:
Quais são seus gostos? Quais seus livros, filmes, séries favoritos? Deixe-nos
conhecê-lo um pouco melhor…
Felipe – No geral sou bastante eclético. Quanto a livros:
O Senhor dos Anéis – e todos os livros do Tolkien – ocupam o primeiro lugar numa
disputa acirrada com Crônicas de Gelo e Fogo, do Martin.
Harry Potter, Anita Blake, Os Cárpatos, Dark Hunters, Ayla, Saga da Herança e Crônicas de Matador do Rei, Crônicas Vampirescas e as Crônicas Mayfair são uma –
muito pequena – amostra dos meus gostos literários.
Quanto a séries, Game of Thrones, o Mentalista, CSI, Sobrenatural (até a 5a
temporada), Plantão Médico, The Fades, Mental, Lei e Ordem, Hanibal, Grey’s Anatomy, Além da Imaginação e American Horror Story estão na lista.
Para filmes, gosto bastante de assistir adaptações de livros que li e filmes em
geral de terror e suspense.

TRGVocê tem um gosto admirável. Porém você tem
uma particularidade que lhe exige mais esforço do que a maioria: Você é cego.
Primeiro, se me permite perguntar, você perdeu a visão aos poucos ou nasceu sem
enxergar?
Felipe – Mais esforço é algo meio relativo,
hehe. E
nfim, fiquei cego com um ano e meio, tive câncer na retina. perdi de forma
gradativa, mas rápida. Claro, como era muito novo não lembro de absolutamente nada.
TRGEntendo.
Quando tomam conhecimento que você lê livros e tem uma vida bem ativa
em redes sociais (como Facebook) devem ficar bem espantadas, pois a
maioria das pessoas desconhece ou não param pra pensar que existem
muitas outras maneiras de adquirir conhecimento ou se divertir. Você
poderia nos contar um pouco de como funciona para você? Você lê em
braile ou usa um software que recria a fonética das palavras para você
acompanhar via áudio?
Felipe – Eu
utilizo o braille normalmente. fui alfabetizado usando braille. No
entanto uso muito mais o computador, logo utilizo muito mais leitores de
telas. Hoje em dia quase não leio livros em braille pra ser franco,
mais com auxílio do NVDA – um leitor de telas, mesmo.
 


 

TRGNVDA
é um programa gratuito? É fácil a adaptação a ele? Quanto ao braile
imagino que não deva ser fácil encontrar muitos títulos da literatura ou
estou enganado e as coisas mudaram ultimamente?
 

Felipe Bem,
vamos começar pela segunda parte: o braille é incrível, mas um pouco
cansativo, hehe. Infelizmente realmente existem poucos títulos da
literatura. Um grande problema do braile é uma questão de volume. Harry Potter e o Cálice de fogo, por exemplo, tem acho que 12 ou 16 volumes.
Imagina guardar isso em casa. Não sei bem como está agora, já que não
tenho acompanhado de perto.

O NVDANon Visual Desktop Access – é um leitor de telas
gratuito e, ainda melhor, open source, ou seja, o código fonte do programa é
disponível para quem quiser colaborar, editar, alterar, reenviar, etc. Não é o único, mas é meu favorito de longe. Quanto à
adaptação, bom, acho que isso vai de pessoa pra pra pessoa. No geral, eu achei
fácil. Mais fácil que o Jaws – que é pago.
TRG Como funciona para você usar a internet?
Como você diferencia, por exemplo, no Facebook o que é uma conversa em privado
de um status na linha do tempo sem enxergar os ícones? Também gostaria de lhe
perguntar se a linguagem informal e abreviada usada em larga escala na internet
dificulta muito o seu entendimento. Ah, e claro, como funciona os emoticons.
Notei que você os usa tranquilamente.
Felipe Bem, como diria Jack, o estripador,
vamos por partes.
O Facebook tem regiões relativamente específicas. Se estou na área de mensagens,
tenho mensagens, na atualização do feed, tenho notícias – sejam status ou
grupos. Pra facilitar, eu, em particular, prefiro acessar pelo endereço para
dispositivos móveis do facebook, que acho mais limpo: m.facebook.com.
Quanto ao internetês, já fui adepto do uso parcial – vc, pq. – mas, conforme
cresci um pouco e isso passou realmente a me incomodar, cheguei a conclusão de
que se vou me dar ao trabalho de escrever algo deveria ser minimamente bem
escrito.O internetês realmente atrapalha muito. tem coisas que se tornam virtualmente
ilegíveis por isso. a falta de acentuação também é triste.
Emoticons: eu uso porque conheço os símbolos – sei o que cada um significa –
porque já tive curiosidade, já li sobre e afins. mas nem todos obviamente usam.
Nota do editor: Nesse momento o TRG ensinou o emoticon §=D (que significa um cara sorridente com um cabelo gozado.
TRGQuando
você assiste algum filme você gosta de conversar com amigos que lhe
comentam o cenário e algumas situações que lhe complementam as falas dos
personagens ou prefere apenas sentir aquilo que consegue captar através
do som, da emoção, etc? Há ainda algumas produções especialmente para
quem é cego, as audiodescrições, onde um narrador descreve a cena que
acontece na tela. Você costuma assistir obras assim? Acha legal?
Felipe Via de regra gosto sim, de assistir
com algum amigo, mas de preferência que entenda do tema, hehe. nem sempre é
possível. Audiodescrições são legais, exceto quando tratam o cego como alguém com
problemas cognitivos e querem descrever tudo com excesso de informações, tirando
a graça – já que você não pode nem ouvir mais as as outras partes do filme.


TRGVocê
faz faculdade certo? Soube que você é Cientista da Computação… Você mexe com
quais linguagens? Muitas pessoas praticamente enlouquecem tentando achar um
erro no código e ficam por horas observando os algoritmos… Poderia comentar
como você lida com isso? E pensa em desenvolver softwares que tragam facilidade
a quem também é cego?
FelipeBem,
estou no processo para ser, haha.
Curso atualmente o quarto semestre dos
oito necessários. Antes desta faculdade
já havia feito um curso técnico
integrado – em conjunto com o ensino médio – então já tinha alguma noção
sobre a área. Quanto as linguagens de programação, programo em Python,
Java, C, me viro com o C++, estou aprendendo R no momento e também uma
linguagem de programação específica para a criação de audiogames, ou
seja, jogos focados no áudio, para cegos,
chamada BGT.
Quanto a encontrar erros, bem, não existe nenhum segredo
além da
prática
e da leitura. É praxe nas linguagens de programação
quando
ocorre um erro na sintaxe – forma de escrever ou em tempo de execução
informar onde – que linha, bloco, etc – ele ocorreu e fornecer algum
tipo de informação. Cabe ao programador saber interpretar isso. Nesse
aspecto não creio que eu tenha maiores dificuldades do que qualquer
outro. Quando o erro é lógico estamos todos no mesmo barco.
Claro que existem muitos facilitadores – IDES (acréscimo, em inglês, para
ambiente de desenvolvimento integrado, que são programas que
possuem ferramentas para auxiliar o programador) – que muitas vezes não
são de todo – ou de qualquer modo – acessíveis. Mas um compilador ou
interpretador, um editor de texto, café, paciência e vamos lá.
Há que se fazer jus no entanto, o Eclipse, por exemplo, e bastante
acessьvel e possui uma ampla gama de facilitadores. Assim como ele,
outros dioutra outras IDES também são.
Quanto a softwares, pretendo, com um pouco de sorte e tempo
ingressar no mundo dos audiogames até o fim do primeiro bimestre de
2015. Outros softwares, mais sérios, por assim dizer, também também
virão.
TRG – Pode falar um pouco mais do BGT?
Felipe – O BGT, é uma linguagem de programação mesmo. baseada em C++, Java e Python – um pouquinho – cujo foco é criar audiogames, então tem muita
coisa voltada pra som e tals.

ela é interpretada. Pode descobrir mais procurando por Blastbi game toolkit.
TRGHoje em dia muitos sites estão migrando
para formatos mais dinâmicos como formatos de vídeos, porém muitos também
abusam de imagens, gifs e outros formatos que devem dificultar o acesso. Você
poderia listar quais problemas enfrenta na grande rede? E como sites poderiam
facilitar a vida de um usuário cego? Eu mesmo começo a pensar que nunca pensei
dessa forma para ajudar embora tenha muito texto no site…
Felipe – É
um pesadelo, pra ser gentil.
E frustrante pra caramba abrir algo pra ler
e ler algo do tipo “comprei
o
livro da foto, o que vocês acham?” – muito comum em grupos de livros no
Facebook por exemplo.
É
frustrante, porque perdemos informações interessantes e, dependendo do
contexto,
mesmo necessárias. Eu admito ser meio antiquado embora vídeos
até sejam
ok – se quem o montou não ficar só apontando mensagens – sou um grande
amigo dos textos. O chato é que, em geral, pouco trabalho

seria
necessário pra resolver isso: uma descrição da foto de acordo com
o
contexto já seria mais que suficiente. Explico o contexto: como no
caso
do meu exemplo, custa colocar o nome do livro e do autor? Pequenas medidas
como esta são extremamente simples e benéficas. Recentemente a
universidade onde estudo decidiu, em votação unânime, por abandonar os
copos plásticos no restaurante universitário em favor de canecas
individuais e houve uma votação para a escolha, entre treze artes.
Todas eram imagens. Obviamente eu enviei mensagens ao DCE –
responsável
pela organização da votação – solicitando descrições para as
13. Em mais
ou menos três dias recebi um arquivo contendo todas as descrições, por
sinal, muito bem feitas – obrigado, galera do DCE! Agora, teria sido bem
mais simples se, no início, solicitassem a foto e uma descrição, e em
seguida publicassem ambas: cada um que fizesse sua caneca já teria que
enviar a descrição. É um trabalho conjunto: quem fez deveria pensar,
quem publicou também.. como de primeira isso não houve, quem precisa –
no caso eu – foi atrás e conseguiu resolver o problema. Quantas vezes,
em sites, deixo de poder usar algo – muitas vezes todo o 
site
– porque as pessoas insistem em, por exemplo, colocar botões em
imagens
sem texto ou explicar tudo por imagens.

TRG – Hoje em dia muitas leis começam a lembrar
das pessoas com algum tipo de deficiência e o poder público cria leis específicas tentando
minimizar qualquer dano que o Estado possa causar. No caso dos cegos como você
analisa a situação atual? O que o governo pode fazer para melhorar?

Felipe – É um movimento bastante importante.
Lembrar é bacana, mas apenas
lembrar não é suficiente. Por exemplo, nós
temos uma lei bacana sobre livros – artigo 46 da lei 9610, se não me
engano – que diz que é permitida a cópia de qualquer livro ou trabalho
artístico ou científico para qualquer formato que possamos ler sem
violação dos direitos autorais. Mas conseguir um livro, oficialmente, de
uma editora,
acessível?
Difícil.
O governo precisa parar de se preocupar em criar facilitadores
fakes –
tipo
encher de cotas – e sim realmente propiciar acesso as coisas para

os
cegos – e deficientes em geral. Noto que esse processo já iniciou, mas
temos
muito que caminhar nesse sentido.

TRG – Estranhamento, no momento que lhe conheci,
alguém que enxergava criou uma pequena confusão em um grupo sobre não ter
entendido que você era cego, mas respondia o que ele dizia e até comentava
sobre o assunto em questão. Você sofre algum tipo de preconceito mesmo nos dias
de hoje com toda tecnologia a nosso dispor?
Felipe – Preconceito
existe. É babaquice dizer que não. Não posso dizer que eu
tenha
grandes problemas com preconceito, em geral. É mais com diferentes
graus
de ignorância – variando do “não sabia” até o “você é um
mentiroso,
cego só pensa se der corda puxando a orelha três vezes!!!”.
  
TRGNotei que você é um grande fã de Senhor dos
Anéis
e todo o mundo da Terra Média. Podemos falar um pouco disso? Conte-nos
dos teus gostos, teus personagens e livros favoritos criados por Tolkien.
Felipe – Então deixa eu começar sendo fã babaca: Terra Média somente não, Arda. Sou fascinado pela mitologia do mestre
Tolkien. O Retorno do Rei e o Silmarillion competem fortemente pelo
primeiro lugar pra mim. As obras de Tokien são, antes de tudo, outro
mundo. Um mundo diferente pra caramba – cheio de seres estranhos, nas
palavras do próprio – mas tão parecido com o nosso. Cheio de coragem e
covardia, honra e baixeza, amor, ódio.. acompanhar toda sua história é
quase como poder assistir os
acontecimentos
em um outro mundo. Há muito para se aprender aqui para
quem quiser… ou
horas de diversão para quem não quiser ir além.
Gosto bastante das
diferenças entre os povos. Gosto de articular dos Rohirrins. Existe uma
melancolia presente nas obras de Tolkien, um tom

de
finitude que toca fundo.
Tolkien criou um mundo tão complexo que é
possível – e bem fácil – se

perder
nele. Leio muito. Gosto de muitas obras. Conheço vários autores.
Leio
desde J.K. Rowling à George Martin – que acho fodasticamente foda
também
-, Christopher Paolini a Sherrili Kenion, Nora Robberts e Sidnei Sheldon,
Agatha Christie a Homero, Nietzsche a Platão. Mas Tolkien pra mim é único e tem
um patamar elevado só dele.
TRG – Ah, o que achou dos filmes, (risos).
Felipe E você pergunta isso sem me dar um escudo
de corpo antes?

Ok,
vamos lá.
Vamos começar pela trilogia grandiosa e fodasticamente foda do
anel.
Incrível. excelente. Perfeita? Definitivamente não. Tem erros. Tem
defeitos. Tem problemas. Mas é uma adaptação incrível. Consegue capturar
algo em torno de 90% do clima do livro. É grandiosa. É algo que eu
amaria ver no cinema, hahaha. Os personagens, no geral, foram bem
trabalhados, embora alguns tenham ficado tristemente mal caracterizados.
Na primeira parte temos o Aragorn – que ficou perfeito – a Éowyn e os
hobbits no geral. Na segunda, temos o Faramir, o Gimli e o Thelden. As
mudanças foram, em 95% dos casos, totalmente compatíveis e se encaixaram
no contexto do filme. Por exemplo, as sendas dos mortos: não ficou igual
no livro, mas ficou muito bom. A cavalgada dos Rohirrins, para fora do
Forte da Trombeta é uma das cenas mais pungentes e tocantes – um povo
investindo uma última vez para
permitir
que alguns se salvassem, a morte iminente… e depois o
salvamento.
Mas
nenhuma cena ultrapassa a chegada dos Rohirrins a Gondor.
“Levantem-se,
levantem-se, cavaleiros de Thelden!”. E sim, eu decorei os
três
filmes, versão estendida.



O
Hobbit
.

E
agora as pedras voarão. Ok. A melhor palavra que define o hobbit pra
mim
é “decepção”. E foi o pior tipo de decepção; eles não destruíram

totalmente, ah, não, tiveram essa misericórdia. O filme tem cenas ótimas.
Tem momentos tão perfeitos que fazem qualquer fã do mestre Tolkien ir para
as terras abençoadas. As canções. O início. são tantas cenas incríveis!
Sabe aquele bolo feito com seu chocolate favorito… mas com uma liga errada,
que deixa com um gosto ruim na boca? Pois é. Cenas ótimas, momentos
perfeitos… mas com uma ligação péssima. O andamento do filme é
arrastado e forçado. O acréscimo de alguns personagens deixa tudo ainda
pior. Não meramente por não existirem nos livros,
mas por destoarem totalmente do contexto e do estilo de
personagem.
Acrescentou-se muito drama onde não deveria e subestimou-se
todo o que
poderia ser aproveitado. Isso criou uma sequência de filmes que, embora
relacionados à Terra Média, embora muito bons em diversos sentidos, não
fizeram jus ao livro e não souberam captar o ponto. E aí as pessoas
dizem: “mas o Hobbit não era um livro como Senhor dos Anéis.” e
eu respondo: é óbvio! Então por que querer transformar um livro mais
infanto-juvenil que tem um ótimo andamento e aborda diversas coisas de
forma bastante interessante em um épico? Entendam, senhores defensores
do Legolas surfando no escudo e de mais um monte de coisas 
nesse
estilo, o Hobbit não é um livro épico. Não é essa a proposta. E o
filme
não deveria também.
Concluo
dizendo que assisti as duas primeiras partes e, sinceramente,
não estou
tão ansioso quanto poderia para a próxima.

TRG – Bem, deixo aqui um espaço pra você falar o
que quiser. Por mais que eu tente imaginar sei que só mesmo você e quem tem
essa limitação podem saber algo a colocar que seja importante dizer sobre o
assunto.

Felipe – Em
primeiro lugar gostaria de agradecer o convite e a oportunidade. Foi
realmente
bacana e eu gostei particularmente das perguntas. É
interessante
divulgar mais sobre esse tipo de coisa, porque o conhecimento é sempre o
melhor remédio contra a ignorância em qualquer nível e é bacana que
pessoas como você se interessem em fornecer este tipo de conhecimento.

Por
fim, galera, deficiente não é um bicho de nove cabeças. Se você tem
dúvidas,
realmente, em geral, só perguntar. Mas condescendência e
piedade não vão
resolver o problema de ninguém, na real, é meio irritante,
isso sim.
Superestimação também é bastante irritante. Fazemos o que podemos
dentro do que queremos com o que temos, como qualquer pessoa.

Bom é isso galera. Aqui termina a entrevista. Acho legal porque ilustrou bem muitas coisas que não vemos no dia a dia. E bacana como pessoas como o Felipe usam suas habilidades de fazer coisas se m enxergar para multiplicar esse benefícios para outros como ele mesmo citou como nos jogos para cegos. Espero que tenham gostado. Ah, só pra deixar claro a entrevista foi feita via mensagens no Face e ele escreveu (sim, não ditou) todas as respostas. Incrível, não? Eras isso então e não esqueçam…

Toma Rumo Guri!!


 

 

 
   

Leitura Nerd – ‘Salem


‘Salem
Editora:Ponto de Leitura
Páginas: 576
Autor:
Stephen King
Antes de mais nada peço desculpas pelo spoiler, mas é
tradição na tradução desse livro no Brasil que antes mesmo que você abra a capa
você fique completamente por dentro de que é um livro de vampiro.  Truque de marketing barato que não se importa
muito com a experiência da leitura, mas sim no vil metal. Enfim, isso acaba não
importando tanto assim (Embora seria muito mais legal se eu tivesse embarcado
as cegas, confesso – A versão que eu li se chamava a Hora do Vampiro (Objetiva) e mesmo nesse título relançado mais bacana consta na capa “Anteriormente publicado como…”).
Esse na teoria é o segundo livro de Stephen King conforme
manda o cânone do mestre do terror, mas na verdade não é bem assim. Depois da
história de Carrie (aquela, a Estranha) ele escreveu pelo menos mais dois
romances. Na verdade ‘Salem (Nome original) é lá pelo quarto ou quinto livro do
tio King. Mesmo assim verdade seja dita: Vai escrever bem e construir
personagens lá na pqp. Você fica um pouco confuso no início, pois nos é
apresentado na trama um menino e um homem. Não são parentes, mas ao mesmo tempo
tem uma ligação forte baseada na proteção mútua e em algum medo. Então é descortinado
a história de uma cidadezinha de interior chamada “’Salem Lot” cujo nome se
originou de, pasmem vocês, uma porca gorda de um, provavelmente, mais gordo
ainda fazendeiro. Stephen King dá vida para toda uma população de uma cidade
fictícia que iria aparecer em outros contos dele.
Ben Mears é definitivamente o personagem principal. Escritor de
livros populares e com crítica dividida (lembra alguém? Aliás foi  o primeiro de todos os personagens colegas de
profissão que King daria vida) cujo uma fantasia surreal na infância lhe leva a
cidade onde passou parte da infância com o objetivo de escrever um novo livro e
de quebra expurgar alguns demônios pessoais de sua mente. Porém ele chega em um
péssimo momento, pois há duas novas pessoas na cidade que reativam o mal do
símbolo de tudo que é ruim na cidade: A casa Marsten.
Toda cidade interiorana tem um lugar assim. Um símbolo de
todo os temores da juventude, um lugar macabro rodeado de histórias
fantasmagóricas. E esse lugar no livro ocupa uma posição de destaque sendo um
dos pontos elaborados para King ocultar o mal até a hora certa.
Susan é uma luz para os olhos abatidos em um ambiente que
vai se tornando tão hostil. Tão doce, mas também tão teimosa. Desprendida do
alto moralismo de cidades interioranas e decidida acaba se envolvendo com Ben
apesar dos apupos de sua mãe. Além dos dois você conhecerá muita gente, pois
para o livro funcionar Stephen tem  que dar
personalidade e vazão diferente para muitas personagens dando um contexto para
uma cidade realmente viva. Você precisa temer por cada personagem.
Há também um professor que curte um bom rock’n’roll e capta
as coisas de primeira (ele é praticamente o dono das regras, todo filme de
vampiro ou aberrações fantásticas tem um), um padreco que oscila em sua fé e um
médico que não adiciona lá muita coisa na história, mas por fazer parte do time
você agrega de boa. E um garoto que é simplesmente um gênio como geralmente o são os infantes das tramas do Stephen.
Pessoas começam a morrer na cidade, inclusive duas crianças e um cachorro que são o estopim, e Ben junto com um novo empreendedor na cidade viram o foco da polícia por serem visitantes de uma cidade tão pacata.
O lado do mal é previsível. Se vampiros infestam a cidade sempre
há um cabeça por trás de tudo e nesse caso – – – – – – – – – –  A partir daqui começam os spoilers, pule para
a parte preta que onde estiver vermelho tem revelações de trama. Eu avisei… – – – – – – –
esse homem é Barlow, o vampiro-mor. Eu imagino ele usando uma cartola, não
lembro se de fato ele usa (risos), e ele até é um cara casca grossa (páreo impossível para um humano), mas a luta
final acaba sendo meio brochante o que é costumeiro  vindo de Stephen King. Não falo nem em
questão de conclusão insatisfatória, mas em casos de poderes tão discrepantes
entre os dois lados ele sempre opta por uma maneira de solução menos épica e
mais embasada na realidade, mas também bem chatinha. Vencer escondidinho. Mas
talvez não houvesse outro jeito.
Outra coisa que não desce na garganta é uma das mortes do
livro. Não revelarei quem é (mesmo sendo uma área de spoiler) para não estragar
a surpresa dos curiosos, mas assim como em Celular (dele também) é uma daquelas
perdas que demoram pra digerir. Seja como for pelo menos faz sentido diferente
da morte mencionada no livro de zumbis de SK que parece ser uma das piores
mortes já provocadas do nada pelo tio King.

‘Salem, ou o A Hora do Vampiro, é um livro divertido e
difícil de largar. As partes mais chatas são as que envolvem a cidade como um
todo, suas rotinas e costumes, e as mais legais são a cada revelação de quem são as criaturas habitantes
da casa Marsten.  Vale muito a pena a
leitura e ver qual é a versão dos dentudões segundo o mestre do terror moderno.
   
Ah, as cenas dos vampiros voando pela noite e arranhando as vidraças como cachorros cavocando a terra é de arrepiar, haha. Sim, King mantém a tradição de que um vampiro só pode entrar se for convidado, mesmo que ele esqueça disso durante alguns pedaços do livro. O livro deixa margens para continuação e o próprio SK já pensou em fazer uma história a partir de um dos membros do grupo que citei, mas aparentemente abandonou essa idéia para sempre.
Toma Rumo Guri!!

Robert Downey JR em Capitão América 3 (Guerra Civil)

Parece que um dos boatos mais fortes de fóruns de internet sobre o universo cinematográfico da Marvel incrivelmente vai mesmo ganhar forma física. A revista Variety, especializada sobre o mundo do cinema, jogou a bomba de que há um bom motivo para RDJ (Robert Downey Junior) não participar de um eventual HDF4 (Homem de Ferro, pô!): Ele estaria negociando (com avançadas conversas já) para co-estrelar Capitão América 3. E é claro que não existiria nenhum, e eu disse NENHUM!, motivo para isso acontecer senão explorar a saga “marvelística” de sucesso Guerra Civil.

É besteira explicar em um site onde a temática é quadrinhos sobre o que é a Guerra Civil, mas resumidamente é um quebra pra capar entre o grupinho de “rebeldes bonzinhos” liderados pelo Capitas e do outro lado o “politicamente bem intencionado” tio Tony Stark. Aspas bem frisadas. O lado legal dessa HQ (que pra ser sincero é bem legal, mas também não é lá tudo isso não, me apedrejem) é que em tese não tem lado certo e errado. Diferente de Avengers VS X-mens (malditos mutunas! =Pp), você se identifica de um lado ou de outro. A briga é simples: Os heróis devem ser registrados e controlados pelo governo para segurança do povo americano ou não, deixem eles livres, leves e soltos. Bem, se você não conhece foda-se vá conferir que vale a leitura. Aliás acessa aí se quiser comprar e dar um dinheirinho pra mim em comissão: Compra aí.

Bem, se essa notícia realmente amadurecer e não cair do pé espatifando-se em mil pedaços de fofoca mostra que talvez, e eu disse talvez, a Marvel finalmente esteja ficando cega perante seu orgulho (e fome pelo vil metal, claro). Óbvio que ver brigas de pelo menos (hão de ter mais heróis envolvidos) o Ferroso e do Capitola já é motivo para encher varias sessões de salinhas de cinema com pessoas que vão comprar muitas pipocas e fazer a farofada, porém é interessante notar que a Marvel chegou ao patamar onde chegou pela metódica estruturação de seu universo. Diferente da DC (chupa! kkkk) que simplesmente só vai jogando seus personagens no grande ecrã e esperando que de alguma forma eles sobrevivam as críticas, a Casa das ideias honrando o nome mostrou que coesão é a palavra-chave do sucesso. Você faz bem feito aqui e colhe acolá. Cria o hábito de seu público esperar pelo pós crédito, cria em cada filme ligações que os tornam inseparáveis e mas do que tudo faz um meio termo bacana entre fãs de quadrinhos e não leitores, daí do nada resolve esquecer tudo isso. Isso é um retrocesso. Com certeza muitos irão dar suas moedinhas para ver o filme, mas se decepcionar a credibilidade cai e nos próximos filmes talvez a velha máxima de “A Marvel sabe o que faz” não funcione tanto.
Mas por que eu digo isso? Bem, é preciso ver o que vai acontecer nos Vingadores 2, onde Tony e Steve certamente vão se estranhar pelo surgimento de uma IA maligna criada pelo Stark, mas e todo o plot do que aconteceu com o soldado invernal? Eu compararia com Superman X Batman no qual em vez de fortalecer e terminar uma história preferem dar vazão a um super embate sem sentido no momento para encher as telas com explosões e crossovers vazios. E o Thanos? Sim, certamente não dá pra contar a Guerra Civil em 1 filme. Será que em Vingadores 3 vai ter a mescla de Guerra das Gemas com a Civil War? Como se uma saga não fosse insuficiente para um filme, quicá dois. Fora o fato de que precisa-se de muito heróis. Muitos. Inclusive o Homem-Aranha que é da Sony. Até mais fofocas a la Nelson Rubens afirmam que a Sony está disposta a ceder o cabeça de teia em troca de um lucrinho maior do que seus filmes de merda.

Bom, vamos acompanhar pra ver o desfecho desse disse me disse que na verdade apenas uma coisa apenas é certa: RDJ é um puta negociador. Vai fazer papel de coadjuvante e encher o rego de dinheiro. 
Toma Rumo Guri!!

Maze Runner – Correr ou Morrer

Primeiro livro de James Dashner, escrito em 2007. De início
me pareceu mais um roteiro como tantos que temos visto – Jogos Vorazes (Suzanne
Collins), Divergente (Veronica Roth), 1984 (George Orwell) e tantos outros que ainda
n
ão
tive oportunidade de ler. Livros dist
ópicos que apresentam um padrão
de sociedade, vezes futur
ístico, mas pós apocalíptico
de um evento pol
ítico, da natureza ou algum outro que será
explicado no decorrer de sua leitura.

Admito que esse tema me agrada bastante e, no fim dessa
leitura, j
á comecei a devorar o segundo livro – Prova de Fogo (resenha
dele em breve!).

Sobre o enredo, tudo se inicia quando Thomas, protagonista
dessa est
ória, acorda em um elevador escuro, sem saber como foi parar
ali. Na verdade, ele n
ão sabe de nada, a não
ser seu nome. Imagens de pessoas, seus rostos, seus pap
éis, todos
foram apagados de sua mente. Quando o elevador chega ao seu destino, Thomas se
v
ê
em um local aberto com v
ários garotos a observarem-no. Esses
garotos informam que ele est
á na “Clareira” e, após
perguntas n
ão respondidas de como ele chegou até ali – algo
que nenhum dos garotos parece saber, Thomas come
ça a explorar e entender como funciona
esse local quase paradis
íaco, não fosse o fato dele não
se recordar de quase nada de quem era antes de acordar no elevador escuro, a
que eles intitulam A Caixa. De acordo com os outros habitantes da Clareira, um
menino
é enviado para lá a cada trinta dias.

Uma peculiaridade da Clareira é a existência do Labirinto, que os garotos
acreditam ser a chave para escapar desse lugar. Os muros se movem e o labirinto
muda seus caminhos a cada noite, quando as portas s
ão fechadas.
Ningu
ém se atreve a passar a noite no Labirinto, pois existe um
perigo
à espreita que se intensifica à noite.

Além de todo esse mistério,
ap
ós apenas algumas horas da chegada de Thomas, os garotos
escutam barulhos de movimento vindo da Caixa. Chegando ao local, descobrem a
chegada de mais um integrante
à Clareira, fugindo do intervalo mensal
que j
á acontece há dois anos. Esse novo integrante é,
na verdade, uma garota e ela se encontra em coma.

Levada aos cuidados dos Socorristas da Clareira, a chegada
da garota desencadeia uma s
érie de acontecimentos que vai mudar a
ordem vivida pelos garotos nesses dois anos. O Labirinto come
ça
a funcionar de maneira diferente e os meninos precisam ser r
ápidos
para descobrirem como sobreviver.

Esse livro foi transformado em filme esse ano, levando o
mesmo nome do livro. Ainda n
ão assisti pois como comecei, nessa
semana, a leitura de Prova de Fogo, segundo livro da trilogia, preciso termin
á-lo
primeiro antes de partir para o filme. Algumas fontes* afirmam que o filme tem
grandes spoilers sobre o segundo livro. Eu prefiro n
ão arriscar!
<o>

Encerro aqui dizendo que esse livro vale a pena ser lido. A
composi
ção dos personagens e o desenvolvimento da trama faz com que
voc
ê fique envolvido desde os primeiros capítulos.  Leiam! 🙂

Ronda Rousey declara sua paixão por Pokemon

Eu sinceramente não curto lutas estilo MMA onde dois marmanjões de sunga se esfregam ao estilo Luiza Ambiel nos tempos de glória da Banheira do Gugu, mas uma luta entre mulheres sempre me causa pelo menos uma curiosidade. Talvez em minha cabeça podre eu fique imaginando que em dado momento alguém vá gritar uma invocação “xamamística” e o octágono se transformará em um ringue de lama (ou molho catupiry) e as regras se transformarão em quem sobrar com mais peças de tecido ganha. Brincadeiras a parte, o esporte de embate feminino tem ganhado bastante destaque na mídia. Algumas vezes por polêmicas, outras por belas representantes e ainda há o espaço para cativarem um nicho de público com apelações CDFs.

Ronda Rousey que já vinha sendo musa de muitos nerds pervertidos (redundância) por comentar sobre gostar de Dragon Ball Z a ponto até de usar o macacão dos alunos do Kame recentemente abriu o jogo sobre seu jogo de videogame favorito de todos (eu disse TODOS) os tempos: Pokemon.
Sim, a moçoila inclusive conta que era mirradinha porque esquecia da hora da refeição e passava horas na jogatina maldita apenas com um pacote de bolacha e muito leitinho (sem maldade, huhu…)
Segundo a loira seu primeiro título da franquia foi Pokemon Red e seu primeiro monstro de bolso o Charmander.

Sinceramente acho que ela até gosta mesmo da série, mas que é mais uma daquelas ondas de hypes onde alguém supervaloriza sua simpatia para angariar mais admiradores desse mundo de virgens. Onde já se viu começar com um pokemon de fogo contra o primeiro ginásio? =Pp
Ronda afirma ter em apenas um dos títulos mais de 200 horas de jogo. Isso que ela jogou todos (eu disse TODOS) os lançamentos da franquia, menos os que ela própria caracteriza como “bobagem” referindo-se a jogos como a versão pinball.
Sempre é bom ver grandes nomes expostos na mídia declarando suas paixões por essas criaturinhas e ver que não somos os únicos maníacos abestados retardados fãs desse mundo fantástico.

E aí, quantas bolas teria que usar para vencê-la? =Pp

Toma Rumo Guri!!

Ah, e se você chegou aqui apenas porque é um paraquedista do Google e pesquisou “Lutadora Ronda Rousey nua pelada naked ou ainda nude” só posso dizer que eu agradeço os acessos, kkkkkkk.